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Lição 10 – Conhecendo Deus pela Fé | EBD Pre-adolescentes

Aprofunde-se no conteúdo da próxima lição. Material de apoio aos alunos e professores da Escola Bíblica.

7 de junho de 2026Equipe A Seara· 6 min leitura
Lição 10 – Conhecendo Deus pela Fé | EBD Pre-adolescentes
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Introdução: O "Documento" do Mundo Invisível

Se você comprasse um videogame novo pela internet, você ainda não teria a caixa nas suas mãos de forma visível, mas a loja geraria uma nota fiscal digital com o seu nome. Essa nota é a sua garantia irrefutável de que o produto é seu e vai chegar.

Na vida com Deus, a não é fechar os olhos com força, dar um pulinho e "torcer" para dar certo (isso seria sorte ou pensamento positivo). A Bíblia ensina em Hebreus 11 que a Fé é como essa nota fiscal — ela é a sua garantia absoluta das promessas divinas. Conhecer a Deus não é confiar na sua imaginação, mas confiar de que Deus jamais quebra a "nota fiscal" que Ele mesmo assinou.

📖 TEXTO BÍBLICO BASE: Hebreus 11:1-6


I. O Destruidor de Paradigmas: O que é Fé?

Milhares de religiosos vivem angustiados e acham que a "Fé" é um poder mágico mental que os força a nunca ficarem tristes. A Bíblia derruba isso e explica a fé com duas palavras gregas fantásticas (Hb 11:1):

  1. Hypostasis (O Título de Posse): A fé é a "certeza das coisas que se esperam". Lembra da nota fiscal? Ter fé é viver o mundo real segurando firmemente o documento de que Céu, Salvação e Cuidado são suas posses compradas pelo sangue de Jesus.
  2. Elenchos (A Prova do tribunal): É a "convicção dos fatos que não se veem". Imagine um advogado num tribunal esmagando a dúvida de um juiz com uma prova em vídeo. A fé funciona como uma lente que prova à sua mente a veracidade de Deus e o mundo celestial, mesmo que seus olhos não captem nada no escuro.

A fé bela responde ao Criador: "Senhor, não sei como o amanhã na minha escola vai ser, mas obedeço a Tua palavra pois Tua assinatura garante que estarás lá!".

II. A Fé à Prova de Fogo (E os Falsos Mágicos)

Na televisão ou internet, muita gente vende uma versão falsa de fé: a Teologia da Prosperidade. Eles dizem: "Se você tiver bastante fé, nunca vai tirar nota vermelha, nunca vai ficar doente, os pais nunca vão brigar e você será muito rico."

Hebreus 11 faz essa mentira virar fumaça. O capítulo lista heróis incríveis: Moisés e Abraão viveram pela fé. Porém, ele também cita heróis que foram torturados e morreram na masmorra sem ver o milagre imediato, e mesmo assim agarrados pela fé! Isso significa que a Fé Verdadeira repousa sobre a Pessoa de Deus, e não sobre aquilo que as mãos d'Ele nos entregam hoje. Ter fé em Deus no dia que Ele não impede que seu pai passe aperto com o emprego exige muito mais fibra cristã!

III. Fé x Ciência Cega

Muitas vezes, na escola, tentarão colocar as aulas de ciências contra a sua fé em Cristo, taxando você de retrógrado. Hebreus 11:3 já resolve isso brilhantemente: *"Pela fé, entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não foi feito do que é visível."*

Você confia 100% no invisível para viver. Você nunca viu a "gravidade" e nunca esbarrou com uma molécula de "oxigênio", mas confia plenamente nelas para não sair voando e para respirar. Da mesma forma, nosso Deus é indetectável pelos limitados telescópios humanos, mas Seus rastros digitais (a perfeição da Biologia ou do DNA e o milagre da mente e consciência que as IAs jamais imitarão fielmente) exsudam que, por trás do Universo incrivelmente perfeito, há a Mão do Criador.


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💡 Mesa do Professor: Lidando com "O teto de bronze"

  • Alunos dessa idade ficam extremamente angustiados quando oram por algo urgente e Deus parece responder com silêncio. Um orfanato ou a morte do animal de estimação podem destruir crenças frágeis.
  • O professor deve estabelecer claramente: "A prova cabal da sua fé não está baseada em quanto você 'ganha' ou sente Deus agir perfeitamente. A fé verdadeira está baseada na fidelidade Daquele que Prometeu as realidades eternas!" Ensine que não baseamos o caráter do Pai Eterno pelas frustrações de um dia chuvoso; mas as interpretamos à luz da Cruz do Calvário. :::

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🗣️ Desafio da Semana

Você já agradeceu a Deus por algo no momento em que Ele apenas te prometeu (no momento em que leu na bíblia) mas sem ver a concretização real? Escolha a Sua pior ansiedade para esta semana. (Se é o medo de não ir bem nas lições de exatas, sofrer ataques virtuais ou os pais continuarem distantes). Leia algo sobre as promessas de companheirismo (Isaías 41:10). Logo após a oração, no momento pior do seu temor durante a semana, force sua boca a AGRADECER e ter um ânimo excelente, em atitude clara da sua fé de "já possuí-los no tribunal dos céus"! :::


Este artigo faz parte do guia: Abraão: O Pai da Fé e a Raiz da Promessa

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📖 No Dicionário

Isaías
(Heb. Yesh'yahu, isto é, "a salvação de Jeová"). (1.) O filho de Amós (Is 1:1; 2:1), que era aparentemente um homem de condição humilde. Sua esposa era chamada de "a profetisa" (8:3), seja porque era dotada do dom profético, como Débora (Jzg 4:4) e Hulda (2 Reis 22:14-20), ou simplesmente porque era a esposa do "profeta" (Is 38:1). Ele teve dois filhos, que possuíam nomes simbólicos. Ele exerceu as funções de seu ofício durante os reinados de Uzias (ou Azarias), Jotão, Acaz e Ezequias (1:1). Uzias reinou cinquenta e dois anos (810-759 a.C.), e Isaías deve ter iniciado sua carreira alguns anos antes da morte de Uzias, provavelmente em 762 a.C. Ele viveu até o décimo quarto ano de Ezequias e, com toda a probabilidade, sobreviveu a esse monarca (que morreu em 698 a.C.), e pode ter sido contemporâneo por alguns anos de Manassés. Assim, Isaías pode ter profetizado por um longo período de pelo menos sessenta e quatro anos. Seu primeiro chamado ao ofício profético não está registrado. Um segundo chamado veio a ele "no ano em que morreu o rei Uzias" (Is 6:1). Ele exerceu seu ministério em um espírito de firmeza intransigente e ousadia em relação a tudo o que incidia sobre os interesses da religião. Ele nada oculta e nada retém por medo dos homens. Ele também era notado por sua espiritualidade e por sua reverência profunda para com "o Santo de Israel". Na juventude, Isaías deve ter sido impactado pela invasão de Israel pelo monarca assírio Pul (q.v.), 2 Reis 15:19; e novamente, vinte anos depois, quando já havia assumido seu ministério, pela invasão de Tiglate-Pileser e sua trajetória de conquistas. Acaz, rei de Judá, nesta crise, recusou-se a cooperar com os reis de Israel e da Síria na oposição aos assírios e, por esse motivo, foi atacado e derrotado por Rezim de Damasco e Pequias de Samaria (2 Reis 16:5; 2 Cr. 28:5, 6). Acaz, assim humilhado, aliou-se à Assíria e buscou o auxílio de Tiglate-Pileser contra Israel e a Síria. A consequência foi que Rezim e Pequias foram conquistados e muitos do povo foram levados cativos para a Assíria (2 Reis 15:29; 16:9; 1 Cr. 5:26). Pouco depois disso, Salmanasar determinou subjugar totalmente o reino de Israel. Samaria foi tomada e destruída (722 a.C.). Enquanto Acaz reinou, o reino de Judá permaneceu intocado pelo poder assírio; mas, com a ascensão ao trono de Ezequias (726 a.C.), que "se rebelou contra o rei da Assíria" (2 Reis 18:7), sendo encorajado nisso por Isaías, que exortava o povo a depositar toda a sua confiança em Jeová (Is 10:24; 37:6), este firmou uma aliança com o rei do Egito (Is 30:2-4). Isso levou o rei da Assíria a ameaçar o rei de Judá e, finalmente, a invadir a terra. Senaqueribe (701 a.C.) conduziu um poderoso exército à Palestina. Ezequias foi reduzido ao desespero e submeteu-se aos assírios (2 Reis 18:14-16). Mas, após um breve intervalo, a guerra eclodiu novamente, e Senaqueribe (q.v.) conduziu mais uma vez um exército à Palestina, do qual um destacamento ameaçou Jerusalém (Is 36:2-22; 37:8). Isaías, naquela ocasião, encorajou Ezequias a resistir aos assírios (37:1-7), após o que Senaqueribe enviou uma carta ameaçadora a Ezequias, a qual este "estendeu perante o Senhor" (37:14). O julgamento de Deus recaiu então sobre o exército assírio. "Como Xerxes na Grécia, Senaqueribe jamais se recuperou do choque do desastre em Judá. Ele não realizou mais expedições nem contra a Palestina Meridional, nem contra o Egito." Os anos restantes do reinado de Ezequias foram pacíficos (2 Cr. 32:23, 27-29). Isaías provavelmente viveu até o seu fim, e possivelmente até o reinado de Manassés, mas o momento e a maneira de sua morte são desconhecidos. Existe uma tradição de que ele tenha sofrido martírio durante a reação pagã no tempo de Manassés (q.v.). (2.) Um dos chefes dos cantores no tempo de Davi (1 Cr. 25:3, 15, "Jesaías"). (3.) Um levita (1 Cr. 26:25). (4.) Esdras 8:7. (5.) Neemias 11:7....
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Hebreus
(Atos 6:1) eram os judeus que falavam hebraico, distinguindo-se daqueles que falavam grego. (Veja GREGOS.)...
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Moisés
Retirado (ou egípcio *mesu*, "filho"; daí Rameses, filho real). A convite do Faraó (Gn 45:17-25), Jacó e seus filhos desceram ao Egito. Esta imigração ocorreu provavelmente cerca de 350 anos antes do nascimento de Moisés. Alguns séculos antes de José, o Egito havia sido conquistado por uma raça semita pastoral da Ásia, os Hicsos, que submeteram cruelmente os egípcios nativos, que eram de raça africana. Jacó e sua comitiva estavam acostumados à vida de pastor e, ao chegarem ao Egito, foram recebidos com favor pelo rei, que lhes designou a "melhor parte da terra", a terra de Gósen, para habitarem. O rei hicsó ou "pastor" que assim demonstrou favor a José e sua família foi, com toda a probabilidade, o Faraó Apópi (ou Apopis). Assim favorecidos, os israelitas começaram a "multiplicar-se excessivamente" (Gn 47:27) e expandiram-se para o oeste e sul. Com o tempo, a supremacia dos Hicsos chegou ao fim. Aos descendentes de Jacó foi permitido manter a posse de Gósen sem perturbações, mas, após a morte de José, a sua posição não foi tão favorável. Os egípcios começaram a desprezá-los, e iniciou-se o período de sua "aflição" (Gn 15:13). Foram severamente oprimidos. Continuaram, porém, a aumentar em número, e "a terra encheu-se deles" (Êx 1:7). Os egípcios nativos viam-nos com desconfiança, de modo que sentiram todas as dificuldades de uma luta pela existência. Com o passar do tempo, "levantou-se um rei [provavelmente Seti I.] que não conhecia José" (Êx. 1:8). (Veja FARAÓ.) As circunstâncias do país eram tais que este rei julgou necessário enfraquecer seus súditos israelitas, oprimindo-os e reduzindo gradualmente o seu número. Consequentemente, foram tornados escravos públicos e foram empregados em suas inúmeras construções, especialmente na ereção de cidades-armazéns, templos e palácios. Os filhos de Israel foram forçados a servir com rigor. Suas vidas tornaram-se amargas com a dura servidão, e "todo o serviço em que os fizeram servir foi com rigor" (Êx. 1:13, 14). Mas esta cruel opressão não teve o resultado esperado de reduzir o seu número. Pelo contrário, "quanto mais os egípcios os afligiam, tanto mais eles se multiplicavam e cresciam" (Êx. 1:12). O rei tentou, em seguida, por meio de um acordo feito secretamente com a corporação de parteiras, provocar a destruição de todas as crianças hebreias do sexo masculino que pudessem nascer. Mas o desejo do rei não foi rigorosamente executado; as crianças do sexo masculino foram poupadas pelas parteiras, de modo que "o povo se multiplicou" mais do que nunca. Assim frustrado, o rei emitiu uma proclamação pública convocando o povo a dar a morte a todas as crianças hebreias do sexo masculino, lançando-as ao rio (Êx 1:22). Mas nem mesmo por este edito o propósito do rei foi alcançado. Uma das famílias hebreias para as quais este cruel edito do rei trouxe grande alarme foi a de Anrão, da família dos coatitas (Êx. 6:16-20), que, com sua esposa Joquebede e dois filhos, Miriã, uma menina de talvez quinze anos de idade, e Arão, um menino de três anos, residia em ou perto de Mênfis, a capital daquela época. Neste lar tranquilo, nasceu um menino (1571 a.C.). Sua mãe o escondeu na casa por três meses, longe do conhecimento das autoridades civis. Mas quando a tarefa de ocultação tornou-se difícil, Joquebede planejou colocar seu filho sob a atenção da filha do rei, construindo para ele uma arca de juncos, a qual ela colocou entre as plantas que cresciam na margem do rio, no local onde a princesa costumava descer para se banhar. Seu plano foi bem-sucedido. A filha do rei "viu a criança; e eis que a criança chorava". A princesa (veja FILHA DO FARAÓ ) enviou Miriã, que estava por perto, para buscar uma ama. Ela foi e trouxe a mãe da criança, a quem a princesa disse: "Leva esta criança e amamenta-a para mim, e eu te darei o teu salário". Assim, o filho de Joquebede, a quem a princesa chamou de "Moisés", isto é, "Salvo das águas" (Êx. 2:10), foi finalmente devolvido a ela. Assim que chegou o tempo natural para o desmame da criança, ele foi transferido da humilde morada de seu pai para o palácio real, onde foi criado como filho adotivo da princesa, provavelmente acompanhado por sua mãe, que ainda cuidava dele. Ele cresceu em meio a toda a grandiosidade e agitação da corte egípcia, mantendo, porém, provavelmente uma comunhão constante com sua mãe, o que era de suma importância para a sua crença religiosa e seu interesse por seus "irmãos". Sua educação, sem dúvida, teria sido cuidadosamente supervisionada, e ele teria desfrutado de todas as vantagens de treinamento, tanto para o seu corpo quanto para a sua mente. Por fim, tornou-se "douto em toda a sabedoria dos egípcios" (Atos 7:22). O Egito possuía, então, dois principais centros de ensino, ou universidades, em um dos quais, provavelmente o de Heliópolis, sua educação foi concluída. Moisés, tendo agora cerca de vinte anos de idade, passou mais de vinte anos antes de ganhar destaque na história bíblica. Esses vinte anos foram provavelmente dedicados ao serviço militar. Há uma tradição registrada por Josefo de que ele assumiu a liderança na guerra que era então travada entre o Egito e a Etiópia, na qual ganhou renome como um general habilidoso e tornou-se "poderoso em obras" (Atos 7:22). Após o término da guerra na Etiópia, Moisés retornou à corte egípcia, onde poderia razoavelmente esperar ser agraciado com honras e enriquecido com riquezas. Mas "sob a corrente suave de sua vida até então, uma vida de alternância entre o luxo na corte e a dureza comparativa no acampamento e no cumprimento de seus deveres militares, pairava, da infância à juventude, e da juventude à maturidade, um descontentamento secreto, talvez uma ambição secreta". Moisés, em meio a todo o seu entorno egípcio, jamais esquecera, jamais desejara esquecer, que era hebreu. Ele resolveu agora familiarizar-se com a condição de seus compatriotas, e "saiu aos seus irmãos e atentou para as suas cargas" (Êx 2:11). Esta turnê de inspeção revelou-lhe a cruel opressão e a escravidão sob as quais eles gemiam em toda parte, e não poderia deixar de impor-lhe a séria consideração de seu dever para com eles. Chegara o momento de ele se unir a eles em causa comum, para que pudesse, assim, ajudar a quebrar o jugo da escravidão. Ele fez sua escolha consequentemente (Hb 11:25-27), certo de que Deus abençoaria sua resolução em prol do bem-estar de seu povo. Ele deixou então o palácio do rei e estabeleceu sua morada, provavelmente na casa de seu pai, como um dos membros do povo hebreu que, por quarenta anos, vinha sofrendo cruéis injustiças nas mãos dos egípcios. Ele não podia permanecer indiferente ao estado das coisas ao seu redor e, saindo um dia ao encontro do povo, sua indignação foi despertada contra um egípcio que maltratava um hebreu. Impulsivamente, ele levantou a mão e matou o egípcio, escondendo seu corpo na areia. No dia seguinte, saiu novamente e encontrou dois hebreus brigando entre si. Rapidamente descobriu que o ato do dia anterior era de conhecimento geral. Chegou aos ouvidos do Faraó (o "grande Ramsés", Ramsés II), que "procurou matar Moisés" (Êx 2:15). Movido pelo medo, Moisés fugiu do Egito e dirigiu-se à terra de Midiã, a parte sul da península do Sinai, provavelmente seguindo quase a mesma rota pela qual, quarenta anos depois, conduziria os israelitas ao Sinai. Ele foi providencialmente conduzido a encontrar um novo lar com a família de Reuel, onde permaneceu por quarenta anos (Atos 7:30), sendo inconscientemente treinado para a grande obra de sua vida. De repente, o anjo do Senhor apareceu a ele na sarça ardente (Êx. 3) e o comissionou a descer ao Egito e "tirar os filhos de Israel" da escravidão. A princípio, ele não quis ir, mas, por fim, obedeceu à visão celestial e deixou a terra de Midiã (4:18-26). No caminho, ele foi encontrado por Arão (q.v.) e pelos anciãos de Israel (27-31). Ele e Arão tinham uma tarefa árdua diante de si; mas o Senhor estava com eles (cap. 7-12), e a multidão resgatada partiu em triunfo. (Veja ÊXODO.) Após uma jornada repleta de acontecimentos de um lado para o outro no deserto, vemo-los, finalmente, acampados nas planícies de Moabe, prontos para atravessar o Jordão rumo à Terra Prometida. Ali, Moisés dirigiu-se aos anciãos reunidos (Deut. 1:1-4; 5:1-26:19; 27:11-30:20) e deu ao povo seus últimos conselhos, e então recitou o grande cântico (Deut. 32), revestindo em palavras adequadas as profundas emoções de seu coração em tal momento, e em retrospectiva a uma história tão maravilhosa quanto aquela na qual ele desempenhara um papel tão conspícuo. Então, após abençoar as tribos (33), ele sobe ao "monte Nebo (q.v.), ao topo do Pisga, que está defronte a Jericó" (34:1), e dali contempla a terra. "Jeová mostrou-lhe toda a terra de Gileade, até Dã, e todo o Naftali, e a terra de Efraim, e Manassés, e toda a terra de Judá, até o mar mais distante, e o sul, e a planície do vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Zoar" (Deut. 34:2-3), a magnífica herança das tribos das quais ele fora, por tanto tempo, o líder; e ali morreu, contando cento e vinte anos de idade, conforme a palavra do Senhor, e foi sepultado pelo Senhor "num vale na terra de Moabe, defronte a Bete-Peor" (34:6). O povo lamentou por ele durante trinta dias. Assim morreu "Moisés, o homem de Deus" (Dt 33:1; Js 14:6). Ele se distinguiu por sua mansidão, paciência e firmeza, e "perseverou como vendo aquele que é invisível". "Não surgiu em Israel profeta algum como Moisés, a quem o Senhor conheceu face a face, em todos os sinais e prodígios que o Senhor o enviou a fazer na terra do Egito, a Faraó e a todos os seus servos, e a toda a sua terra, e em toda aquela mão poderosa, e em todo o grande terror que Moisés manifestou diante de todo o Israel" (Dt 34:10-12). O nome de Moisés ocorre frequentemente nos Salmos e nos Profetas como o principal dos profetas. No Novo Testamento, ele é referido como o representante da lei e como um tipo de Cristo (Jo 1:17; 2 Co 3:13-18; Hb 3:5, 6). Moisés é a única personagem no Antigo Testamento a quem Cristo se assemelha (Jo 5:46; cf. Dt 18:15, 18, 19; At 7:37). Em Hb 3:1-19, essa semelhança com Moisés é exposta em vários detalhes. Em Judas 1:9, faz-se menção a uma contenda entre Miguel e o diabo a respeito do corpo de Moisés. Supõe-se que essa disputa tenha tido referência ao ocultamento do corpo de Moisés, a fim de evitar a idolatria....
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Abraão
Pai de uma multidão, filho de Terá, mencionado (Gên. 11:27) antes de seus irmãos mais velhos, Naor e Harã, por ser o herdeiro das promessas. Até os setenta anos, Abrão habitou entre seus parentes em sua terra natal, a Caldeia. Então, com seu pai, sua família e seus servos, deixou a cidade de Ur, na qual habitara até então, e dirigiu-se cerca de 300 milhas ao norte, para Harã, onde permaneceu por quinze anos. A causa de sua migração foi um chamado de Deus (Atos 7:2-4). Não há menção a este primeiro chamado no Antigo Testamento; ele está implícito, contudo, em Gên. 12. Enquanto permaneciam em Harã, Terá morreu aos 205 anos. Abrão recebeu agora um segundo chamado, mais definido, acompanhado de uma promessa de Deus (Gên. 12:1, 2); após o qual partiu, levando consigo seu sobrinho Ló, "não sabendo para onde ia" (Heb. 11:8). Ele confiou implicitamente na guia Daquele que o havia chamado. Abrão agora, com uma grande casa de provavelmente mil almas, iniciou uma vida migratória e habitou em tendas. Passando pelo vale do Jaboque, na terra de Canaã, ele estabeleceu seu primeiro acampamento em Siquém (Gên. 12:6), no vale ou carvalhal de More, entre Ebal ao norte e Gerizim ao sul. Aqui ele recebeu a grande promessa: "Farei de ti uma grande nação", etc. (Gên. 12:2, 3, 7). Esta promessa compreendia não apenas bênçãos temporais, mas também espirituais. Implicava que ele era o ancestral escolhido do grande Libertador, cuja vinda havia sido prevista há muito tempo (Gên. 3:15). Logo depois disso, por alguma razão não mencionada, ele mudou sua tenda para o distrito montanhoso entre Betel, então chamada Luz, e Ai, cidades situadas a cerca de duas milhas de distância, onde construiu um altar ao "Jeová". Ele mudou-se novamente para a região sul da Palestina, chamada pelos hebreus de Negebe; e foi, finalmente, devido a uma fome, compelido a descer ao Egito. Isso ocorreu na época dos Hicsos, uma raça semita que então mantinha os egípcios em servidão. Aqui ocorreu aquele caso de engano por parte de Abrão, que o expôs à repreensão de Faraó (Gên. 12:18). Sarai lhe foi devolvida; e Faraó o carregou de presentes, recomendando-lhe que se retirasse do país. Ele retornou a Canaã mais rico do que quando a deixou, "em gado, em prata e em ouro" (Gên. 12:8; 13:2. Comp. Sl. 105:13, 14). Todo o grupo moveu-se então para o norte e retornou à sua estação anterior, perto de Betel. Aqui surgiram disputas entre os pastores de Ló e os de Abrão a respeito de água e pastagens. Abrão generosamente deu a Ló a escolha do terreno de pastagem. (Comp. 1 Cor. 6:7.) Ele escolheu a planície bem regada onde Sodoma estava situada e mudou-se para lá; e assim o tio e o sobrinho separaram-se. Imediatamente após isso, Abrão foi encorajado por uma repetição das promessas que já lhe haviam sido feitas, e então mudou-se para a planície ou "carvalhal" de Manre, que fica em Hebrom. Ele finalmente estabeleceu-se aqui, armando sua tenda sob um famoso carvalho ou terebinto, chamado "o carvalho de Manre" (Gên. 13:18). Este foi o seu terceiro lugar de repouso na terra. Cerca de quatorze anos antes disso, enquanto Abrão ainda estava na Caldeia, a Palestina fora invadida por Quedorlaomer, rei de Elão, que submeteu ao tributo as cinco cidades da planície para as quais Ló havia se mudado. Esse tributo foi sentido pelos habitantes dessas cidades como um fardo pesado e, após doze anos, eles se revoltaram. Isso trouxe sobre eles a vingança de Quedorlaomer, que tinha em liga consigo outros quatro reis. Ele devastou todo o país, saqueando as cidades e levando os habitantes como escravos. Entre os assim tratados estava Ló. Ao saber do desastre que havia caído sobre seu sobrinho, Abrão reuniu imediatamente de sua própria casa um grupo de 318 homens armados e, juntando-se a ele os chefes amorreus Manre, Aner e Escol, perseguiu Quedorlaomer e o alcançou perto das fontes do Jordão. Eles atacaram e derrotaram seu exército, perseguindo-o pela cordilheira do Antilíbano até Hobá, perto de Damasco, e então retornaram, trazendo de volta todos os despojos que haviam sido levados. Retornando pelo caminho de Salém, isto é, Jerusalém, o rei daquele lugar, Melquisedeque, saiu ao encontro deles com refrescos. A ele, Abrão apresentou o dízimo dos despojos, em reconhecimento ao seu caráter como sacerdote do Deus Altíssimo (Gên. 14:18-20). Em uma tabuleta recentemente descoberta, datada do reinado do avô de Amraphel (Gên. 14:1), uma das testemunhas é chamada de "o amorita, filho de Abiramu", ou Abrão. Tendo retornado ao seu lar em Mamre, as promessas já lhe feitas por Deus foram repetidas e ampliadas (Gên. 13:14). "A palavra do Senhor" (expressão que ocorre aqui pela primeira vez) "veio a ele" (15:1). Ele agora compreendia melhor o futuro que se estendia diante da nação que dele deveria derivar. Sarai, agora com setenta e cinco anos, em sua impaciência, persuadiu Abrão a tomar Agar, sua serva egípcia, como concubina, pretendendo que qualquer filho que pudesse nascer fosse considerado como seu. Ismael foi, consequentemente, assim criado, e era considerado o herdeiro dessas promessas (Gên. 16). Quando Ismael tinha treze anos, Deus revelou novamente, de forma ainda mais explícita e plena, o Seu propósito gracioso; e, como sinal do cumprimento certo desse propósito, o nome do patriarca foi agora alterado de Abrão para Abraão (Gên. 17:4, 5), e o rito da circuncisão foi instituído como sinal da aliança. Anunciou-se então que o herdeiro dessas promessas da aliança seria o filho de Sarai, embora ela tivesse agora noventa anos; e foi determinado que seu nome fosse Isaque. Ao mesmo tempo, em comemoração às promessas, o nome de Sarai foi alterado para Sara. Naquele dia memorável em que Deus assim revelou o Seu desígnio, Abraão, seu filho Ismael e todos os homens de sua casa foram circuncidados (Gên. 17). Três meses depois disso, enquanto Abraão estava sentado à porta de sua tenda, viu três homens se aproximando. Eles aceitaram a hospitalidade oferecida e, sentados sob um carvalho, participaram do alimento que Abraão e Sara providenciaram. Um dos três visitantes não era outro senão o Senhor, e os outros dois eram anjos sob a aparência de homens. O Senhor renovou, nesta ocasião, Sua promessa de um filho por meio de Sara, que foi repreendida por sua incredulidade. Abraão acompanhou os três enquanto eles prosseguiam em sua jornada. Os dois anjos seguiram em direção a Sodoma; enquanto o Senhor permaneceu para trás e conversou com Abraão, revelando-lhe a destruição que estava prestes a cair sobre aquela cidade culpada. O patriarca intercedeu fervorosamente em favor da cidade condenada. Mas, como nem sequer dez pessoas justas foram encontradas nela, por causa das quais a cidade teria sido poupada, a destruição ameaçada caiu sobre ela; e, logo na manhã seguinte, Abraão viu a fumaça do fogo que a consumiu como a "fumaça de uma fornalha" (Gên. 19:1-28). Após quinze anos de residência em Mamre, Abraão moveu-se para o sul e armou sua tenda entre os filisteus, próximo a Gerar. Aqui ocorreu aquele triste exemplo de prevaricação de sua parte em sua relação com Abimeleque, o Rei (Gên. 20). (Veja ABIMELEQUE.) Logo após este evento, o patriarca deixou as proximidades de Gerar e deslocou-se pelo vale fértil, cerca de 25 milhas, até Berseba. Foi provavelmente aqui que Isaque nasceu, tendo Abraão agora cem anos de idade. Um sentimento de ciúme surgiu então entre Sara e Agar, cujo filho, Ismael, não deveria mais ser considerado o herdeiro de Abraão. Sara insistiu que tanto Agar quanto seu filho fossem expulsos. Isso foi feito, embora tenha sido uma provação difícil para Abraão (Gên. 21:12). (Veja AGAR; ISMAEL.) Neste ponto, há uma lacuna de talvez vinte e cinco anos na história do patriarca. Esses anos de paz e felicidade foram passados em Berseba. A próxima vez que o vemos, sua fé é submetida a um teste severo pelo comando que subitamente lhe veio para ir e oferecer Isaque, o herdeiro de todas as promessas, como sacrifício em um dos montes de Moriá. Sua fé resistiu ao teste (Hb 11:17-19). Ele procedeu em um espírito de obediência imediata para cumprir a ordem; e, quando estava prestes a matar seu filho, a quem havia colocado sobre o altar, sua mão erguida foi detida pelo anjo de Jeová, e um carneiro, que estava preso em um matagal próximo, foi agarrado e oferecido em seu lugar. Devido a essa circunstância, aquele lugar foi chamado Jeová-Jiré, isto é, "O Senhor proverá". As promessas feitas a Abraão foram novamente confirmadas (e esta foi a última palavra registrada de Deus ao patriarca); e ele desceu do monte com seu filho e retornou para sua casa em Berseba (Gn 22:19), onde residiu por alguns anos e, depois, mudou-se para o norte, para Hebrom. Alguns anos depois disso, Sara morreu em Hebrom, aos 127 anos de idade. Abraão adquiriu agora a necessária posse de um lugar de sepultamento, a caverna de Macpela, mediante compra do seu proprietário, Efrom, o hitita (Gên. 23); e ali ele sepultou Sara. Sua preocupação seguinte foi providenciar uma esposa para Isaque e, para esse propósito, enviou seu administrador, Eliezer, a Harã (ou Carrã, Atos 7:2), onde residiam seu irmão Naor e sua família (Gên. 11:31). O resultado foi que Rebeca, filha de Betuel, filho de Naor, tornou-se a esposa de Isaque (Gên. 24). Abraão, então, tomou para si como esposa Quetura, que se tornou a mãe de seis filhos, cujos descendentes foram posteriormente conhecidos como os "filhos do oriente" (Jzg. 6:3), e mais tarde como "sarracenos". Finalmente, todas as suas peregrinações chegaram ao fim. Aos 175 anos de idade, 100 anos depois de ter entrado pela primeira vez na terra de Canaã, ele morreu e foi sepultado no antigo lugar de sepultamento da família em Macpela (Gên. 25:7-10). A história de Abraão causou uma ampla e profunda impressão no mundo antigo, e referências a ela estão entrelaçadas nas tradições religiosas de quase todas as nações orientais. Ele é chamado de "o amigo de Deus" (Tiago 2:23), "Abraão fiel" (Gál. 3:9), "o pai de todos nós" (Rom. 4:16)....
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