Doutrinas

Lição 1 – Abraão: Seu Chamado e Sua Jornada de Fé

O chamado de Abraão em Gênesis 12 inaugura o plano redentivo de Deus para toda a humanidade. Ao abandonar a idólatra e rica metrópole de Ur dos Caldeus, Abraão nos ensina que a fé relacional se manifesta em movimento, mesmo em meio à fome e às provações na Terra Prometida.

5 de abril de 2026Equipe A Seara· 12 min leitura
Lição 1 – Abraão: Seu Chamado e Sua Jornada de Fé
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Texto Principal

"Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei." (Gn 12:1)

Introdução

Neste segundo trimestre, o sumário da história redentiva nos conduz às pegadas de três homens imperfeitos, porém transformados pela graça: Abraão, Isaque e Jacó. A epístola aos Hebreus afirma que eles compõem a galeria daqueles "dos quais o mundo não era digno" (Hb 11:38). Nesta primeira lição fundamental, mergulharemos no início de tudo: o chamado de Abraão.

Abraão não era um peregrino insatisfeito; ele habitava na metrópole desenvolvida de Ur dos Caldeus, uma cidade rica, porém mergulhada na mais densa idolatria. É nesse cenário improvável que um Deus santo e gracioso invade a rotina de um pagão, chamando-o para uma jornada onde sua única garantia seria o caráter de quem o chamou. Esta lição não é apenas sobre a jornada geográfica de um homem, mas sobre o nascimento de uma nova raça que andaria por fé e não por vista — uma fé que, como veremos, seria arduamente testada nos vales áridos de Canaã e no refúgio perigoso do Egito.

📌 Estrutura da Lição

Tópico O que aprenderemos
Módulo 1 O Chamado e a Fé de Abraão (O conceito da graça preveniente)
Módulo 2 As Bênçãos, a Obediência e a Renúncia (A materialização da fé)
Módulo 3 As Provações, o Egito e a Restauração (A anatomia da queda e os perigos do pragmatismo)

I – O Chamado: Graça Preveniente e Fé Relacional

1. A Palavra que Quebra o Silêncio de Babel

O chamado de Abraão não pode ser lido isoladamente; ele ocorre logo após o desastre coletivo de Gênesis 11 — a Torre de Babel. A humanidade, corrompida moralmente desde o Éden (Gn 3) e violenta nos dias de Noé (Gn 6), acabara de sofrer a dispersão devido à sua rebelião arrogante. As nações estavam se afastando definitivamente do propósito de Deus. É exatamente nesse cenário de escuridão moral que a luz rompe. Deus não destrói a Terra novamente; Ele escolhe um homem para salvar o mundo todo. O chamado de Abrão, portanto, é o começo de um plano redentivo missional para as nações.

2. A Autoridade do "Sai-te": O Imperativo da Graça

Deus toma a iniciativa. O Senhor aparece a um idólatra e brada: "Sai-te". O verbo hebraico Lekh-Lekhá (literalmente, "vai para ti mesmo") está no imperativo, atestando a autoridade soberana. Aqui, deparamo-nos de frente com a graça preveniente: Deus se revela antes mesmo que Abrão tivesse pensado em buscá-Lo. Contudo, essa intervenção graciosa nunca anulou a liberdade humana de Abrão; pelo contrário, o capacitou a responder voluntariamente. Ele não é arrastado mecanicamente para Canaã; sua saída exibe coragem relacional. É essa resposta cooperativa à revelação divina que inaugura a vida cristã autêntica.

3. Uma Fé que Não Pede Mapas

A Bíblia destaca o mérito dessa fé: "E saiu, sem saber para onde ia" (Hb 11:8). Abraão demonstrou que a fé bíblica não é irracionalidade cega, nem misticismo barato; é confiança relacional extrema num Deus pessoal. O coração humano caído geralmente demanda que Deus revele a rota de chegada antes de dar o primeiro passo; exigimos todas as garantias visíveis. Mas Deus ofereceu apenas Sua Palavra como fiadora.

Reflita! Estamos frequentemente mais apegados aos "mapas" que criamos para nossa vida do que Àquele que é o dono do verdadeiro Destino. Qual segurança terrena Deus está convidando você a abandonar hoje?


II – A Obediência e a Materialização da Promessa

1. O Tripé da Promessa Missional

O chamado continha três blocos formidáveis: uma nova NAÇÃO, um grande NOME e uma missão REDENTIVA ("Em ti serão benditas todas as famílias da terra" - Gn 12:3). Essa promessa destrói a teologia da "bênção egoísta". Abraão não foi abençoado apenas para usufruir de riquezas na tenda; ele seria o estopim da redenção que culminaria no calvário. Uma bênção monopolizada azeda, mas a bênção compartilhada edifica missões que alcançam o mundo (Gl 3:8).

2. A Ação Substitui a Emoção

O versículo chave evidencia o dinamismo da jornada: "Partiu, pois, Abrão" (Gn 12:4). A verdadeira convicção deve se materializar em movimento. A fé salvadora nunca se satisfaz no altar das intenções ou nas emoções de uma reunião espiritual; ela se ergue, apaga a luz da zona de conforto e obedece. Muitas vezes as pessoas até reconhecem a voz de Deus nos cultos, mas, ao chegarem em Harã (a cidade onde Terá, pai de Abrão, resolveu estacionar e depois morar até o fim de seus dias), decidem paralisar em uma obediência parcial. O adiamento humano freqüentemente atrasa as vitórias do céu. A graça capacita, mas não terceiriza nossas escolhas duras.

3. A Terra Prometida também tem Seca

"E houve fome naquela terra..." (Gn 12:10). Esta é uma das sentenças mais aterrorizantes e edificantes das escrituras. Como poderia haver fome logo no centro da Palavra Profética? Abraão abdica de tudo e, ao pisar no prêmio, encontra escassez. Ser guiado ao centro da vontade divina não isenta o cristão de sofrer pressões colossais, sejam crises financeiras, perdas ou conflitos geográficos. Os laços profundos não revelam se Deus perdeu o controle, mas se servimos a Deus pelas pastagens verdes das campinas ou pela excelência de simplesmente caminharmos ao Seu lado.

Pense nisso! Por vezes, julgamos a procedência de uma bênção pela ausência de atritos. Isso é errôneo. É exatamente nos momentos de crise profunda que descobrimos se amamos a "Promessa" de Deus ou se enxergamos de fato o "Deus" das promessas.


III – As Provações e a Pedagogia da Queda (A Idéia de Egito)

1. A Relação Pragmática com o Egito

Confrontado pelo pânico e sem consultar ao Altíssimo, Abraão entra numa rota pragmática e desce ao Egito. Historicamente, o Egito banhava-se pelo rio Nilo, imune a muitas crises sazonais que afetavam a agricultura de Canaã. Descer ao Egito nas Escrituras se tornou ícone de quando o filho de Deus troca a confiança divina pela segurança das estratégias humanas, agindo em força própria. Para salvar a própria vida antes mesmo de engravidar do herdeiro, diz a Sarai de 75 anos (lindíssima e cobiçada) que atue como irmã. O Pai da Fé age com fragilidade chocante e vacila na ética para garantir sobrevivência.

2. Deus Preserva Aqueles a Quem Chama

Houve disciplina, Faraó foi açoitado, mentiras vieram à tona. Mas, o principal a ser notado com esse desvio de caráter moral temporário, não é apenas o erro pragmático. A beleza dessa lição é mostrar a infinita fidelidade de Deus em preservar Abraão; mesmo ele desonrando o Seu chamado. "Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo" (2 Tm 2.13). Deus jamais abandona os que vocaciona de modo soberano e os devolve ao centro restaurador da cruz após lhes disciplinar o orgulho.

3. O Reflexo Arruinador do Deslize Visual de Ló

A consequência das ricas aquisições no Egito foi desastrosa para as relações familiares em Canaã logo em seguida. Devido à profusão de bens e a tensão entre pastores, Abraão generosamente diz a Ló: Escolha primeiro. Ló elege as campinas ricas (que fisicamente espelhavam o Jardim do Éden) e arma sua tenda estrategicamente "até Sodoma". O que vemos neste capítulo doloroso é como o encanto visual sabota o discernimento espiritual dos jovens que ambicionam o lucro na vida profissional sem sondar qual oxigênio moral os alimentará no emprego que escolherem. Toda inclinação pelo supérfluo carrega espinhos fatais. Ló fugiu de brigas por grama, mas futuramente perderia todos os pertences (e a própria esposa) numa fuga contra chumbo, enxofre e pânico demoníaco.


Conclusão

Abraão encabeça a história de nossa redenção em alicerces muito práticos: crer no que o Deus Santo prometeu, romper com uma vida corrompida por ídolos modernos, manter-se andando de fé em fé sem jamais tentar trapacear com pragmatismo profano (o Egito), e, sobretudo, amar as ordens celestes. Fomos inseridos pela cruz de Cristo nessa formidável linhagem de homens e mulheres a quem "o mundo não possuía nenhum valor nem lhes era digno". Avance e marche!

Hora da Revisão

  1. Qual erro teológico reside no conceito de "Bênção Exclusiva" que Deus procurou abater quando vocacionou Abrão em Genesis 12:2-3?
  2. Disserte por que o Evangelho que Jesus ensinou afirma que a fé necessita manifestar Atitude (Gn 12:4).
  3. Muitas lideranças se afundam e crentes se chocam quando crises aparecem assim que assumem responsabilidades. O que o texto nos orienta a esse respeito na chegada do líder Patriarca a Canaã?
  4. O que "descer ao Egito" sinaliza existencialmente dentro do paradigma teológico e da nossa jornada contemporânea após a revelação neo-testamentária?
  5. No aspecto geográfico da separação, qual foi o imenso calcanhar de Aquiles cognitivo e espiritual de Ló ao erguer os olhos no loteamento e apartar-se do líder eleito por Deus?

:::professor

Orientações Práticas para Sala de Aula

"O discipulado cristão exige decisões práticas, não meras convicções sentimentais."

Abordagem Sugerida:

  • Fale sobre a cidade de Ur. Cite que arqueologicamente, as escavações lideradas por Sir Leonard Woolley ao sul do Iraque e Kuweit há 100 anos descobriram que essa megacidade contava com enormes zigurates luxuosos (Nanna-Sin, deusa Lua). Eles trocavam os "Deuses Cósmicos e Astros de Proteção" pelo Verbo Eterno.
  • Pergunta Tensa a Lançar à Classe: Pergunte por que muitos dizem obedecer o chamado, mas "estacionam os caminhões na rodoviária em Harã". A obediência passiva ou estática é o berço de uma letargia que atrasa os passos de Cristo na evangelização de nossa nação. Enforce a importância do Agir. Use os fracassos de Ló para expor o desastre das aparências nas mídias contemporâneas nas escolhas matrimoniais ou contratuais.
  • A fragilidade humana do Patriarca no episódio da esposa no Egito deve servir para lembrar os jovens da sala de aula que perfeição moral se atinge por cooperação em cruz de sacrifício, mas falibilidade jamais pode afastar pecadores sinceros do retorno imediato ao Altar. :::

:::pais

Devocional da Semana no Lar

Converse no Jantar! "Muitas das atitudes grandiosas da Escritura não surgiram nas catedrais, mas ao sair de portas." Debata: Existe algum "Egito" a qual a nossa família costuma descer escondida quando não vemos "garantias financeiras visíveis"? Estamos focando excessivamente nossos recursos na Sodoma de valores atuais como popularidade, luxo virtual e aparência?

  • Faça a seguinte prece abraâmica coletiva com a família antes de se deitarem: “Deus de Eternidade que vocacionou, capacite-nos a abandonar a idolatria tecnológica de nossos tempos ou os luxos egoístas que emperram que sejamos bênçãos no altar coletivo de obediência que devemos. Amém!”. :::

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📖 No Dicionário

Graça
(1.) De forma ou pessoa (Prov. 1:9; 3:22; Sl. 45:2). (2.) Favor, bondade, amizade (Gên. 6:8; 18:3; 19:19; 2 Tim. 1:9). (3.) A misericórdia perdoadora de Deus (Rom. 11:6; Ef. 2:5). (4.) O evangelho distinguindo-se da lei (João 1:17; Rom. 6:14; 1 Ped. 5:12). (5.) Dons gratuitamente concedidos por Deus; como milagres, profecia, línguas (Rom. 15:15; 1 Cor. 15:10; Ef. 3:8). (6.) Virtudes cristãs (2 Cor. 8:7; 2 Ped. 3:18). (7.) A glória que haverá de ser revelada (1 Ped. 1:13)....
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Abraão
Pai de uma multidão, filho de Terá, mencionado (Gên. 11:27) antes de seus irmãos mais velhos, Naor e Harã, por ser o herdeiro das promessas. Até os setenta anos, Abrão habitou entre seus parentes em sua terra natal, a Caldeia. Então, com seu pai, sua família e seus servos, deixou a cidade de Ur, na qual habitara até então, e dirigiu-se cerca de 300 milhas ao norte, para Harã, onde permaneceu por quinze anos. A causa de sua migração foi um chamado de Deus (Atos 7:2-4). Não há menção a este primeiro chamado no Antigo Testamento; ele está implícito, contudo, em Gên. 12. Enquanto permaneciam em Harã, Terá morreu aos 205 anos. Abrão recebeu agora um segundo chamado, mais definido, acompanhado de uma promessa de Deus (Gên. 12:1, 2); após o qual partiu, levando consigo seu sobrinho Ló, "não sabendo para onde ia" (Heb. 11:8). Ele confiou implicitamente na guia Daquele que o havia chamado. Abrão agora, com uma grande casa de provavelmente mil almas, iniciou uma vida migratória e habitou em tendas. Passando pelo vale do Jaboque, na terra de Canaã, ele estabeleceu seu primeiro acampamento em Siquém (Gên. 12:6), no vale ou carvalhal de More, entre Ebal ao norte e Gerizim ao sul. Aqui ele recebeu a grande promessa: "Farei de ti uma grande nação", etc. (Gên. 12:2, 3, 7). Esta promessa compreendia não apenas bênçãos temporais, mas também espirituais. Implicava que ele era o ancestral escolhido do grande Libertador, cuja vinda havia sido prevista há muito tempo (Gên. 3:15). Logo depois disso, por alguma razão não mencionada, ele mudou sua tenda para o distrito montanhoso entre Betel, então chamada Luz, e Ai, cidades situadas a cerca de duas milhas de distância, onde construiu um altar ao "Jeová". Ele mudou-se novamente para a região sul da Palestina, chamada pelos hebreus de Negebe; e foi, finalmente, devido a uma fome, compelido a descer ao Egito. Isso ocorreu na época dos Hicsos, uma raça semita que então mantinha os egípcios em servidão. Aqui ocorreu aquele caso de engano por parte de Abrão, que o expôs à repreensão de Faraó (Gên. 12:18). Sarai lhe foi devolvida; e Faraó o carregou de presentes, recomendando-lhe que se retirasse do país. Ele retornou a Canaã mais rico do que quando a deixou, "em gado, em prata e em ouro" (Gên. 12:8; 13:2. Comp. Sl. 105:13, 14). Todo o grupo moveu-se então para o norte e retornou à sua estação anterior, perto de Betel. Aqui surgiram disputas entre os pastores de Ló e os de Abrão a respeito de água e pastagens. Abrão generosamente deu a Ló a escolha do terreno de pastagem. (Comp. 1 Cor. 6:7.) Ele escolheu a planície bem regada onde Sodoma estava situada e mudou-se para lá; e assim o tio e o sobrinho separaram-se. Imediatamente após isso, Abrão foi encorajado por uma repetição das promessas que já lhe haviam sido feitas, e então mudou-se para a planície ou "carvalhal" de Manre, que fica em Hebrom. Ele finalmente estabeleceu-se aqui, armando sua tenda sob um famoso carvalho ou terebinto, chamado "o carvalho de Manre" (Gên. 13:18). Este foi o seu terceiro lugar de repouso na terra. Cerca de quatorze anos antes disso, enquanto Abrão ainda estava na Caldeia, a Palestina fora invadida por Quedorlaomer, rei de Elão, que submeteu ao tributo as cinco cidades da planície para as quais Ló havia se mudado. Esse tributo foi sentido pelos habitantes dessas cidades como um fardo pesado e, após doze anos, eles se revoltaram. Isso trouxe sobre eles a vingança de Quedorlaomer, que tinha em liga consigo outros quatro reis. Ele devastou todo o país, saqueando as cidades e levando os habitantes como escravos. Entre os assim tratados estava Ló. Ao saber do desastre que havia caído sobre seu sobrinho, Abrão reuniu imediatamente de sua própria casa um grupo de 318 homens armados e, juntando-se a ele os chefes amorreus Manre, Aner e Escol, perseguiu Quedorlaomer e o alcançou perto das fontes do Jordão. Eles atacaram e derrotaram seu exército, perseguindo-o pela cordilheira do Antilíbano até Hobá, perto de Damasco, e então retornaram, trazendo de volta todos os despojos que haviam sido levados. Retornando pelo caminho de Salém, isto é, Jerusalém, o rei daquele lugar, Melquisedeque, saiu ao encontro deles com refrescos. A ele, Abrão apresentou o dízimo dos despojos, em reconhecimento ao seu caráter como sacerdote do Deus Altíssimo (Gên. 14:18-20). Em uma tabuleta recentemente descoberta, datada do reinado do avô de Amraphel (Gên. 14:1), uma das testemunhas é chamada de "o amorita, filho de Abiramu", ou Abrão. Tendo retornado ao seu lar em Mamre, as promessas já lhe feitas por Deus foram repetidas e ampliadas (Gên. 13:14). "A palavra do Senhor" (expressão que ocorre aqui pela primeira vez) "veio a ele" (15:1). Ele agora compreendia melhor o futuro que se estendia diante da nação que dele deveria derivar. Sarai, agora com setenta e cinco anos, em sua impaciência, persuadiu Abrão a tomar Agar, sua serva egípcia, como concubina, pretendendo que qualquer filho que pudesse nascer fosse considerado como seu. Ismael foi, consequentemente, assim criado, e era considerado o herdeiro dessas promessas (Gên. 16). Quando Ismael tinha treze anos, Deus revelou novamente, de forma ainda mais explícita e plena, o Seu propósito gracioso; e, como sinal do cumprimento certo desse propósito, o nome do patriarca foi agora alterado de Abrão para Abraão (Gên. 17:4, 5), e o rito da circuncisão foi instituído como sinal da aliança. Anunciou-se então que o herdeiro dessas promessas da aliança seria o filho de Sarai, embora ela tivesse agora noventa anos; e foi determinado que seu nome fosse Isaque. Ao mesmo tempo, em comemoração às promessas, o nome de Sarai foi alterado para Sara. Naquele dia memorável em que Deus assim revelou o Seu desígnio, Abraão, seu filho Ismael e todos os homens de sua casa foram circuncidados (Gên. 17). Três meses depois disso, enquanto Abraão estava sentado à porta de sua tenda, viu três homens se aproximando. Eles aceitaram a hospitalidade oferecida e, sentados sob um carvalho, participaram do alimento que Abraão e Sara providenciaram. Um dos três visitantes não era outro senão o Senhor, e os outros dois eram anjos sob a aparência de homens. O Senhor renovou, nesta ocasião, Sua promessa de um filho por meio de Sara, que foi repreendida por sua incredulidade. Abraão acompanhou os três enquanto eles prosseguiam em sua jornada. Os dois anjos seguiram em direção a Sodoma; enquanto o Senhor permaneceu para trás e conversou com Abraão, revelando-lhe a destruição que estava prestes a cair sobre aquela cidade culpada. O patriarca intercedeu fervorosamente em favor da cidade condenada. Mas, como nem sequer dez pessoas justas foram encontradas nela, por causa das quais a cidade teria sido poupada, a destruição ameaçada caiu sobre ela; e, logo na manhã seguinte, Abraão viu a fumaça do fogo que a consumiu como a "fumaça de uma fornalha" (Gên. 19:1-28). Após quinze anos de residência em Mamre, Abraão moveu-se para o sul e armou sua tenda entre os filisteus, próximo a Gerar. Aqui ocorreu aquele triste exemplo de prevaricação de sua parte em sua relação com Abimeleque, o Rei (Gên. 20). (Veja ABIMELEQUE.) Logo após este evento, o patriarca deixou as proximidades de Gerar e deslocou-se pelo vale fértil, cerca de 25 milhas, até Berseba. Foi provavelmente aqui que Isaque nasceu, tendo Abraão agora cem anos de idade. Um sentimento de ciúme surgiu então entre Sara e Agar, cujo filho, Ismael, não deveria mais ser considerado o herdeiro de Abraão. Sara insistiu que tanto Agar quanto seu filho fossem expulsos. Isso foi feito, embora tenha sido uma provação difícil para Abraão (Gên. 21:12). (Veja AGAR; ISMAEL.) Neste ponto, há uma lacuna de talvez vinte e cinco anos na história do patriarca. Esses anos de paz e felicidade foram passados em Berseba. A próxima vez que o vemos, sua fé é submetida a um teste severo pelo comando que subitamente lhe veio para ir e oferecer Isaque, o herdeiro de todas as promessas, como sacrifício em um dos montes de Moriá. Sua fé resistiu ao teste (Hb 11:17-19). Ele procedeu em um espírito de obediência imediata para cumprir a ordem; e, quando estava prestes a matar seu filho, a quem havia colocado sobre o altar, sua mão erguida foi detida pelo anjo de Jeová, e um carneiro, que estava preso em um matagal próximo, foi agarrado e oferecido em seu lugar. Devido a essa circunstância, aquele lugar foi chamado Jeová-Jiré, isto é, "O Senhor proverá". As promessas feitas a Abraão foram novamente confirmadas (e esta foi a última palavra registrada de Deus ao patriarca); e ele desceu do monte com seu filho e retornou para sua casa em Berseba (Gn 22:19), onde residiu por alguns anos e, depois, mudou-se para o norte, para Hebrom. Alguns anos depois disso, Sara morreu em Hebrom, aos 127 anos de idade. Abraão adquiriu agora a necessária posse de um lugar de sepultamento, a caverna de Macpela, mediante compra do seu proprietário, Efrom, o hitita (Gên. 23); e ali ele sepultou Sara. Sua preocupação seguinte foi providenciar uma esposa para Isaque e, para esse propósito, enviou seu administrador, Eliezer, a Harã (ou Carrã, Atos 7:2), onde residiam seu irmão Naor e sua família (Gên. 11:31). O resultado foi que Rebeca, filha de Betuel, filho de Naor, tornou-se a esposa de Isaque (Gên. 24). Abraão, então, tomou para si como esposa Quetura, que se tornou a mãe de seis filhos, cujos descendentes foram posteriormente conhecidos como os "filhos do oriente" (Jzg. 6:3), e mais tarde como "sarracenos". Finalmente, todas as suas peregrinações chegaram ao fim. Aos 175 anos de idade, 100 anos depois de ter entrado pela primeira vez na terra de Canaã, ele morreu e foi sepultado no antigo lugar de sepultamento da família em Macpela (Gên. 25:7-10). A história de Abraão causou uma ampla e profunda impressão no mundo antigo, e referências a ela estão entrelaçadas nas tradições religiosas de quase todas as nações orientais. Ele é chamado de "o amigo de Deus" (Tiago 2:23), "Abraão fiel" (Gál. 3:9), "o pai de todos nós" (Rom. 4:16)....
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A fé é, em geral, a persuasão da mente de que certa afirmação é verdadeira (Fil. 1:27; 2 Tess. 2:13). Sua ideia primária é a confiança. Algo é verdadeiro e, portanto, digno de confiança. Ela admite muitos graus, até a plena certeza da fé, de acordo com a evidência na qual se baseia. A fé é o resultado do ensino (Rm 10:14-17). O conhecimento é um elemento essencial em toda fé, e às vezes é mencionado como um equivalente à fé (Jo 10:38; 1 Jo 2:3). No entanto, as duas se distinguem neste aspecto: que a fé inclui em si o assentimento, que é um ato da vontade além do ato do entendimento. O assentimento à verdade é da essência da fé, e o fundamento último sobre o qual repousa o nosso assentimento a qualquer verdade revelada é a veracidade de Deus. A fé histórica é a apreensão e o assentimento a certas afirmações que são consideradas meros fatos da história. A fé temporária é aquele estado mental que é despertado nos homens (ex: Félix) pela exposição da verdade e pela influência da simpatia religiosa, ou por aquilo que às vezes é denominado a operação comum do Espírito Santo. A fé salvífica é assim chamada porque tem a vida eterna inseparavelmente conectada a ela. Não pode ser melhor definida do que nas palavras do Breve Catecismo da Assembleia: "A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual recebemos e descansamos somente nele para a salvação, conforme ele nos é oferecido no evangelho." O objeto da fé salvadora é toda a Palavra revelada de Deus. A fé a aceita e nela crê como a verdade mais segura. Mas o ato especial de fé que une a Cristo tem como seu objeto a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo (João 7:38; Atos 16:31). Este é o ato específico de fé pelo qual um pecador é justificado diante de Deus (Rm 3:22, 25; Gl 2:16; Fp 3:9; Jo 3:16-36; At 10:43; 16:31). Neste ato de fé, o crente apropria-se e descansa somente em Cristo como Mediador em todos os seus ofícios. Este assentimento ou crença na verdade recebida mediante o testemunho divino sempre esteve associado a um profundo senso de pecado, a uma visão distinta de Cristo, a uma vontade consentinte e a um coração amoroso, juntamente com a confiança em, o confiar em, ou o repousar em Cristo. É esse estado de espírito no qual um pobre pecador, consciente de seu pecado, foge de si mesmo, culpado, para Cristo, seu Salvador, e lança sobre Ele o fardo de todos os seus pecados. Consiste principalmente, não no assentimento dado ao testemunho de Deus em Sua Palavra, mas em abraçar, com confiança e dependência fiduciais, o único e só Salvador que Deus revela. Esta confiança e dependência são a essência da fé. Pela fé, o crente apropria-se de Cristo, direta e imediatamente, como seu. A fé, em seu ato direto, torna Cristo nosso. Não é uma obra que Deus graciosamente aceite em vez de uma obediência perfeita, mas é apenas a mão com a qual nos agarramos à pessoa e à obra de nosso Redentor como o único fundamento de nossa salvação. A fé salvadora é um ato moral, pois provém de uma vontade renovada, e uma vontade renovada é necessária para o assentimento crente à verdade de Deus (1 Cor. 2:14; 2 Cor. 4:4). A fé, portanto, reside na parte moral de nossa natureza tanto quanto na intelectual. A mente deve primeiro ser iluminada pelo ensino divino (João 6:44; Atos 13:48; 2 Cor. 4:6; Ef. 1:17, 18) antes que possa discernir as coisas do Espírito. A fé é necessária para a nossa salvação (Marcos 16:16), não porque haja nela qualquer mérito, mas simplesmente porque é o pecador ocupando o lugar que lhe foi atribuído por Deus, alinhando-se ao que Deus está fazendo. A garantia ou fundamento da fé é o testemunho divino, não a razoabilidade do que Deus diz, mas o simples fato de que ele o diz. A fé repousa imediatamente sobre: "Assim diz o Senhor". Mas, para que essa fé ocorra, a veracidade, a sinceridade e a verdade de Deus devem ser reconhecidas e apreciadas, juntamente com a sua imutabilidade. A palavra de Deus encoraja e instiga o pecador pessoalmente a tratar com Cristo como dom de Deus, a selar a união com ele, abraçá-lo, entregar-se a Cristo e tomar Cristo como seu. Essa palavra vem com poder, pois é a palavra do Deus que se revelou em suas obras, e especialmente na cruz. Deus deve ser crido por causa de sua palavra, mas também por causa de seu nome. A fé em Cristo assegura ao crente a libertação da condenação, ou a justificação diante de Deus; uma participação na vida que está em Cristo, a vida divina (João 14:19; Rom. 6:4-10; Ef. 4:15, 16, etc.); "paz com Deus" (Rom. 5:1); e a santificação (Atos 26:18; Gál. 5:6; Atos 15:9). Todos os que assim creem em Cristo certamente serão salvos (João 6:37, 40; 10:27, 28; Rom. 8:1). A fé=o evangelho (Atos 6:7; Rom. 1:5; Gál. 1:23; 1 Tim. 3:9; Judas 1:3)....
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