Doutrinas

A Fé de Abraão nas Promessas de Deus | EBD Adultos

Descubra a grandiosidade da obediência de Abraão após a separação de Ló. Conheça e aprenda sobre a comunhão, prova e rendição construída nos altares de Siquém a Moriá.

12 de abril de 2026Equipe A Seara· 12 min leitura
A Fé de Abraão nas Promessas de Deus | EBD Adultos
#pragmatismo#providencia#abraao#fe#patriarcas#obediencia#escolha

Texto Principal

"Então Ló escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu... E mudou as suas tendas até Sodoma." (Gn 13:11,12)

Introdução

Uma das lições mais difíceis no ciclo dos patriarcas não se reflete apenas nos momentos fáceis onde Deus abençoa de forma abundante, mas durante a gestão dessas bênçãos! Abrão nos ensina na nossa caminhada contemporânea de fé, não apenas com suas provações, mas principalmente no momento em que precisou dividir o espaço físico da providência com o próprio sobrinho Ló, levando-os a tomarem caminhos muito distintos e levantarem diferentes estilos de "altares".

A verdadeira prosperidade não se quantifica em campinas férteis à beira de Sodoma — o maior peso da jornada providente de um crente se baseia no grau e temperatura da chama de obediência e rendição acesa perante o Senhor que chamou para caminhar. Como dizia Abraão diante do impasse em Canaã, nossas escolhas ditam nossos testes, e precisamos estar focados e enraizados sob o altar genuíno de Cristo.

📌 Resumo da Lição

Tópico O que aprenderemos
Módulo 1 O impacto das escolhas erradas do coração deslumbrado de Ló ao escolher Sodoma.
Módulo 2 A diferença de caráter na tratativa do conflito pela superabundância material.
Módulo 3 A representação poderosa e escatológica dos Altares erguidos: de Siquém até Moriá.

I – A Caminhada Mútua e a Separação Imparável

1. O Excesso como Desencadeador

Abrão retorna do Egito para o lugar do seu antigo altar em Canaã reconfortado de seu lapso humano, porém rico e sobrecarregado (Gn 13). Mas as bênçãos não deveriam nos tornar avarentos ou conflituosos. Enquanto as fortunas, tendas e rebanhos tanto do seu sobrinho Ló quanto seus começaram a esbarrar uns nos outros, o choque provou que nem sempre o desafio na vida de um obreiro é administrar o vale das tristezas. O teto de escassez dói, mas muitas vezes não conseguimos suportar a abundância de relacionamentos ou finanças com moderação, o que levanta disputas (Gn 13:6). Diante de "pastores contra pastores", Abraão tomou a maturidade em suas costas.

2. A Generosidade de Abrão

"Eu cheguei primeiro. O chamamento de fé inicial veio sobre a minha voz." Abraão, pai do Clã, o primogenitor de tudo aquilo, certamente e licitamente poderia agarrar a primazia para escolher primeiro as extensões de terra. Mas o Crente fortalecido não opera no pragmatismo avarento! O patriarca foi incrivelmente generoso. Ele preferiu abrir mão de um direito social por manter um parente fora de discórdia. Para ele, a segurança existencial do dia a dia não era moldada na largura de sua tenda, nem pautada nas paisagens em volta, a sua segurança estava única e firmemente no Ser que emitira a Palavra afiançadora: o próprio Deus. Se Ló escolhesse à direita, Abraão se contentaria com a aridez da esquerda, sem quebrar o laço (Gn 13:8).

3. A Ditadura da Aparência

Ao levantar a oferta à sua fronte, Ló deslumbrou-se com seus próprios enganos. Deixando o seu coração e sentidos determinarem seu destino no limiar da porta para "As planícies muito bem irrigadas" que o lembraram absurdamente com o Egito que eles mal haviam abandonado, a sedução lhe devorou a percepção divina. O rio Jordão oferecia luxo geográfico; ele avistava um 'parque' esplendoroso. O que o apressado jovem e sobrinho materialista desconhecia é que a localidade rumava para a depravada metrópole e epicentro de pecadores horrendos: Sodoma. Ló cedeu à sedução e separou-se, plantando as tendas mais próximas do pecado. Ele perdeu o "termômetro da moralidade" num mar visual de cobiça — não oremos apenas por bons terrenos, oremos pedindo visão correta a Deus! Não é tudo que tem cor d'ouro que emite essência celestial.


II – Os Altares Constantes de Abraão

Enquanto o seu sobrinho Ló era arrastado sutil e gradualmente até cruzar as muralhas opressoras de Sodoma a ponto de assentar-se nos portões citadinos dela e depois precisar ser incrivelmente arrebatado por resgate, seja fisicamente (Através do braço e os 318 homens bélicos da casa do próprio Tio Abrão) ou num arrastão angélico escatológico iminente nas chamas mais tarde, o velho e pacato patriarca construía altares eternos e perenes na planície isolada. O Altar na peregrinação do Oriente nos remete não apenas ao ato cultual, mas a "sacrifício, comunhão, e aliança rendida a Deus", onde a consagração acontece por cima das dores de si mesmo.

1. Siquém e Betel - Altar de Promessa e Altar de Comunhão

Na tradição patriarcal, sem grandes templos fixos para reverenciar ao Deus Único, Abraão fez seu próprio "estilo de vida" transformar-se em Templo móvel! Em Siquém ("ombro"), o primeiro altar, ele rendeu e consagrou louvores de pura promessa a Javé. No seu íntimo e obediência fiel exata, ele ouviu novamente a confirmação divina ecoando o alento para possuir toda a região cananeia. Depois, ele chega a formar o majestoso encontro espiritual ininterrupto entre uma pedra e outra num vale na região central da jornada em "Betel" ("Casa de Deus") o altar mais genuíno da comunhão diária. Aqui nós tiramos uma grande amostra atemporal para os nossos dias: A comunhão verdadeira acontece de forma proposital. O homem necessita "armar suas tabuletas religiosas na mente, coração no trabalho" diante de YHWH!

2. Hebrom e a Consolidação Divina

Com Ló devorado pelas atrações fatais entre luxos de pecadores do Vale das Campinas e o mar salgado, a separação produziu um novo altar glorioso para Abraão. Ele marcha no exato oposto, instalando o Altar na cidade montanhosa do carvalho de Manre que futuramente batizar-se-ia "Hebrom". Esse era um nome que soava como "Fraternidade / Ligação firme". Era uma ligação tão próxima de comunhão diária imune que Abraão recebe honra máxima nos anais bíblicos proféticos lá do livro de Tiago séculos à frente: Ser o Amigo Absoluto Dele! (Tg 2:23)

3. Moriá: A Prova Final no Cume da Escatologia

O tempo passará e este patriarca exemplar enfrentará a angústia final. As estacas não seriam mais para consagrar pedreiras estéreis. Um estrondo existencial ecoaria de Gênesis 22, onde o teste final sobre o único e verdadeiro cordão herdeiro seria entregue nas rochas: o "Moriá". A obediência de Abraão era radical a tal ponto que se colocara na submissão disposta de sangrar na lenha, Isaque. Com isso aprendemos o que os puritanos cantavam: O Altar mais profundo e consagrado da vida cristã habita exatamente sobre as renúncias de coisas que nós mais amamos do que Aquele que outorgou. Ali, no apagar das tochas no corte afiado que seria feito para provar sua inesgotável fé, Jesus – sob a perspectiva simbólica veterotestamentária do resgate em forma do Cordeiro que aparece chifrudo preso aos espinhos – O libertou! A mesma localidade onde Davi séculos mais avante compraria o solo da "eira de Araúna", servirá de epicentro material onde será reerguido o templo de Salomão. Tudo remete profeticamente ao Calvário, porque num cenário doloroso o nosso Jesus assumirá de uma vez e para sempre a obediência perfeita à frente dos propósitos salvíficos aos desfiladeiros perversos da mortalidade!


FAQ

Qual era o perigo de tentar salvar Ló da aliança dos Oito Reis? Abraão, como beduíno pacifico, arriscou inteira e completamente todo a linhagem da aliança, rebanhos e seus servos de guerra armando contenda perigosa contra generais imperiais fortíssimos só pelo dever amável de puxar seu inconstante sobrinho do fogo infernal opressivo do sequestro em (Gn 14). Esta bravura nos ilustra a Intercessão de Cristo (Ele arrisca-se integralmente para arrebatar nossa prisão pecadora).

Aonde Ló cometeu o real deslize na vida? Na falta brutal de consulta! Lhe restou arrogância sem filtro: ele não pediu intercessão; visualizou tudo que brilhava sob óptica material pragmática sem sondar o coração da Verdade. Faltou dependência do Espírito! O crente maduro busca "aos Céus se ali haverá portas antes de ir com toda fome bater nela", pois até passaporte visivelmente recheado leva cativos às profundezas abissais.


Hora da Revisão

  1. Por qual razão a abundância das promessas e bênçãos nas tendas revelou conflitos em Gênesis 13?
  2. De que modo Abraão exemplifica um padrão "Maduro" na escolha do prado para o bem de parentela contra o extremismo de "disputas litígias mesquinhas"?
  3. Analise o equívoco principal entre o fator "ditadura da atração material (Jordão)" que encheu os olhos do Jovem Ló e escondeu toda podridão opressora em Sodoma.
  4. Por quais fases espirituais os 4 marcos do altar de Abraão nos convidam à entrega constante no discipulado contemporâneo cristão adulto nos lares?

Leituras Diárias

Dia Referência Tema
Segunda Gn 13:5-9 Onde a Fartura exige moderação e prudência
Terça Gn 13:10,11 O perigo da visão e do encanto visual dos engodos
Quarta 1 Jo 2.16.17 Alerta divino! A essência da ditadura do mundo e a cobiça
Quinta Gn 13:14-18 A promessa se renova num novo altar à vista no Vale
Sexta Hb 11:17 A grande ressonância espiritual no Sacrifício e Altar Moriá
Sábado Sl 15:1,2 Quem poderá habitar diante do altar celestial? Santidade...

:::professor

Orientações para o Professor

Antes de ensinar: Ao aplicar esta lição profunda do Altar do Sacrifício vs Acampamento ao flanco aos Muros de Sodoma, use contrastes fortes. Desenhe num quadro a figura (e a atitude) diametralmente paralela entre ambos personagens após o fim do conflito das forragens. O fato de que "Ló escolhe se distanciar a olhos carnais na beira d'água caindo as margens dos inimigos de Jeovah" em contraste prático a Abraão onde este "Tenta apaziguar a família com nobreza recuando um lado por conta do dever crente - e indo cada vez mais firmar bases num lugar da Promessa e Intimidade" dará clareza mental do real ponto das decisões morais dos seus alunos para com os dilemas mundanos de suas ofertas profissionais e universitarias! :::

:::pais

Para os Pais e Família

Conversa em família: Não limite o tema dessa superLição! Ló mudou paulatinamente da margem limítrofe entre os vales até ser encontrado morando assentado como vizinho em um dos piores esgotos do mundo milenar antigo. Questione, "Temos tomado uma progressão de 'um pouquinho lá fora... sem compromisso...só amizades...' que poderá terminar nos tragando nas armadilhas da mesma foma que essa cultura sem temor engole almas valiosas?"! Ore hoje e selecione quem os guiará num caminhar sadio em Betel ou Hebrom (Lugar da Promessa)! :::


Conteúdo Relacionado

🏷️ Providência🏷️ Abraão🙏 🏷️ Patriarcas
Este artigo faz parte do guia: Abraão: O Pai da Fé e a Raiz da Promessa

🏷️ Explore mais:

Pragmatismo📖Providência📖Abraão📖PatriarcasObediência

📖 No Dicionário

Providência
Significa literalmente previsão, mas é geralmente usada para denotar a preservação e o governo de Deus sobre todas as coisas por meio de causas secundárias (Sl. 18:35; 63:8; Atos 17:28; Col. 1:17; Hb. 1:3). A providência de Deus estende-se ao mundo natural (Sl. 104:14; 135:5-7; Atos 14:17), à criação bruta (Sl. 104:21-29; Mt. 6:26; 10:29), e aos assuntos dos homens (1 Cr. 16:31; Sl. 47:7; Pv. 21:1; Jó 12:23; Dn. 2:21; 4:25), e dos indivíduos (1 Sm. 2:6; Sl. 18:30; Lc. 1:53; Tg. 4:13-15). Estende-se também às ações livres dos homens (Êx. 12:36; 1 Sm. 24:9-15; Sl. 33:14, 15; Pv. 16:1; 19:21; 20:24; 21:1), e a coisas pecaminosas (2 Sm. 16:10; 24:1; Rm. 11:32; Atos 4:27, 28), bem como às suas boas ações (Fl. 2:13; 4:13; 2 Co. 12:9, 10; Ef. 2:10; Gl. 5:22-25). No que diz respeito às ações pecaminosas dos homens, elas são representadas como ocorrendo por permissão de Deus (Gn. 45:5; 50:20. Comp. 1 Sm. 6:6; Êx. 7:13; 14:17; Atos 2:3; 3:18; 4:27, 28), e como controladas (Sl. 76:10) e subvertidas para o bem (Gn. 50:20; Atos 3:13). Deus não causa nem aprova o pecado, mas apenas o limita, restringe e o subverte para o bem. O modo do governo providencial de Deus é completamente inexplicado. Sabemos apenas que é um fato que Deus governa todas as suas criaturas e todas as suas ações; que este governo é universal (Sl. 103:17-19), particular (Mt. 10:29-31), eficaz (Sl. 33:11; Jó 23:13), abrange eventos aparentemente contingentes (Pv. 16:9, 33; 19:21; 21:1), é consistente com a sua própria perfeição (2 Tm. 2:13) e para a sua própria glória (Rm. 9:17; 11:36). Salmos Os salmos são a produção de vários autores. "Apenas uma parte do Livro de Salmos reivindica Davi como seu autor. Outros poetas inspirados em gerações sucessivas adicionaram, ora uma, ora outra contribuição à coleção sagrada e, assim, na sabedoria da Providência, ela reflete mais completamente cada fase da emoção e das circunstâncias humanas do que poderia de outra forma." Mas é especialmente a Davi e aos seus contemporâneos que devemos este livro precioso. Nos "títulos" dos salmos, cuja autenticidade não há razão suficiente para duvidar, 73 são atribuídos a Davi. Pedro e João (Atos 4:25) atribuem a ele também o segundo salmo, que é um dos 48 que são anônimos. Cerca de dois terços de toda a coleção foram atribuídos a Davi. Os Salmos 39, 62 e 77 são endereçados a Jedutum, para serem cantados segundo o seu modo ou em seu coro. Os Salmos 50 e 73-83 são endereçados a Asafe, como mestre de seu coro, para serem cantados no culto a Deus. Os "filhos de Corá", que formavam uma parte proeminente dos cantores coatitas (2 Cr. 20:19), foram encarregados da organização e do canto dos Sl. 42, 44-49, 84, 85, 87 e 88. Em Lucas 24:44, a palavra "salmos" refere-se aos Hagiógrafos, isto é, as escrituras sagradas, uma das seções nas quais os judeus dividiram o Antigo Testamento. (Veja BÍBLIA.) Não se pode provar que nenhum dos salmos seja de data posterior ao tempo de Esdras e Neemias; portanto, toda a coleção estende-se por um período de cerca de 1.000 anos. Há no Novo Testamento 116 citações diretas do Saltério. O Saltério é dividido, por analogia ao Pentateuco, em cinco livros, cada um encerrando com uma doxologia ou bênção: (1.) O primeiro livro compreende os primeiros 41 salmos, todos os quais são atribuídos a Davi, exceto o 1, 2, 10 e 33, que, embora anônimos, também podem ser atribuídos a ele. (2.) O segundo livro consiste nos 31 salmos seguintes (42-72), dos quais 18 são atribuídos a Davi e 1 a Salomão (o 72º). Os demais são anônimos. (3.) O terceiro livro contém 17 salmos (73-89), dos quais o 86º é atribuído a Davi, o 88º a Hemã, o ezraíta, e o 89º a Etã, o ezraíta. (4.) O quarto livro também contém 17 salmos (90-106), dos quais o 90º é atribuído a Moisés, e o 101º e o 103º a Davi. (5.) O quinto livro contém os salmos restantes, 44 em número. Destes, 15 são atribuídos a Davi, e o 127º a Salomão. O Sl. 136 é geralmente chamado de "o grande halel". Mas o Talmud inclui também os Sl. 120-135. Os Sl. 113-118, inclusive, constituem o "halel" recitado nas três grandes festas, na lua nova e nos oito dias da festa da dedicação. "Presume-se que estas diversas coleções foram feitas em tempos de alta vida religiosa: a primeira, provavelmente, próximo ao fim da vida de Davi; a segunda nos dias de Salomão; a terceira pelos cantores de Josafá (2 Cr. 20:19); a quarta pelos homens de Ezequias (29, 30, 31); e a quinta nos dias de Esdras." O ritual mosaico não prevê o serviço do canto no culto a Deus. Davi foi quem primeiro ensinou a Igreja a cantar os louvores do Senhor. Ele introduziu, pela primeira vez, a música e o canto no ritual do tabernáculo. Diversos nomes são atribuídos aos salmos. (1.) Alguns trazem a designação hebraica *shir* (Gr. *ode*, um cântico). Treze possuem este título. Significa o fluxo da fala, por assim dizer, em linha reta ou em uma cadência regular. Este título inclui tanto cânticos seculares quanto sagrados. (2.) Cinquenta e oito salmos trazem a designação (Heb.) *mitsmor* (Gr. *psalmos*, um salmo), uma ode lírica, ou um cântico posto em música; um cântico sagrado acompanhado por um instrumento musical. (3.) O Sl. 145, e muitos outros, possuem a designação (Heb.) *tehillah* (Gr. *hymnos*, um hino), significando um cântico de louvor; um cântico cujo pensamento predominante é o louvor a Deus. (4.) Seis salmos (16, 56-60) possuem o título (Heb.) *michtam* (q.v.). (5.) O Sl. 7 e Hab. 3 trazem o título (Heb.) *shiggaion* (q.v.). Saltério Um instrumento musical, supondo-se ter sido um tipo de lira, ou uma harpa de doze cordas. A palavra hebraica *nebhel*, assim vertida, é traduzida como "viola" em Is. 5:12 (R.V., "alaúde"); 14:11. Em Dn. 3:5, 7, 10, 15, a palavra assim vertida é caldaica, *pesanterin*, que se supõe ser uma palavra de origem grega denotando um instrumento do tipo harpa....
Ler verbete →
Abraão
Pai de uma multidão, filho de Terá, mencionado (Gên. 11:27) antes de seus irmãos mais velhos, Naor e Harã, por ser o herdeiro das promessas. Até os setenta anos, Abrão habitou entre seus parentes em sua terra natal, a Caldeia. Então, com seu pai, sua família e seus servos, deixou a cidade de Ur, na qual habitara até então, e dirigiu-se cerca de 300 milhas ao norte, para Harã, onde permaneceu por quinze anos. A causa de sua migração foi um chamado de Deus (Atos 7:2-4). Não há menção a este primeiro chamado no Antigo Testamento; ele está implícito, contudo, em Gên. 12. Enquanto permaneciam em Harã, Terá morreu aos 205 anos. Abrão recebeu agora um segundo chamado, mais definido, acompanhado de uma promessa de Deus (Gên. 12:1, 2); após o qual partiu, levando consigo seu sobrinho Ló, "não sabendo para onde ia" (Heb. 11:8). Ele confiou implicitamente na guia Daquele que o havia chamado. Abrão agora, com uma grande casa de provavelmente mil almas, iniciou uma vida migratória e habitou em tendas. Passando pelo vale do Jaboque, na terra de Canaã, ele estabeleceu seu primeiro acampamento em Siquém (Gên. 12:6), no vale ou carvalhal de More, entre Ebal ao norte e Gerizim ao sul. Aqui ele recebeu a grande promessa: "Farei de ti uma grande nação", etc. (Gên. 12:2, 3, 7). Esta promessa compreendia não apenas bênçãos temporais, mas também espirituais. Implicava que ele era o ancestral escolhido do grande Libertador, cuja vinda havia sido prevista há muito tempo (Gên. 3:15). Logo depois disso, por alguma razão não mencionada, ele mudou sua tenda para o distrito montanhoso entre Betel, então chamada Luz, e Ai, cidades situadas a cerca de duas milhas de distância, onde construiu um altar ao "Jeová". Ele mudou-se novamente para a região sul da Palestina, chamada pelos hebreus de Negebe; e foi, finalmente, devido a uma fome, compelido a descer ao Egito. Isso ocorreu na época dos Hicsos, uma raça semita que então mantinha os egípcios em servidão. Aqui ocorreu aquele caso de engano por parte de Abrão, que o expôs à repreensão de Faraó (Gên. 12:18). Sarai lhe foi devolvida; e Faraó o carregou de presentes, recomendando-lhe que se retirasse do país. Ele retornou a Canaã mais rico do que quando a deixou, "em gado, em prata e em ouro" (Gên. 12:8; 13:2. Comp. Sl. 105:13, 14). Todo o grupo moveu-se então para o norte e retornou à sua estação anterior, perto de Betel. Aqui surgiram disputas entre os pastores de Ló e os de Abrão a respeito de água e pastagens. Abrão generosamente deu a Ló a escolha do terreno de pastagem. (Comp. 1 Cor. 6:7.) Ele escolheu a planície bem regada onde Sodoma estava situada e mudou-se para lá; e assim o tio e o sobrinho separaram-se. Imediatamente após isso, Abrão foi encorajado por uma repetição das promessas que já lhe haviam sido feitas, e então mudou-se para a planície ou "carvalhal" de Manre, que fica em Hebrom. Ele finalmente estabeleceu-se aqui, armando sua tenda sob um famoso carvalho ou terebinto, chamado "o carvalho de Manre" (Gên. 13:18). Este foi o seu terceiro lugar de repouso na terra. Cerca de quatorze anos antes disso, enquanto Abrão ainda estava na Caldeia, a Palestina fora invadida por Quedorlaomer, rei de Elão, que submeteu ao tributo as cinco cidades da planície para as quais Ló havia se mudado. Esse tributo foi sentido pelos habitantes dessas cidades como um fardo pesado e, após doze anos, eles se revoltaram. Isso trouxe sobre eles a vingança de Quedorlaomer, que tinha em liga consigo outros quatro reis. Ele devastou todo o país, saqueando as cidades e levando os habitantes como escravos. Entre os assim tratados estava Ló. Ao saber do desastre que havia caído sobre seu sobrinho, Abrão reuniu imediatamente de sua própria casa um grupo de 318 homens armados e, juntando-se a ele os chefes amorreus Manre, Aner e Escol, perseguiu Quedorlaomer e o alcançou perto das fontes do Jordão. Eles atacaram e derrotaram seu exército, perseguindo-o pela cordilheira do Antilíbano até Hobá, perto de Damasco, e então retornaram, trazendo de volta todos os despojos que haviam sido levados. Retornando pelo caminho de Salém, isto é, Jerusalém, o rei daquele lugar, Melquisedeque, saiu ao encontro deles com refrescos. A ele, Abrão apresentou o dízimo dos despojos, em reconhecimento ao seu caráter como sacerdote do Deus Altíssimo (Gên. 14:18-20). Em uma tabuleta recentemente descoberta, datada do reinado do avô de Amraphel (Gên. 14:1), uma das testemunhas é chamada de "o amorita, filho de Abiramu", ou Abrão. Tendo retornado ao seu lar em Mamre, as promessas já lhe feitas por Deus foram repetidas e ampliadas (Gên. 13:14). "A palavra do Senhor" (expressão que ocorre aqui pela primeira vez) "veio a ele" (15:1). Ele agora compreendia melhor o futuro que se estendia diante da nação que dele deveria derivar. Sarai, agora com setenta e cinco anos, em sua impaciência, persuadiu Abrão a tomar Agar, sua serva egípcia, como concubina, pretendendo que qualquer filho que pudesse nascer fosse considerado como seu. Ismael foi, consequentemente, assim criado, e era considerado o herdeiro dessas promessas (Gên. 16). Quando Ismael tinha treze anos, Deus revelou novamente, de forma ainda mais explícita e plena, o Seu propósito gracioso; e, como sinal do cumprimento certo desse propósito, o nome do patriarca foi agora alterado de Abrão para Abraão (Gên. 17:4, 5), e o rito da circuncisão foi instituído como sinal da aliança. Anunciou-se então que o herdeiro dessas promessas da aliança seria o filho de Sarai, embora ela tivesse agora noventa anos; e foi determinado que seu nome fosse Isaque. Ao mesmo tempo, em comemoração às promessas, o nome de Sarai foi alterado para Sara. Naquele dia memorável em que Deus assim revelou o Seu desígnio, Abraão, seu filho Ismael e todos os homens de sua casa foram circuncidados (Gên. 17). Três meses depois disso, enquanto Abraão estava sentado à porta de sua tenda, viu três homens se aproximando. Eles aceitaram a hospitalidade oferecida e, sentados sob um carvalho, participaram do alimento que Abraão e Sara providenciaram. Um dos três visitantes não era outro senão o Senhor, e os outros dois eram anjos sob a aparência de homens. O Senhor renovou, nesta ocasião, Sua promessa de um filho por meio de Sara, que foi repreendida por sua incredulidade. Abraão acompanhou os três enquanto eles prosseguiam em sua jornada. Os dois anjos seguiram em direção a Sodoma; enquanto o Senhor permaneceu para trás e conversou com Abraão, revelando-lhe a destruição que estava prestes a cair sobre aquela cidade culpada. O patriarca intercedeu fervorosamente em favor da cidade condenada. Mas, como nem sequer dez pessoas justas foram encontradas nela, por causa das quais a cidade teria sido poupada, a destruição ameaçada caiu sobre ela; e, logo na manhã seguinte, Abraão viu a fumaça do fogo que a consumiu como a "fumaça de uma fornalha" (Gên. 19:1-28). Após quinze anos de residência em Mamre, Abraão moveu-se para o sul e armou sua tenda entre os filisteus, próximo a Gerar. Aqui ocorreu aquele triste exemplo de prevaricação de sua parte em sua relação com Abimeleque, o Rei (Gên. 20). (Veja ABIMELEQUE.) Logo após este evento, o patriarca deixou as proximidades de Gerar e deslocou-se pelo vale fértil, cerca de 25 milhas, até Berseba. Foi provavelmente aqui que Isaque nasceu, tendo Abraão agora cem anos de idade. Um sentimento de ciúme surgiu então entre Sara e Agar, cujo filho, Ismael, não deveria mais ser considerado o herdeiro de Abraão. Sara insistiu que tanto Agar quanto seu filho fossem expulsos. Isso foi feito, embora tenha sido uma provação difícil para Abraão (Gên. 21:12). (Veja AGAR; ISMAEL.) Neste ponto, há uma lacuna de talvez vinte e cinco anos na história do patriarca. Esses anos de paz e felicidade foram passados em Berseba. A próxima vez que o vemos, sua fé é submetida a um teste severo pelo comando que subitamente lhe veio para ir e oferecer Isaque, o herdeiro de todas as promessas, como sacrifício em um dos montes de Moriá. Sua fé resistiu ao teste (Hb 11:17-19). Ele procedeu em um espírito de obediência imediata para cumprir a ordem; e, quando estava prestes a matar seu filho, a quem havia colocado sobre o altar, sua mão erguida foi detida pelo anjo de Jeová, e um carneiro, que estava preso em um matagal próximo, foi agarrado e oferecido em seu lugar. Devido a essa circunstância, aquele lugar foi chamado Jeová-Jiré, isto é, "O Senhor proverá". As promessas feitas a Abraão foram novamente confirmadas (e esta foi a última palavra registrada de Deus ao patriarca); e ele desceu do monte com seu filho e retornou para sua casa em Berseba (Gn 22:19), onde residiu por alguns anos e, depois, mudou-se para o norte, para Hebrom. Alguns anos depois disso, Sara morreu em Hebrom, aos 127 anos de idade. Abraão adquiriu agora a necessária posse de um lugar de sepultamento, a caverna de Macpela, mediante compra do seu proprietário, Efrom, o hitita (Gên. 23); e ali ele sepultou Sara. Sua preocupação seguinte foi providenciar uma esposa para Isaque e, para esse propósito, enviou seu administrador, Eliezer, a Harã (ou Carrã, Atos 7:2), onde residiam seu irmão Naor e sua família (Gên. 11:31). O resultado foi que Rebeca, filha de Betuel, filho de Naor, tornou-se a esposa de Isaque (Gên. 24). Abraão, então, tomou para si como esposa Quetura, que se tornou a mãe de seis filhos, cujos descendentes foram posteriormente conhecidos como os "filhos do oriente" (Jzg. 6:3), e mais tarde como "sarracenos". Finalmente, todas as suas peregrinações chegaram ao fim. Aos 175 anos de idade, 100 anos depois de ter entrado pela primeira vez na terra de Canaã, ele morreu e foi sepultado no antigo lugar de sepultamento da família em Macpela (Gên. 25:7-10). A história de Abraão causou uma ampla e profunda impressão no mundo antigo, e referências a ela estão entrelaçadas nas tradições religiosas de quase todas as nações orientais. Ele é chamado de "o amigo de Deus" (Tiago 2:23), "Abraão fiel" (Gál. 3:9), "o pai de todos nós" (Rom. 4:16)....
Ler verbete →
A fé é, em geral, a persuasão da mente de que certa afirmação é verdadeira (Fil. 1:27; 2 Tess. 2:13). Sua ideia primária é a confiança. Algo é verdadeiro e, portanto, digno de confiança. Ela admite muitos graus, até a plena certeza da fé, de acordo com a evidência na qual se baseia. A fé é o resultado do ensino (Rm 10:14-17). O conhecimento é um elemento essencial em toda fé, e às vezes é mencionado como um equivalente à fé (Jo 10:38; 1 Jo 2:3). No entanto, as duas se distinguem neste aspecto: que a fé inclui em si o assentimento, que é um ato da vontade além do ato do entendimento. O assentimento à verdade é da essência da fé, e o fundamento último sobre o qual repousa o nosso assentimento a qualquer verdade revelada é a veracidade de Deus. A fé histórica é a apreensão e o assentimento a certas afirmações que são consideradas meros fatos da história. A fé temporária é aquele estado mental que é despertado nos homens (ex: Félix) pela exposição da verdade e pela influência da simpatia religiosa, ou por aquilo que às vezes é denominado a operação comum do Espírito Santo. A fé salvífica é assim chamada porque tem a vida eterna inseparavelmente conectada a ela. Não pode ser melhor definida do que nas palavras do Breve Catecismo da Assembleia: "A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual recebemos e descansamos somente nele para a salvação, conforme ele nos é oferecido no evangelho." O objeto da fé salvadora é toda a Palavra revelada de Deus. A fé a aceita e nela crê como a verdade mais segura. Mas o ato especial de fé que une a Cristo tem como seu objeto a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo (João 7:38; Atos 16:31). Este é o ato específico de fé pelo qual um pecador é justificado diante de Deus (Rm 3:22, 25; Gl 2:16; Fp 3:9; Jo 3:16-36; At 10:43; 16:31). Neste ato de fé, o crente apropria-se e descansa somente em Cristo como Mediador em todos os seus ofícios. Este assentimento ou crença na verdade recebida mediante o testemunho divino sempre esteve associado a um profundo senso de pecado, a uma visão distinta de Cristo, a uma vontade consentinte e a um coração amoroso, juntamente com a confiança em, o confiar em, ou o repousar em Cristo. É esse estado de espírito no qual um pobre pecador, consciente de seu pecado, foge de si mesmo, culpado, para Cristo, seu Salvador, e lança sobre Ele o fardo de todos os seus pecados. Consiste principalmente, não no assentimento dado ao testemunho de Deus em Sua Palavra, mas em abraçar, com confiança e dependência fiduciais, o único e só Salvador que Deus revela. Esta confiança e dependência são a essência da fé. Pela fé, o crente apropria-se de Cristo, direta e imediatamente, como seu. A fé, em seu ato direto, torna Cristo nosso. Não é uma obra que Deus graciosamente aceite em vez de uma obediência perfeita, mas é apenas a mão com a qual nos agarramos à pessoa e à obra de nosso Redentor como o único fundamento de nossa salvação. A fé salvadora é um ato moral, pois provém de uma vontade renovada, e uma vontade renovada é necessária para o assentimento crente à verdade de Deus (1 Cor. 2:14; 2 Cor. 4:4). A fé, portanto, reside na parte moral de nossa natureza tanto quanto na intelectual. A mente deve primeiro ser iluminada pelo ensino divino (João 6:44; Atos 13:48; 2 Cor. 4:6; Ef. 1:17, 18) antes que possa discernir as coisas do Espírito. A fé é necessária para a nossa salvação (Marcos 16:16), não porque haja nela qualquer mérito, mas simplesmente porque é o pecador ocupando o lugar que lhe foi atribuído por Deus, alinhando-se ao que Deus está fazendo. A garantia ou fundamento da fé é o testemunho divino, não a razoabilidade do que Deus diz, mas o simples fato de que ele o diz. A fé repousa imediatamente sobre: "Assim diz o Senhor". Mas, para que essa fé ocorra, a veracidade, a sinceridade e a verdade de Deus devem ser reconhecidas e apreciadas, juntamente com a sua imutabilidade. A palavra de Deus encoraja e instiga o pecador pessoalmente a tratar com Cristo como dom de Deus, a selar a união com ele, abraçá-lo, entregar-se a Cristo e tomar Cristo como seu. Essa palavra vem com poder, pois é a palavra do Deus que se revelou em suas obras, e especialmente na cruz. Deus deve ser crido por causa de sua palavra, mas também por causa de seu nome. A fé em Cristo assegura ao crente a libertação da condenação, ou a justificação diante de Deus; uma participação na vida que está em Cristo, a vida divina (João 14:19; Rom. 6:4-10; Ef. 4:15, 16, etc.); "paz com Deus" (Rom. 5:1); e a santificação (Atos 26:18; Gál. 5:6; Atos 15:9). Todos os que assim creem em Cristo certamente serão salvos (João 6:37, 40; 10:27, 28; Rom. 8:1). A fé=o evangelho (Atos 6:7; Rom. 1:5; Gál. 1:23; 1 Tim. 3:9; Judas 1:3)....
Ler verbete →