Por Jaime Kemp: Como uma coisa boa pode ser má?

Como uma coisa boa pode ser má?

O impulso sexual não é bom nem mau em si mesmo. Tudo depende de como o encaramos e usamos…

“Eu quero aproveitar a minha vida ao máximo!”, assim pensa a maioria. Podemos dizer que estão errados? Viver é bom. O mundo, apesar de suas incontáveis imperfeições e contradições, tem muito a oferecer, mas há limites.
Com relação ao sexo, a disponibilidade sexual no século XXI, que consegue ir além das reais necessidades e expectativas do homem e da mulher que pretendem levar uma vida aceitável nessa área, traz em seu rastro consequências traumáticas e irreversíveis.
No final, a banalidade desencanta. A violência e o desrespeito contra as mulheres, e a bárbara crueldade do estupro, inclusive coletivo, têm aumentado na sociedade. A igualdade sexual, tão exigida e valorizada pelas mulheres, muitas vezes faz com que imitem o comportamento libertino de muitos homens, colecionando parceiros e arruinando sua autoestima diante da ausência de afeto verdadeiro.

Fast-food

Não há dúvida de que fomos contaminados pela filosofia que vem se instalando há décadas neste mundo, que diz que sexo diversificado e inconsequente não causa prejuízos. Fazer “amor” é, na verdade, uma expressão contraditória. O amor verdadeiro é comprometido, fiel e se estabiliza na convivência do dia a dia. O amor “fast-food”, de saciedade rápida, pode ser paixão, atração física, compulsão, romantismo, só sexo, mas não é amor.
Deus nos criou com fortes tendências para sentirmos prazer. O orgasmo no ato sexual se assemelha à explosão de nervos, músculos, sentimentos e emoções por meio de sensações intensas e agradáveis. Mas a vontade de Deus é que experimentemos esse prazer apenas no casamento. Hoje em dia isso representa o mesmo que remar contra a corrente de um rio muito revolto.
Diante do implacável bombardeio de publicidade de todas as mídias, que dão munição à liberdade sexual, é claro que ninguém está livre de tombar, mas quero falar especialmente aos jovens.
Queridos jovens, Deus nos oferece condições para nos proteger, incluindo de doenças venéreas, gravidez indesejada e inesperada, sentimentos de culpa, amargura, desconfiança, ressentimento e tantas outras implicações de relações sexuais variadas. Pergunto:

– Você deseja realmente ter um casamento feliz um dia?
– Para você é importante existir confiança e respeito entre os cônjuges?
– Você terá problemas se seu marido/esposa cometer adultério?

Anos atrás havia uma propaganda na televisão que mostrava um rapaz, de mais ou menos dezoito anos, saindo de casa para encontrar a namorada. O pai o acompanhava até a porta e, descontraidamente, lhe entregava uma camisinha. Entendo que, provavelmente, a intenção dos publicitários era alertar os jovens e o povo em geral sobre o perigo de manter relações sexuais sem tomar os devidos cuidados, visto que a AIDS assumia proporções endêmicas na época. E quanto aos valores morais? Será que Deus, que nos criou, apoia esse tipo de procedimento? Tenho outra pergunta: você acha mesmo que o sexo preenche o vazio do coração? É provável que, ao manter relações sexuais com alguém que não seu cônjuge, você pode não saber, mas não está apenas procurando satisfação sexual. É sua alma que está sedenta.

Quem sabe o que é melhor?

A primeira razão para esperarmos para fazer sexo somente no casamento é porque Deus estabeleceu isso em sua Palavra. Talvez muitos jovens não estejam dispostos a aceitar essa recomendação e questionam sua validade nos dias atuais. A verdade é que Deus determinou padrões que devem ser seguidos por suas criaturas. Ele nunca teve intenção de frustrar ou punir ninguém, mas beneficiar a todos. “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais” (Jeremias 29.11). Ele nos criou, sabe como devemos proceder e, portanto, sabe o que é melhor para nós e o que pode nos prejudicar. Nossa parte é aprender a confiar que Deus sempre quer fazer o melhor para nós.

Em 1 Tessalonicenses 4.3, as palavras do apóstolo esclarecem: “Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da prostituição”.

Basicamente Paulo afirma que Deus se preocupa com o nosso amadurecimento espiritual e, justamente por isso, pede que tenhamos atitudes puras com relação ao sexo oposto.
Em 1 Coríntios 6.15-20, Paulo também adverte que a imoralidade é um pecado contra o próprio corpo. Pecar contra o corpo significa não respeitá-lo nem o do parceiro. Uma vez perdido o respeito pelo corpo, torna-se cada vez mais fácil ser indulgente com a prática sexual descomprometida e contínua.

Falar é fácil, obedecer é outra história

Mas como lidar com os impulsos sexuais? Esta é a grande questão. O impulso sexual é um instinto, uma resposta automática a circunstâncias ou situações estimulantes e exigem gratificação imediata. Se deixarmos esses instintos poderosos dominarem a nossa vida, nos tornaremos escravos deles, e uma vez que alcançarem o controle dos nossos sentimentos e conduta, dificilmente irão nos abandonar.

Os dois lados da moeda

Como podemos viver com esses desejos tão fortes e ainda agradar a Deus? A maneira como trabalhamos esses instintos definem um padrão para a maneira como trabalharemos outras crises emocionais em nossa vida. O impulso sexual não é bom nem mau em si mesmo. Tudo depende de como o encaramos e usamos, mas ele não pode ser ignorado ou negligenciado. Todo jovem deve enfrentar essa força com seriedade e objetividade, reconhecendo que é uma dádiva de Deus para o seu bem-estar, dádiva que deve ser honrada.

• Tenha certeza de que Jesus Cristo é o seu Salvador e Senhor pessoal – João 1.12
De acordo com a Bíblia, quando você recebe Jesus como Salvador e Senhor, Deus lhe dá o poder e a capacidade para viver uma vida fortalecida como filho de Deus. O Espírito Santo vem habitar dentro de você para garantir-lhe esse fortalecimento.

• Reconheça o conflito que há em você – Gálatas 5.16-17
Existem duas naturezas dentro de cada um de nós: a natureza que herdamos de Adão (velha), que carrega a tendência de rebelião contra Deus, e a natureza que surge quando o Espírito de Deus vivifica nosso espírito. É a parte da nossa vida que quer agradar a Deus. Ambas estão sempre em guerra. A velha natureza quer sempre satisfazer a rebelião contra a vontade divina e as exigências carnais, enquanto a nova natureza quer agradar ao Senhor. É uma luta interior constante na nossa vida. Sendo assim, é necessário ter disciplina em algumas áreas, como, por exemplo, a meditação e a prática da Palavra de Deus (Filipenses 4.8).

• Cuidado com as suas amizades – 1 Coríntios 15.33
Cuide de seus relacionamentos íntimos, pois isso evitará que você se depare com muitas tentações. Quero adicionar uma palavra de advertência: evite ficar sozinho por longos períodos, pois sempre existe uma oportunidade muito grande para a estimulação dos impulsos sexuais. Certamente há horas em que você precisa ficar só, porém esse tempo deve ser ocupado por projetos e atividades que ocupem os pensamentos, a mente e o coração. Não se coloque em situações em que você poderá desenvolver pensamentos, atitudes e ações que não agradam a Deus.

• Confesse os seus pecados – 1 João 1.9
Lembre-se disto: apesar de não sermos fiéis, Deus é fiel. Quando confessamos os nossos pecados, concordamos que erramos e o sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado. Ele não morreu somente pelos nossos pecados passados, presentes e futuros, mas também levou toda nossa culpa; portanto, não precisamos carregá-la pela vida afora. Se você cair, arrependa-se sincera e imediatamente, confesse a Deus, expulse esse pecado da sua mente e do seu coração e siga em frente com Jesus.

• Evite racionalizar ou justificar seus erros
Não se deixe enganar pelo argumento ultrapassado e já gasto, embora sutil, com que o diabo iludiu Eva: como uma coisa tão boa pode ser má? Seja esperto!

• Medite na Palavra de Deus – Salmos 1.2-3
Quando eu estava na faculdade, aprendi um conceito e quero compartilhá-lo com você: “A Palavra de Deus afastará você do pecado ou o pecado afastará você da Palavra de Deus”. Porém, cuidado para que o fato de você ler a Bíblia e meditar não se torne um amuleto nem algo mecânico, cujo hábito garanta sua vitória na vida. A Palavra de Deus deve tornar-se prioritária na nossa experiência cristã e modificar diariamente o nosso ponto de vista para o ponto de vista divino.

É muito bom saber que Deus não é contra o sexo. Ao contrário, foi Ele quem o criou e abençoou. No entanto, a Bíblia não fala sobre sexo desvirtuado, sem compromisso e vulgar. Ela também não segue a linha puritana de que apenas falar sobre sexo já é pecado e não defende a liberdade total do tipo: toda vez que sentir desejos sexuais, trate de satisfazê-los – não interessa como e com quem. Será que Deus está pedindo demais? Certamente o mundo mudou. Tudo isso agora é normal. A verdade é que o mundo mudou, mas Deus não.

Você é muito especial!

Você tem enorme valor, pois foi criado à imagem e semelhança de Deus. Você é o trabalho artesanal mais delicado e cuidadoso do Senhor. Pense bem, Ele entregou seu único Filho para morrer na cruz em seu lugar.
Nossa sexualidade é um reflexo da dignidade que Deus nos deu. O jovem destrói seu autorrespeito quando se impacienta e não espera o momento preparado por Deus, com a pessoa escolhida por Ele. Por isso o apóstolo Paulo disse que nosso corpo não foi feito para praticar a imoralidade, mas para servir o Senhor.
Minha intenção não é ser um desmancha-prazeres antiquado, mas não posso deixar de avisá-lo, prezado leitor, que para Deus abençoar a sua vida e o seu futuro casamento, você precisa confiar que essa bênção virá somente por meio da obediência a Ele e à sua Palavra.

 

Fonte: revistalarcristao

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