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Quem Foi o Apóstolo Paulo? De Perseguidor a Maior Missionário

A história completa do apóstolo Paulo: conversão na estrada de Damasco, viagens missionárias, prisões, cartas e o impacto que transformou o mundo. Estudo bíblico com aplicação prática.

24 de março de 2026Equipe A Seara· 13 min leitura
Quem Foi o Apóstolo Paulo? De Perseguidor a Maior Missionário
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Quem Foi o Apóstolo Paulo?

Paulo é, depois de Jesus, a pessoa mais influente da história do cristianismo. Autor de 13 epístolas do Novo Testamento, plantador de igrejas em três continentes, teólogo que definiu os fundamentos da fé cristã — e tudo isso feito por um homem que começou sua carreira perseguindo e matando cristãos.

A conversão de Paulo não é apenas inspiradora. É escandalosa. O maior inimigo da Igreja tornou-se seu maior defensor. O assassino de Estêvão tornou-se o missionário que levou o evangelho até Roma. O fariseu que desprezava gentios tornou-se o "apóstolo dos gentios." Se a graça de Deus pode transformar Saulo de Tarso, ela pode transformar qualquer um.

"Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé."2 Timóteo 4:7 (ARA)


Saulo de Tarso: O Homem Antes da Graça

A Formação Perfeita

Paulo não era um ignorante religioso que precisou ser "educado". Ele era a elite da elite — e faz questão de listar seu currículo:

"Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja; segundo a justiça que há na lei, irrepreensível."Filipenses 3:5-6

Credencial Significado
Cidadão romano Nascido em Tarso, cidade universitária — aristocracia imperial
Fariseu filho de fariseu Aristocracia religiosa judaica
Discípulo de Gamaliel O maior mestre rabínico da geração (Atos 22:3)
Tribo de Benjamim A tribo mais leal — do primeiro rei, Saul
"Hebreu de hebreus" Família que manteve a língua e cultura mesmo na diáspora
Zeloso perseguidor Não era passivo — era violentamente ativo contra Cristo

Paulo tinha tudo que o mundo religioso valoriza. E foi exatamente isso que ele descartou como "refugo" (skybala — literalmente "lixo", "esterco") para ganhar a Cristo (Filipenses 3:8). O homem que tinha o melhor currículo do judaísmo jogou tudo fora, porque encontrou algo infinitamente melhor.

Aplicação prática: Suas conquistas, títulos e reputação podem ser suas maiores barreiras para conhecer a graça. Quando o orgulho espiritual é grande, a necessidade de Deus parece pequena. Paulo abandonou tudo — e recebeu tudo.


A Estrada de Damasco: O Dia em que Tudo Mudou

O Encontro

Lucas narra a conversão de Paulo três vezes em Atos (capítulos 9, 22 e 26) — um sinal de que este é um dos eventos mais importantes do Novo Testamento. Paulo cavalgava para Damasco com cartas de autorização para prender cristãos quando:

"Subitamente o cercou um resplendor de luz do céu; e, caindo por terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?"Atos 9:3-4

Três elementos transformadores:

  1. "Por que ME persegues?" — Não "por que persegues meus seguidores", mas "por que persegues a mim". Jesus se identifica tão completamente com Sua Igreja que perseguir um cristão é perseguir o próprio Cristo. Essa revelação demoliu a teologia de Paulo em um segundo.

  2. "Quem és Tu, Senhor?" — O perseguidor que achava que conhecia Deus descobriu que não sabia nada. A verdadeira conversão sempre começa com a pergunta: "Quem és Tu, Senhor?" — não com respostas, mas com rendição.

  3. Cegueira física — Paulo ficou cego por três dias. O homem que achava que enxergava tudo descobriu que era cego. É uma parábola viva: só quem reconhece sua cegueira espiritual recebe visão verdadeira.

Ananias e a Coragem da Obediência

Deus enviou um discípulo chamado Ananias para curar Paulo. A resposta de Ananias é perfeitamente humana: "Senhor, eu ouvi muitos falarem deste homem, quantos males fez aos teus santos em Jerusalém" (Atos 9:13). Em outras palavras: "Senhor, tem certeza?"

Deus insistiu. Ananias foi. E pronunciou duas palavras que mudariam a história: "Irmão Saulo..." — o perseguidor era agora irmão. A graça é assim: transforma inimigos em família.

Aplicação prática: Existe algum "Saulo" na sua vida — alguém que você considera irreversível, impossível de converter, longe demais da graça? A história de Paulo grita: não existe caso perdido para Deus.


As Viagens Missionárias: O Homem que Mudou o Mapa

Paulo realizou quatro grandes viagens missionárias em aproximadamente 15 anos, percorrendo mais de 16.000 quilômetros — a maioria a pé ou em navios precários. Ele plantou igrejas em cidades estratégicas do Império Romano:

Viagem Período Rota Principal Igrejas Plantadas
~47-49 d.C. Chipre → Ásia Menor Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra, Derbe
~50-52 d.C. Ásia Menor → Grécia Filipos, Tessalônica, Bereia, Corinto
~53-57 d.C. Éfeso (3 anos) + revisita Éfeso (centro de operações)
~59-62 d.C. Prisioneiro → Roma Testemunho ante César

A estratégia de Paulo não era aleatória. Ele mirava centros urbanos estratégicos — cidades com portos, estradas romanas e sinagogas. Plantava a igreja, formava líderes locais, e seguia em frente. Depois, mantinha a conexão por cartas — que se tornaram livros da Bíblia.

O Preço da Missão

O ministério de Paulo não foi um reality show de sucesso. Ele descreve o custo real:

"Cinco vezes recebi dos judeus quarenta açoites menos um. Três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um dia passei no abismo."2 Coríntios 11:24-25

E continua: fome, sede, frio, nudez, perigos de ladrões, perigos de compatriotas, perigos de gentios, perigos na cidade, no deserto, no mar e entre falsos irmãos (v. 26-27).

Paulo não pregava prosperidade. Pregava cruz. E vivia o que pregava.


As Cartas que Mudaram o Mundo

Paulo escreveu 13 epístolas que formam quase metade do Novo Testamento. Cada carta responde a uma necessidade pastoral específica:

Carta Tema Central Por que importa hoje
Romanos O evangelho da graça completo A carta mais importante da teologia cristã
1-2 Coríntios Problemas reais na igreja real Manual para lidar com divisão, imoralidade e dons
Gálatas Liberdade vs. legalismo Crucificar a carne e viver no Espírito
Efésios A identidade da Igreja Quem somos em Cristo
Filipenses Alegria em meio ao sofrimento Paulo escreveu da prisão
Colossenses A supremacia de Cristo Contra heresias que diminuem Jesus
1-2 Tessalonicenses A segunda vinda de Cristo Escatologia prática
1-2 Timóteo Formação de líderes Manual pastoral até hoje
Tito Ordem na igreja Igreja saudável em cultura pagã
Filemom Perdão e restituição Como o evangelho muda relações de poder

O Teólogo que Era Pastor

O que torna Paulo único é que ele nunca foi um teólogo de gabinete. Cada frase teológica nasceu de uma situação pastoral concreta. Romanos não é um tratado abstrato — é a resposta à tensão entre judeus e gentios na igreja de Roma. Gálatas não é filosofia — é um grito urgente contra falsos mestres que estavam sequestrando crentes jovens.

A teologia de Paulo é sangue, suor e lágrimas. É a verdade de Deus processada no fogo da experiência real — e por isso ressoa com poder até hoje.


Paulo e o Espírito Santo

Na perspectiva pentecostal e assembleiana, Paulo é um dos maiores testemunhos da ação do Espírito Santo na missão da Igreja.

  • Foi cheio do Espírito imediatamente após sua conversão (Atos 9:17)
  • Falava em línguas mais do que todos os coríntios (1 Coríntios 14:18)
  • Defendeu os dons espirituais contra o cessacionismo e contra o abuso (1 Coríntios 12-14)
  • Ensinou o fruto do Espírito como evidência da vida transformada (Gálatas 5:22-23)
  • Operou milagres pelo poder do Espírito — curas, sinais, prodígios (Romanos 15:19)

Paulo combateu dois extremos: os que negavam os dons (cessacionismo incipiente) e os que abusavam dos dons (desordem carismática em Corinto). Sua posição é equilibrada e normativa: "Procurai com zelo os dons espirituais" (1 Coríntios 14:1) e "tudo se faça com decência e ordem" (1 Coríntios 14:40).


O Espinho na Carne

Uma das passagens mais misteriosas é 2 Coríntios 12:7-10. Paulo descreve um "espinho na carne" — um sofrimento crônico — que ele pediu três vezes para Deus remover. A resposta divina foi:

"A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza."2 Coríntios 12:9

Paulo não explica o que era o espinho. As teorias incluem problemas de visão (Gálatas 4:15; 6:11), uma doença crônica, ou oposição espiritual persistente. O que importa não é o que era — é o que Deus fez com ele.

Deus não removeu o espinho. Em vez disso, ensinou Paulo que a fraqueza reconhecida é o canal do poder divino. É por isso que Paulo conclui: "Quando sou fraco, então sou forte" (2 Coríntios 12:10).

Aplicação prática: Você tem um "espinho na carne" — algo que pediu a Deus para remover e Ele não removeu? Não interprete o silêncio como rejeição. Pode ser que Deus esteja dizendo: "Minha graça é suficiente para isso. E meu poder será mais visível na sua fraqueza do que na sua força."


O Final: Tocha Acesa, Corrida Terminada

Paulo morreu martirizado em Roma, provavelmente por volta de 67 d.C., decapitado por ordem de Nero. Suas últimas palavras escritas, na segunda carta a Timóteo, são de uma serenidade que só pode vir de alguém que viveu o que pregou:

"Já estou sendo oferecido por libação, e o tempo da minha partida é chegado. Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada."2 Timóteo 4:6-8

Do perseguidor ao mártir. Da estrada de Damasco à espada de Nero. Do orgulho farisaico à humildade que diz "o menor dos apóstolos." A vida de Paulo é a demonstração mais radical de que ninguém está longe demais da graça — e de que a graça, quando recebida, transforma tudo.


FAQ

Paulo era o mesmo que Saulo? Sim. "Saulo" é seu nome hebraico (em homenagem ao rei Saul, da mesma tribo de Benjamim). "Paulo" (Paulus) é seu nome romano — como cidadão romano, ele possuía os dois. Lucas começa a usar "Paulo" a partir de Atos 13:9, quando o ministério se volta predominantemente aos gentios.

Paulo foi casado? A questão é debatida. Em 1 Coríntios 7:8 ele se inclui entre os "não casados", mas muitos estudiosos acreditam que ele era viúvo, pois para ser membro do Sinédrio (como sugere Atos 26:10) o casamento era normalmente exigido.

Quantas cartas Paulo escreveu? O Novo Testamento contém 13 epístolas paulinas (Romanos a Filemom). A autoria de Hebreus é debatida — a tradição ocidental geralmente não a atribui a Paulo, embora a tradição oriental (e algumas correntes pentecostais) considere essa possibilidade. É provável que Paulo tenha escrito outras cartas que não sobreviveram (cf. 1 Coríntios 5:9; Colossenses 4:16).

Paulo fundou a igreja de Roma? Não. A igreja de Roma já existia antes da chegada de Paulo. Provavelmente foi fundada por judeus convertidos no dia de Pentecostes (Atos 2:10 menciona "romanos residentes") que retornaram a Roma e começaram a se reunir. Paulo escreveu Romanos justamente para se apresentar a uma igreja que não conhecia pessoalmente.


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Paulo
=Saulo (q.v.) nasceu aproximadamente na mesma época que nosso Senhor. Seu nome de circuncisão era Saulo, e provavelmente o nome Paulo também lhe foi dado na infância "para uso no mundo gentio", visto que "Saulo" seria seu nome doméstico hebraico. Ele era natural de Tarso, a capital da Cilícia, uma província romana no sudeste da Ásia Menor. Essa cidade situava-se às margens do rio Cidno, que era navegável até aquele ponto; por conseguinte, tornou-se um centro de amplo tráfego comercial com muitos países ao longo das costas do Mediterrâneo, bem como com os países da Ásia Menor central. Tornou-se, assim, uma cidade distinta pela riqueza de seus habitantes. Tarso era também a sede de uma famosa universidade, de reputação superior até mesmo à das universidades de Atenas e Alexandria, as únicas outras que existiam na época. Aqui nasceu Saulo, e aqui passou sua juventude, sem dúvida desfrutando da melhor educação que sua cidade natal poderia proporcionar. Seu pai pertencia à seita mais rigorosa dos judeus, um fariseu, da tribo de Benjamim, de sangue judeu puro e não misturado (Atos 23:6; Fl 3:5). Nada sabemos a respeito de sua mãe; mas há razões para concluir que ela era uma mulher piedosa e que, em sintonia com seu marido, exerceu toda a influência materna na moldagem do caráter de seu filho, de modo que ele pudesse, posteriormente, falar de si mesmo como sendo, desde a sua juventude, "quanto à justiça que há na lei, irrepreensível" (Fl 3:6). Lemos sobre sua irmã e o filho de sua irmã (Atos 23:16), e sobre outros parentes (Rm 16:7, 11, 12). Embora fosse judeu, seu pai era cidadão romano. Não somos informados sobre como ele obteve esse privilégio. "Poderia ter sido comprado, ou conquistado por serviços distintos ao Estado, ou adquirido de diversas outras formas; de qualquer modo, seu filho nasceu livre. Era um privilégio valioso, e um que viria a ser de grande utilidade para Paulo, embora não da maneira que se poderia esperar que seu pai desejasse que ele o utilizasse." Talvez a carreira mais natural para o jovem seguir fosse a de mercador. "Mas decidiu-se que... ele deveria ir para a faculdade e tornar-se um rabino, isto é, um ministro, um professor e um advogado, tudo em um só." De acordo com o costume judaico, porém, ele aprendeu um ofício antes de ingressar na preparação mais direta para a profissão sagrada. O ofício que adquiriu foi a fabricação de tendas de tecido de pelo de cabra, um ofício que era um dos mais comuns em Tarso. Concluída a sua educação preliminar, Saulo foi enviado, provavelmente por volta dos treze anos de idade, à grande escola judaica de aprendizado sagrado em Jerusalém como estudante da lei. Ali, tornou-se pupilo do célebre rabino Gamaliel, e ali passou muitos anos em um estudo aprofundado das Escrituras e das diversas questões concernentes a elas, com as quais os rabinos se dedicavam. Durante esses anos de estudo diligente, viveu "em toda a boa consciência", não maculado pelos vícios daquela grande cidade. Após o término do seu período de vida estudantil, provavelmente deixou Jerusalém rumo a Tarso, onde pode ter estado vinculado a alguma sinagoga por alguns anos. Mas nós o encontramos de volta a Jerusalém logo após a morte de nosso Senhor. Ali, ele tomou conhecimento dos detalhes referentes à crucificação e ao surgimento da nova seita dos "Nazarenos". Por cerca de dois anos após o Pentecostes, o cristianismo espalhava silenciosamente sua influência em Jerusalém. Com o tempo, Estêvão, um dos sete diáconos, proferiu um testemunho mais público e agressivo de que Jesus era o Messias, e isso levou a muita agitação entre os judeus e a muitas disputas em suas sinagogas. Surgiu a perseguição contra Estêvão e os seguidores de Cristo em geral, na qual Saulo de Tarso desempenhou um papel proeminente. Ele era, nessa época, provavelmente membro do grande Sinédrio, e tornou-se o líder ativo na furiosa perseguição por meio da qual os governantes então buscaram exterminar o cristianismo. Mas o objetivo desta perseguição também fracassou. “Os que foram dispersos foram por toda parte pregando a palavra”. A ira do perseguidor foi, assim, inflamada em uma chama ainda mais feroz. Ao saber que fugitivos haviam buscado refúgio em Damasco, ele obteve do sumo sacerdote cartas que o autorizavam a prosseguir para lá em sua carreira de perseguição. Esta era uma longa jornada de cerca de 130 milhas, que levaria talvez seis dias, durante os quais, com seus poucos acompanhantes, ele avançou firmemente, “respirando ameaças e morte”. Mas a crise de sua vida estava próxima. Ele havia alcançado a última etapa de sua jornada e estava à vista de Damasco. Enquanto ele e seus companheiros cavalgavam, subitamente, ao meio-dia, uma luz brilhante resplandeceu ao redor deles, e Saulo caiu prostrado em terror ao chão, com uma voz ecoando em seus ouvidos: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. O Salvador ressuscitado estava ali, revestido com as vestes de sua humanidade glorificada. Em resposta à indagação ansiosa do perseguidor abatido, “Quem és tu, Senhor?”, ele disse: “Eu sou Jesus, a quem tu persegues” (Atos 9:5; 22:8; 26:15). Este foi o momento de sua conversão, o mais solene de toda a sua vida. Cegado pela luz deslumbrante (Atos 9:8), seus companheiros o conduziram à cidade, onde, absorto em profundos pensamentos por três dias, não comeu nem bebeu (9:11). Ananias, um discípulo que vivia em Damasco, foi informado por meio de uma visão sobre a mudança que ocorrera com Saulo, e foi enviado a ele para abrir seus olhos e admiti-lo, por meio do batismo, na igreja cristã (9:11-16). Todo o propósito de sua vida estava agora permanentemente alterado. A probabilidade a priori de uma ocorrência é a probabilidade de que o evento ocorra, dado o estado atual do conhecimento. Finalmente, a cidade de Antioquia, a capital da Síria, tornou-se o cenário de grande atividade cristã. Ali, o evangelho estabeleceu-se firmemente, e a causa de Cristo prosperou. Barnabé (q.v.), que havia sido enviado de Jerusalém para supervisionar a obra em Antioquia, achou que a tarefa era excessiva para ele e, lembrando-se de Saulo, partiu para Tarso para procurá-lo. Este respondeu prontamente ao chamado que lhe foi dirigido e desceu a Antioquia, que por "um ano inteiro" tornou-se o cenário de seus labores, os quais foram coroados com grande sucesso. Os discípulos agora, pela primeira vez, foram chamados de "cristãos" (Atos 11:26). A igreja em Antioquia propôs agora enviar missionários aos gentios, e Saulo e Barnabé, com João Marcos como seu assistente, foram escolhidos para esta obra. Esta foi uma grande época na história da igreja. Agora, os discípulos começaram a dar efeito ao comando do Mestre: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura". Os três missionários partiram para a primeira viagem missionária. Navegaram de Seleucia, o porto de Antioquia, atravessando para Chipre, a cerca de 80 milhas a sudoeste. Ali, em Pafos, Sérgio Paulo, o procônsul romano, converteu-se, e agora Saulo assumiu a liderança, passando a ser chamado de Paulo a partir de então. Os missionários atravessaram então para o continente e seguiram por 6 ou 7 milhas rio acima, pelo rio Cestro, até Perge (Atos 13:13), onde João Marcos abandonou a obra e retornou a Jerusalém. Os dois prosseguiram então por cerca de 100 milhas terra adentro, passando pela Panfília, Pisídia e Licônia. As cidades mencionadas nesta viagem são a Antioquia da Pisídia, onde Paulo proferiu seu primeiro discurso do qual temos registro (13:16-51; cf. 10:30-43), Icônio, Listra e Derbe. Retornaram pela mesma rota para visitar e encorajar os convertidos que haviam conquistado, e para ordenar presbíteros em cada cidade para zelarem pelas igrejas que haviam sido estabelecidas. De Perge, navegaram diretamente para Antioquia, de onde haviam partido. Após permanecer "um longo tempo", provavelmente até 50 ou 51 d.C., em Antioquia, eclodiu na igreja local uma grande controvérsia a respeito da relação dos gentios com a lei mosaica. Com o propósito de obter uma solução para essa questão, Paulo e Barnabé foram enviados como delegados para consultar a igreja em Jerusalém. O concílio ou sínodo ali realizado (Atos 15) decidiu contra a facção judaizante; e os delegados, acompanhados por Judas e Silas, retornaram a Antioquia, trazendo consigo o decreto do concílio. Após um breve descanso em Antioquia, Paulo disse a Barnabé: "Vamos novamente e visitemos nossos irmãos em cada cidade onde pregamos a palavra do Senhor, e vejamos como eles estão". Marcos propôs novamente acompanhá-los; mas Paulo recusou-se a permitir que ele fosse. Barnabé estava determinado a levar Marcos, e assim ele e Paulo tiveram uma forte contenda. Eles se separaram e nunca mais se encontraram. Paulo, entretanto, fala posteriormente com honra de Barnabé, e solicita que Marcos venha a ele em Roma (Col. 4:10; 2 Tim. 4:11). Paulo levou consigo Silas, em vez de Barnabé, e iniciou sua segunda viagem missionária por volta de 51 d.C. Desta vez, ele viajou por terra, revisitando as igrejas que já havia fundado na Ásia. Mas ele ansiava por entrar em "regiões além", e continuou avançando através da Frígia e da Galácia (16:6). Contrariamente à sua intenção, ele foi compelido a demorar-se na Galácia (q.v.), devido a alguma aflição corporal (Gálatas 4:13, 14). A Bitínia, uma província populosa na margem do Mar Negro, estava agora diante dele, e ele desejava entrar nela; mas o caminho estava fechado, o Espírito, de alguma maneira, guiando-o em outra direção, até que ele descesse às margens do Egeu e chegasse a Trôade, na costa noroeste da Ásia Menor (Atos 16:8). Desta longa jornada de Antioquia a Trôade, não temos relato, exceto algumas referências a ela em sua Epístola aos Gálatas (4:13). Enquanto esperava em Trôade por indicações da vontade de Deus quanto aos seus movimentos futuros, ele viu, em uma visão noturna, um homem das margens opostas da Macedônia diante de si, e ouviu-o clamar: "Passa para nós e ajuda-nos" (Atos 16:9). Paulo reconheceu nesta visão uma mensagem do Senhor e, logo no dia seguinte, zarpou através do Helesponto, que o separava da Europa, e levou as novas do evangelho ao mundo ocidental. Na Macedônia, igrejas foram plantadas em Filipos, Tessalônica e Beréia. Deixando esta província, Paulo passou para a Acaia, "o paraíso do gênio e do renome". Ele chegou a Atenas, mas deixou-a após, provavelmente, uma breve estada (17:17-31). Os atenienses o haviam recebido com frio desdém, e ele nunca mais visitou aquela cidade. Ele dirigiu-se a Corinto, a sede do governo romano da Acaia, e permaneceu ali um ano e meio, trabalhando com muito sucesso. Enquanto estava em Corinto, escreveu suas duas epístolas à igreja de Tessalônica, suas primeiras cartas apostólicas, e então navegou para a Síria, para que pudesse chegar a tempo de celebrar a festa de Pentecostes em Jerusalém. Foi acompanhado por Áquila e Priscila, a quem deixou em Éfeso, onde aportou após uma viagem de treze ou quinze dias. Desembarcou em Cesareia e subiu a Jerusalém e, tendo "saudado a igreja" ali e celebrado a festa, partiu para Antioquia, onde permaneceu "algum tempo" (Atos 18:20-23). Ele então iniciou sua terceira viagem missionária. Viajou por terra pelas "costas superiores" (as partes mais orientais) da Ásia Menor e, finalmente, dirigiu-se a Éfeso, onde permaneceu por não menos de três anos, engajado em incessante labor cristão. "Esta cidade era, na época, a Liverpool do Mediterrâneo. Possuía um porto esplêndido, no qual se concentrava o tráfego do mar, que era então a estrada das nações; e assim como Liverpool tem atrás de si as grandes cidades de Lancashire, assim Éfeso tinha atrás e ao seu redor cidades como aquelas mencionadas juntamente com ela nas epístolas às igrejas no livro do Apocalipse: Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia. Era uma cidade de vasta riqueza, e estava entregue a todo tipo de prazer, sendo a fama de seus teatros e do hipódromo mundial" (Vida de São Paulo, de Stalker). Aqui, uma "porta grande e eficaz" foi aberta ao apóstolo. Seus companheiros de labor o auxiliaram em sua obra, levando o evangelho a Colossos, Laodiceia e outros lugares que pudessem alcançar. Pouco antes de sua partida de Éfeso, o apóstolo escreveu sua Primeira Epístola aos Coríntios (v. q.). Os ourives, cujo comércio de pequenas imagens que fabricavam estava em perigo (ver DEMETRIUS), organizaram um motim contra Paulo, e este deixou a cidade e dirigiu-se a Troas (2 Cor. 2:12), de onde, após algum tempo, partiu para encontrar Tito na Macedônia. Ali, em consequência do relato que Tito trouxe de Corinto, ele escreveu sua segunda epístola àquela igreja. Tendo passado provavelmente a maior parte do verão e do outono na Macedônia, visitando as igrejas de lá, especialmente as igrejas de Filipos, Tessalônica e Beréia, provavelmente penetrando no interior, até as margens do Adriático (Rom. 15:19), ele então veio para a Grécia, onde permaneceu três meses, passando provavelmente a maior parte desse tempo em Corinto (Atos 20:2). Durante sua estadia nesta cidade, escreveu sua Epístola aos Gálatas e também a grande Epístola aos Romanos. Ao final dos três meses, deixou a Acaia rumo à Macedônia, cruzando então para a Ásia Menor e, fazendo escala em Mileto, dirigiu-se ali aos presbíteros efésios, a quem havia mandado chamar para encontrá-lo (Atos 20:17), e então navegou para Tiro, chegando finalmente a Jerusalém, provavelmente na primavera do ano 58 d.C. Enquanto estava em Jerusalém, na festa de Pentecostes, ele foi quase assassinado por uma multidão judaica no templo. (Veja TEMPLO, DE HERODES.) Resgatado de tal violência pelo comandante romano, foi conduzido como prisioneiro a Cesareia, onde, por diversas causas, permaneceu detido como prisioneiro por dois anos no pretório de Herodes (Atos 23:35). "Paulo não foi mantido em confinamento rigoroso; ele tinha, ao menos, a extensão dos quartéis nos quais estava detido. Ali podemos imaginá-lo percorrendo as muralhas à beira do Mediterrâneo, e contemplando com anseio as águas azuis na direção da Macedônia, Acaia e Éfeso, onde seus filhos espirituais ansiavam por ele, ou talvez enfrentassem perigos nos quais precisavam desesperadamente de sua presença. Foi uma providência misteriosa que assim deteve suas energias e condenou o ardente obreiro à inatividade; contudo, podemos agora ver a razão para isso. Paulo precisava de descanso. Após vinte anos de evangelização incessante, ele necessitava de lazer para colher a colheita da experiência... Durante esses dois anos ele nada escreveu; foi um tempo de atividade mental interna e progresso silencioso" (Vida de São Paulo, de Stalker). Ao final desses dois anos, Félix (q.v.) foi sucedido no governo da Palestina por Pórcio Festo, diante de quem o apóstolo foi novamente ouvido. Mas, julgando correto, nesta crise, reivindicar o privilégio de cidadão romano, ele apelou ao imperador (Atos 25:11). Tal apelo não poderia ser ignorado, e Paulo foi imediatamente enviado a Roma sob a custódia de um certo Júlio, um centurião da "coorte augusta". Após uma longa e perigosa viagem, ele finalmente alcançou a cidade imperial no início da primavera, provavelmente, do ano 61 d.C. Ali, foi-lhe permitido ocupar sua própria casa alugada, sob constante custódia militar. Este privilégio lhe foi concedido, sem dúvida, por ser cidadão romano e, como tal, não poder ser colocado na prisão sem um julgamento. Os soldados que montavam guarda sobre Paulo eram, naturalmente, substituídos em intervalos frequentes e, assim, ele teve a oportunidade de pregar o evangelho a muitos deles durante esses "dois anos inteiros", com o bendito resultado de disseminar, entre as guardas imperiais e até mesmo na casa de César, um interesse pela verdade (Fl 1:13). Seus aposentos eram frequentados por muitos indagadores ansiosos, tanto judeus quanto gentios (Atos 28:23, 30, 31), e assim sua prisão "resultou, antes, para a progressão do evangelho", e sua "casa alugada" tornou-se o centro de uma influência graciosa que se espalhou por toda a cidade. De acordo com uma tradição judaica, ela situava-se nos limites do moderno Gueto, que tem sido o bairro judeu em Roma desde a época de Pompeu até os dias atuais. Durante este período, o apóstolo escreveu suas epístolas aos Colossenses, Efésios, Filipenses e a Filemom, e provavelmente também aos Hebreus. Esta primeira prisão chegou, finalmente, ao fim, tendo Paulo sido absolvido, provavelmente porque nenhuma testemunha surgiu contra ele. Mais uma vez, ele partiu para seus labores missionários, provavelmente visitando a Europa ocidental e oriental e a Ásia Menor. Durante este período de liberdade, escreveu sua Primeira Epístola a Timóteo e sua Epístola a Tito. O ano de sua libertação foi marcado pelo incêndio de Roma, que Nero julgou conveniente atribuir aos cristãos. Uma perseguição feroz eclodiu agora contra os cristãos. Paulo foi capturado e, mais uma vez, conduzido a Roma como prisioneiro. Durante esta prisão, provavelmente escreveu a Segunda Epístola a Timóteo, a última que jamais escreveria. "Haveria pouca dúvida de que ele compareceu novamente perante o tribunal de Nero e, desta vez, a acusação não foi derrubada. Em toda a história, não existe ilustração mais estarrecedora da ironia da vida humana do que esta cena de Paulo perante o tribunal de Nero. No assento do julgamento, trajado na púrpura imperial, sentava-se um homem que, em um mundo mau, havia alcançado a eminência de ser o pior e mais vil ser nele, um homem manchado por cada crime, um homem cujo ser inteiro estava tão imerso em cada vício nomeável e innomeável, que seu corpo e alma eram, como alguém disse na época, nada mais que um composto de lama e sangue; e no banco dos réus estava o melhor homem que o mundo possuía, seus cabelos embranquecidos pelos labores em prol do bem dos homens e da glória de Deus. O julgamento terminou: Paulo foi condenado e entregue ao carrasco. Foi conduzido para fora da cidade, com uma multidão da ralé mais baixa em seus calcanhares. O local fatal foi alcançado; ele ajoelhou-se ao lado do cepo; o machado do carrasco brilhou ao sol e caiu; e a cabeça do apóstolo do mundo rolou na poeira" (provavelmente 66 d.C.), quatro anos antes da queda de Jerusalém....
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A fé é, em geral, a persuasão da mente de que certa afirmação é verdadeira (Fil. 1:27; 2 Tess. 2:13). Sua ideia primária é a confiança. Algo é verdadeiro e, portanto, digno de confiança. Ela admite muitos graus, até a plena certeza da fé, de acordo com a evidência na qual se baseia. A fé é o resultado do ensino (Rm 10:14-17). O conhecimento é um elemento essencial em toda fé, e às vezes é mencionado como um equivalente à fé (Jo 10:38; 1 Jo 2:3). No entanto, as duas se distinguem neste aspecto: que a fé inclui em si o assentimento, que é um ato da vontade além do ato do entendimento. O assentimento à verdade é da essência da fé, e o fundamento último sobre o qual repousa o nosso assentimento a qualquer verdade revelada é a veracidade de Deus. A fé histórica é a apreensão e o assentimento a certas afirmações que são consideradas meros fatos da história. A fé temporária é aquele estado mental que é despertado nos homens (ex: Félix) pela exposição da verdade e pela influência da simpatia religiosa, ou por aquilo que às vezes é denominado a operação comum do Espírito Santo. A fé salvífica é assim chamada porque tem a vida eterna inseparavelmente conectada a ela. Não pode ser melhor definida do que nas palavras do Breve Catecismo da Assembleia: "A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual recebemos e descansamos somente nele para a salvação, conforme ele nos é oferecido no evangelho." O objeto da fé salvadora é toda a Palavra revelada de Deus. A fé a aceita e nela crê como a verdade mais segura. Mas o ato especial de fé que une a Cristo tem como seu objeto a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo (João 7:38; Atos 16:31). Este é o ato específico de fé pelo qual um pecador é justificado diante de Deus (Rm 3:22, 25; Gl 2:16; Fp 3:9; Jo 3:16-36; At 10:43; 16:31). Neste ato de fé, o crente apropria-se e descansa somente em Cristo como Mediador em todos os seus ofícios. Este assentimento ou crença na verdade recebida mediante o testemunho divino sempre esteve associado a um profundo senso de pecado, a uma visão distinta de Cristo, a uma vontade consentinte e a um coração amoroso, juntamente com a confiança em, o confiar em, ou o repousar em Cristo. É esse estado de espírito no qual um pobre pecador, consciente de seu pecado, foge de si mesmo, culpado, para Cristo, seu Salvador, e lança sobre Ele o fardo de todos os seus pecados. Consiste principalmente, não no assentimento dado ao testemunho de Deus em Sua Palavra, mas em abraçar, com confiança e dependência fiduciais, o único e só Salvador que Deus revela. Esta confiança e dependência são a essência da fé. Pela fé, o crente apropria-se de Cristo, direta e imediatamente, como seu. A fé, em seu ato direto, torna Cristo nosso. Não é uma obra que Deus graciosamente aceite em vez de uma obediência perfeita, mas é apenas a mão com a qual nos agarramos à pessoa e à obra de nosso Redentor como o único fundamento de nossa salvação. A fé salvadora é um ato moral, pois provém de uma vontade renovada, e uma vontade renovada é necessária para o assentimento crente à verdade de Deus (1 Cor. 2:14; 2 Cor. 4:4). A fé, portanto, reside na parte moral de nossa natureza tanto quanto na intelectual. A mente deve primeiro ser iluminada pelo ensino divino (João 6:44; Atos 13:48; 2 Cor. 4:6; Ef. 1:17, 18) antes que possa discernir as coisas do Espírito. A fé é necessária para a nossa salvação (Marcos 16:16), não porque haja nela qualquer mérito, mas simplesmente porque é o pecador ocupando o lugar que lhe foi atribuído por Deus, alinhando-se ao que Deus está fazendo. A garantia ou fundamento da fé é o testemunho divino, não a razoabilidade do que Deus diz, mas o simples fato de que ele o diz. A fé repousa imediatamente sobre: "Assim diz o Senhor". Mas, para que essa fé ocorra, a veracidade, a sinceridade e a verdade de Deus devem ser reconhecidas e apreciadas, juntamente com a sua imutabilidade. A palavra de Deus encoraja e instiga o pecador pessoalmente a tratar com Cristo como dom de Deus, a selar a união com ele, abraçá-lo, entregar-se a Cristo e tomar Cristo como seu. Essa palavra vem com poder, pois é a palavra do Deus que se revelou em suas obras, e especialmente na cruz. Deus deve ser crido por causa de sua palavra, mas também por causa de seu nome. A fé em Cristo assegura ao crente a libertação da condenação, ou a justificação diante de Deus; uma participação na vida que está em Cristo, a vida divina (João 14:19; Rom. 6:4-10; Ef. 4:15, 16, etc.); "paz com Deus" (Rom. 5:1); e a santificação (Atos 26:18; Gál. 5:6; Atos 15:9). Todos os que assim creem em Cristo certamente serão salvos (João 6:37, 40; 10:27, 28; Rom. 8:1). A fé=o evangelho (Atos 6:7; Rom. 1:5; Gál. 1:23; 1 Tim. 3:9; Judas 1:3)....
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