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Quem Foi Abraão? O Pai da Fé na Bíblia

Conheça a história de Abraão na Bíblia: o chamado divino, a aliança, o sacrifício de Isaque, e por que ele é chamado o pai da fé. Um estudo bíblico completo.

17 de março de 2026Equipe A Seara· 11 min leitura
Quem Foi Abraão? O Pai da Fé na Bíblia
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Quem Foi Abraão?

Abraão (originalmente chamado Abrão) é uma das figuras mais importantes de toda a Bíblia e da história da humanidade. Ele é o patriarca do povo de Israel, o ancestral de Jesus Cristo e, acima de tudo, o homem que a Escritura denominou como "amigo de Deus" (Tiago 2:23) e "pai de todos os que creem" (Romanos 4:11).

Sua história está registrada em Gênesis capítulos 11 a 25 e é referenciada mais de 70 vezes no Novo Testamento. Abraão não foi um super-herói sem falhas — ele mentiu, duvidou e tomou decisões precipitadas. Mas sua fé inabalável em Deus, mesmo quando as circunstâncias pareciam impossíveis, o transformou no maior exemplo bíblico de fé genuína.


O Chamado de Deus: Saia da Sua Terra

A história de Abraão começa em Ur dos Caldeus, uma rica e sofisticada cidade-estado da antiga Mesopotâmia (atual Iraque). Ur era um centro de adoração a deuses pagãos, especialmente o deus-lua Sin. Abrão vivia nesse ambiente politeísta quando Deus se revelou a ele de forma soberana e pessoal:

"Ora, disse o Senhor a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, e vai para a terra que te mostrarei. De ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra."Gênesis 12:1-3 (ARA)

Este é um dos momentos mais decisivos da história bíblica. Deus não deu a Abrão um mapa, um GPS ou uma descrição detalhada do destino. O mandamento foi: sai e vai. A fé de Abraão se manifesta na obediência sem mapa. Hebreus 11:8 resume: "Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia."

A Relevância para Hoje

Quantos crentes modernos exigem de Deus um plano completo antes de obedecer? Abraão nos ensina que a fé precede a compreensão. Deus não nos chama para entender tudo primeiro; Ele nos chama para confiar e obedecer — e a clareza vem no caminho.


A Aliança Abraâmica

A aliança que Deus estabeleceu com Abraão é uma das mais significativas de toda a revelação bíblica. Ela foi formalizada em Gênesis 15 e ratificada em Gênesis 17, e contém três promessas fundamentais:

1. Terra (Gênesis 15:18-21)

Deus prometeu a Abraão e seus descendentes uma terra específica — a terra de Canaã (posterior Israel). Na perspectiva dispensacionalista assembleiana, essa promessa ainda possui cumprimento futuro literal: Deus dará a Israel a totalidade da terra prometida durante o reinado milenar de Cristo.

2. Descendência (Gênesis 15:5)

"Olha para os céus e conta as estrelas, se é que o podes. Assim será a tua posteridade."

Deus prometeu que de Abraão sairia uma descendência incontável. Isso se cumpriu em três níveis:

  • Descendência física: O povo de Israel (e os descendentes árabes por Ismael)
  • Descendência espiritual: Todos os que creem em Cristo são chamados "filhos de Abraão" (Gálatas 3:7,29)
  • Descendência messiânica: Jesus Cristo, "a descendência de Abraão" por excelência (Gálatas 3:16)

3. Bênção Universal (Gênesis 12:3)

"Em ti serão benditas todas as famílias da terra."

Essa promessa se cumpriu supremamente em Jesus Cristo — o descendente de Abraão que trouxe a bênção da salvação para todas as nações.

Uma Aliança Incondicional

O caráter único da aliança abraâmica na perspectiva dispensacionalista é sua incondicionalidade. Em Gênesis 15:9-18, Deus instruiu Abraão a preparar animais para um ritual de aliança. Normalmente, ambas as partes passariam entre os pedaços dos animais partidos, simbolizando compromisso mútuo. Mas Deus fez Abraão cair em profundo sono e Ele sozinho passou entre os pedaços — na forma de um "forno fumegante e uma tocha de fogo". Isso significa que Deus tomou sobre si toda a responsabilidade pelo cumprimento da aliança. Ela não depende da fidelidade humana, mas da fidelidade divina.


A Longa Espera pela Promessa e a Falha de Ismael

Apesar de Deus ter prometido um filho, anos se passaram sem que a promessa se cumprisse. Quando Abraão tinha 86 anos e Sara 76, a impaciência levou Sara a sugerir uma solução humana: que Abraão tivesse um filho com Agar, sua serva egípcia (Gênesis 16).

Abraão concordou, e nasceu Ismael. Mas Ismael não era o filho da promessa — era o fruto da impaciência e da tentativa humana de "ajudar Deus". As consequências dessa decisão reverberam até hoje: Ismael é considerado o ancestral dos povos árabes, e o conflito entre a descendência de Isaque (Israel) e de Ismael (nações árabes) permanece como uma das mais longas disputas da história humana.

Lição para a vida cristã: Quando tentamos acelerar os planos de Deus com nossas próprias forças, criamos "Ismaéis" — situações que geram conflito e dor. A fé espera no tempo de Deus, mesmo quando parece impossível.


O Nascimento Milagroso de Isaque

Quando Abraão tinha 100 anos e Sara 90 — ambos muito além da idade reprodutiva — Deus cumpriu a promessa. Sara concebeu e deu à luz Isaque (Gênesis 21:1-3), cujo nome significa "riso", pois Sara havia rido de incredulidade ao ouvir a promessa (Gênesis 18:12).

O nascimento de Isaque é a prova viva de que para Deus nada é impossível (Gênesis 18:14; Lucas 1:37). Quando a biologia diz "não", Deus diz: "Eu sou o Senhor; acaso haveria coisa demasiadamente difícil para mim?"


O Teste Supremo: O Sacrifício de Isaque (Gênesis 22)

O capítulo 22 de Gênesis contém uma das narrativas mais intensas e reveladoras de toda a Bíblia. Deus prova Abraão com um pedido humanamente inconcebível:

"Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá; e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas que eu te disser."Gênesis 22:2 (ARA)

Perceba os detalhes devastadores: "teu filho", "único filho" (da promessa), "a quem amas". Deus sabia a magnitude do pedido. E Abraão não questionou, não debateu, não procrastinou — "de madrugada, cedo, levantou-se" (v. 3). Ele obedeceu imediatamente.

Ao chegar ao monte Moriá, Abraão construiu o altar, amarrou Isaque e ergueu o cutelo. Naquele instante, o anjo do Senhor o deteve:

"Não estendas a mão sobre o rapaz e nada lhe faças; pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o teu filho, o teu único filho."Gênesis 22:12

Deus proveu um carneiro preso pelo chifres para substituir Isaque. Abraão chamou aquele lugar de "Jeová-Jiré" — "O Senhor Proverá" (v. 14).

A Tipologia Cristológica

Este evento é uma das tipologias (prefigurações) mais poderosas de Cristo no Antigo Testamento:

Isaque Jesus Cristo
Filho único e amado O Filho Unigênito de Deus (João 3:16)
Carregou a lenha do sacrifício Carregou a cruz (João 19:17)
Oferecido no monte Moriá Crucificado no Gólgota, mesma região de Moriá (2 Crônicas 3:1)
Substituído por um carneiro Jesus é o "Cordeiro de Deus" substituto (João 1:29)
Restituído vivo ao pai Jesus ressuscitou e voltou ao Pai

Hebreus 11:19 revela que Abraão estava tão convicto do poder de Deus que creu que Ele ressuscitaria Isaque dentre os mortos se necessário. Abraão cria na ressurreição antes de ela acontecer — e figurativamente, ele recebeu Isaque de volta "dentre os mortos".


O Legado Eterno de Abraão

Abraão morreu com 175 anos (Gênesis 25:7-8) e foi sepultado na caverna de Macpela, em Hebrom. Seu legado, porém, é eterno:

  • Pai do povo de Israel: De Abraão descenderam os 12 patriarcas e toda a nação israelita.
  • Ancestral de Jesus Cristo: A genealogia de Mateus 1:1 abre com "livro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão".
  • Pai da fé mundial: Todo crente em Cristo, de qualquer nação, é herdeiro espiritual de Abraão (Gálatas 3:29).
  • Modelo de justificação pela fé: "Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça" (Romanos 4:3) — a base do evangelho de Paulo.

FAQ

Abraão foi o primeiro monoteísta? Não exatamente. Adão, Abel, Enoque e Noé já adoravam ao Deus verdadeiro. Mas Abraão é o primeiro patriarca com quem Deus estabeleceu uma aliança formal para criar uma nação separada para si.

Deus realmente pediu um sacrifício humano? Deus nunca teve a intenção de que Isaque morresse. O pedido foi uma prova de fé, não uma demanda de sacrifício humano. A Bíblia condena explicitamente o sacrifício humano (Deuteronômio 18:10). O propósito era revelar a fé total de Abraão e prefigurar o sacrifício de Cristo.

A promessa da terra a Israel ainda é válida? Na perspectiva dispensacionalista assembleiana, sim. A aliança abraâmica é incondicional e eterna. Israel tem uma promessa divina sobre a terra que será plenamente cumprida no reino milenar de Cristo. Isso não justifica injustiças políticas, mas reconhece o plano profético de Deus para o povo e a terra de Israel.


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A fé é, em geral, a persuasão da mente de que certa afirmação é verdadeira (Fil. 1:27; 2 Tess. 2:13). Sua ideia primária é a confiança. Algo é verdadeiro e, portanto, digno de confiança. Ela admite muitos graus, até a plena certeza da fé, de acordo com a evidência na qual se baseia. A fé é o resultado do ensino (Rm 10:14-17). O conhecimento é um elemento essencial em toda fé, e às vezes é mencionado como um equivalente à fé (Jo 10:38; 1 Jo 2:3). No entanto, as duas se distinguem neste aspecto: que a fé inclui em si o assentimento, que é um ato da vontade além do ato do entendimento. O assentimento à verdade é da essência da fé, e o fundamento último sobre o qual repousa o nosso assentimento a qualquer verdade revelada é a veracidade de Deus. A fé histórica é a apreensão e o assentimento a certas afirmações que são consideradas meros fatos da história. A fé temporária é aquele estado mental que é despertado nos homens (ex: Félix) pela exposição da verdade e pela influência da simpatia religiosa, ou por aquilo que às vezes é denominado a operação comum do Espírito Santo. A fé salvífica é assim chamada porque tem a vida eterna inseparavelmente conectada a ela. Não pode ser melhor definida do que nas palavras do Breve Catecismo da Assembleia: "A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual recebemos e descansamos somente nele para a salvação, conforme ele nos é oferecido no evangelho." O objeto da fé salvadora é toda a Palavra revelada de Deus. A fé a aceita e nela crê como a verdade mais segura. Mas o ato especial de fé que une a Cristo tem como seu objeto a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo (João 7:38; Atos 16:31). Este é o ato específico de fé pelo qual um pecador é justificado diante de Deus (Rm 3:22, 25; Gl 2:16; Fp 3:9; Jo 3:16-36; At 10:43; 16:31). Neste ato de fé, o crente apropria-se e descansa somente em Cristo como Mediador em todos os seus ofícios. Este assentimento ou crença na verdade recebida mediante o testemunho divino sempre esteve associado a um profundo senso de pecado, a uma visão distinta de Cristo, a uma vontade consentinte e a um coração amoroso, juntamente com a confiança em, o confiar em, ou o repousar em Cristo. É esse estado de espírito no qual um pobre pecador, consciente de seu pecado, foge de si mesmo, culpado, para Cristo, seu Salvador, e lança sobre Ele o fardo de todos os seus pecados. Consiste principalmente, não no assentimento dado ao testemunho de Deus em Sua Palavra, mas em abraçar, com confiança e dependência fiduciais, o único e só Salvador que Deus revela. Esta confiança e dependência são a essência da fé. Pela fé, o crente apropria-se de Cristo, direta e imediatamente, como seu. A fé, em seu ato direto, torna Cristo nosso. Não é uma obra que Deus graciosamente aceite em vez de uma obediência perfeita, mas é apenas a mão com a qual nos agarramos à pessoa e à obra de nosso Redentor como o único fundamento de nossa salvação. A fé salvadora é um ato moral, pois provém de uma vontade renovada, e uma vontade renovada é necessária para o assentimento crente à verdade de Deus (1 Cor. 2:14; 2 Cor. 4:4). A fé, portanto, reside na parte moral de nossa natureza tanto quanto na intelectual. A mente deve primeiro ser iluminada pelo ensino divino (João 6:44; Atos 13:48; 2 Cor. 4:6; Ef. 1:17, 18) antes que possa discernir as coisas do Espírito. A fé é necessária para a nossa salvação (Marcos 16:16), não porque haja nela qualquer mérito, mas simplesmente porque é o pecador ocupando o lugar que lhe foi atribuído por Deus, alinhando-se ao que Deus está fazendo. A garantia ou fundamento da fé é o testemunho divino, não a razoabilidade do que Deus diz, mas o simples fato de que ele o diz. A fé repousa imediatamente sobre: "Assim diz o Senhor". Mas, para que essa fé ocorra, a veracidade, a sinceridade e a verdade de Deus devem ser reconhecidas e apreciadas, juntamente com a sua imutabilidade. A palavra de Deus encoraja e instiga o pecador pessoalmente a tratar com Cristo como dom de Deus, a selar a união com ele, abraçá-lo, entregar-se a Cristo e tomar Cristo como seu. Essa palavra vem com poder, pois é a palavra do Deus que se revelou em suas obras, e especialmente na cruz. Deus deve ser crido por causa de sua palavra, mas também por causa de seu nome. A fé em Cristo assegura ao crente a libertação da condenação, ou a justificação diante de Deus; uma participação na vida que está em Cristo, a vida divina (João 14:19; Rom. 6:4-10; Ef. 4:15, 16, etc.); "paz com Deus" (Rom. 5:1); e a santificação (Atos 26:18; Gál. 5:6; Atos 15:9). Todos os que assim creem em Cristo certamente serão salvos (João 6:37, 40; 10:27, 28; Rom. 8:1). A fé=o evangelho (Atos 6:7; Rom. 1:5; Gál. 1:23; 1 Tim. 3:9; Judas 1:3)....
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Abraão
Pai de uma multidão, filho de Terá, mencionado (Gên. 11:27) antes de seus irmãos mais velhos, Naor e Harã, por ser o herdeiro das promessas. Até os setenta anos, Abrão habitou entre seus parentes em sua terra natal, a Caldeia. Então, com seu pai, sua família e seus servos, deixou a cidade de Ur, na qual habitara até então, e dirigiu-se cerca de 300 milhas ao norte, para Harã, onde permaneceu por quinze anos. A causa de sua migração foi um chamado de Deus (Atos 7:2-4). Não há menção a este primeiro chamado no Antigo Testamento; ele está implícito, contudo, em Gên. 12. Enquanto permaneciam em Harã, Terá morreu aos 205 anos. Abrão recebeu agora um segundo chamado, mais definido, acompanhado de uma promessa de Deus (Gên. 12:1, 2); após o qual partiu, levando consigo seu sobrinho Ló, "não sabendo para onde ia" (Heb. 11:8). Ele confiou implicitamente na guia Daquele que o havia chamado. Abrão agora, com uma grande casa de provavelmente mil almas, iniciou uma vida migratória e habitou em tendas. Passando pelo vale do Jaboque, na terra de Canaã, ele estabeleceu seu primeiro acampamento em Siquém (Gên. 12:6), no vale ou carvalhal de More, entre Ebal ao norte e Gerizim ao sul. Aqui ele recebeu a grande promessa: "Farei de ti uma grande nação", etc. (Gên. 12:2, 3, 7). Esta promessa compreendia não apenas bênçãos temporais, mas também espirituais. Implicava que ele era o ancestral escolhido do grande Libertador, cuja vinda havia sido prevista há muito tempo (Gên. 3:15). Logo depois disso, por alguma razão não mencionada, ele mudou sua tenda para o distrito montanhoso entre Betel, então chamada Luz, e Ai, cidades situadas a cerca de duas milhas de distância, onde construiu um altar ao "Jeová". Ele mudou-se novamente para a região sul da Palestina, chamada pelos hebreus de Negebe; e foi, finalmente, devido a uma fome, compelido a descer ao Egito. Isso ocorreu na época dos Hicsos, uma raça semita que então mantinha os egípcios em servidão. Aqui ocorreu aquele caso de engano por parte de Abrão, que o expôs à repreensão de Faraó (Gên. 12:18). Sarai lhe foi devolvida; e Faraó o carregou de presentes, recomendando-lhe que se retirasse do país. Ele retornou a Canaã mais rico do que quando a deixou, "em gado, em prata e em ouro" (Gên. 12:8; 13:2. Comp. Sl. 105:13, 14). Todo o grupo moveu-se então para o norte e retornou à sua estação anterior, perto de Betel. Aqui surgiram disputas entre os pastores de Ló e os de Abrão a respeito de água e pastagens. Abrão generosamente deu a Ló a escolha do terreno de pastagem. (Comp. 1 Cor. 6:7.) Ele escolheu a planície bem regada onde Sodoma estava situada e mudou-se para lá; e assim o tio e o sobrinho separaram-se. Imediatamente após isso, Abrão foi encorajado por uma repetição das promessas que já lhe haviam sido feitas, e então mudou-se para a planície ou "carvalhal" de Manre, que fica em Hebrom. Ele finalmente estabeleceu-se aqui, armando sua tenda sob um famoso carvalho ou terebinto, chamado "o carvalho de Manre" (Gên. 13:18). Este foi o seu terceiro lugar de repouso na terra. Cerca de quatorze anos antes disso, enquanto Abrão ainda estava na Caldeia, a Palestina fora invadida por Quedorlaomer, rei de Elão, que submeteu ao tributo as cinco cidades da planície para as quais Ló havia se mudado. Esse tributo foi sentido pelos habitantes dessas cidades como um fardo pesado e, após doze anos, eles se revoltaram. Isso trouxe sobre eles a vingança de Quedorlaomer, que tinha em liga consigo outros quatro reis. Ele devastou todo o país, saqueando as cidades e levando os habitantes como escravos. Entre os assim tratados estava Ló. Ao saber do desastre que havia caído sobre seu sobrinho, Abrão reuniu imediatamente de sua própria casa um grupo de 318 homens armados e, juntando-se a ele os chefes amorreus Manre, Aner e Escol, perseguiu Quedorlaomer e o alcançou perto das fontes do Jordão. Eles atacaram e derrotaram seu exército, perseguindo-o pela cordilheira do Antilíbano até Hobá, perto de Damasco, e então retornaram, trazendo de volta todos os despojos que haviam sido levados. Retornando pelo caminho de Salém, isto é, Jerusalém, o rei daquele lugar, Melquisedeque, saiu ao encontro deles com refrescos. A ele, Abrão apresentou o dízimo dos despojos, em reconhecimento ao seu caráter como sacerdote do Deus Altíssimo (Gên. 14:18-20). Em uma tabuleta recentemente descoberta, datada do reinado do avô de Amraphel (Gên. 14:1), uma das testemunhas é chamada de "o amorita, filho de Abiramu", ou Abrão. Tendo retornado ao seu lar em Mamre, as promessas já lhe feitas por Deus foram repetidas e ampliadas (Gên. 13:14). "A palavra do Senhor" (expressão que ocorre aqui pela primeira vez) "veio a ele" (15:1). Ele agora compreendia melhor o futuro que se estendia diante da nação que dele deveria derivar. Sarai, agora com setenta e cinco anos, em sua impaciência, persuadiu Abrão a tomar Agar, sua serva egípcia, como concubina, pretendendo que qualquer filho que pudesse nascer fosse considerado como seu. Ismael foi, consequentemente, assim criado, e era considerado o herdeiro dessas promessas (Gên. 16). Quando Ismael tinha treze anos, Deus revelou novamente, de forma ainda mais explícita e plena, o Seu propósito gracioso; e, como sinal do cumprimento certo desse propósito, o nome do patriarca foi agora alterado de Abrão para Abraão (Gên. 17:4, 5), e o rito da circuncisão foi instituído como sinal da aliança. Anunciou-se então que o herdeiro dessas promessas da aliança seria o filho de Sarai, embora ela tivesse agora noventa anos; e foi determinado que seu nome fosse Isaque. Ao mesmo tempo, em comemoração às promessas, o nome de Sarai foi alterado para Sara. Naquele dia memorável em que Deus assim revelou o Seu desígnio, Abraão, seu filho Ismael e todos os homens de sua casa foram circuncidados (Gên. 17). Três meses depois disso, enquanto Abraão estava sentado à porta de sua tenda, viu três homens se aproximando. Eles aceitaram a hospitalidade oferecida e, sentados sob um carvalho, participaram do alimento que Abraão e Sara providenciaram. Um dos três visitantes não era outro senão o Senhor, e os outros dois eram anjos sob a aparência de homens. O Senhor renovou, nesta ocasião, Sua promessa de um filho por meio de Sara, que foi repreendida por sua incredulidade. Abraão acompanhou os três enquanto eles prosseguiam em sua jornada. Os dois anjos seguiram em direção a Sodoma; enquanto o Senhor permaneceu para trás e conversou com Abraão, revelando-lhe a destruição que estava prestes a cair sobre aquela cidade culpada. O patriarca intercedeu fervorosamente em favor da cidade condenada. Mas, como nem sequer dez pessoas justas foram encontradas nela, por causa das quais a cidade teria sido poupada, a destruição ameaçada caiu sobre ela; e, logo na manhã seguinte, Abraão viu a fumaça do fogo que a consumiu como a "fumaça de uma fornalha" (Gên. 19:1-28). Após quinze anos de residência em Mamre, Abraão moveu-se para o sul e armou sua tenda entre os filisteus, próximo a Gerar. Aqui ocorreu aquele triste exemplo de prevaricação de sua parte em sua relação com Abimeleque, o Rei (Gên. 20). (Veja ABIMELEQUE.) Logo após este evento, o patriarca deixou as proximidades de Gerar e deslocou-se pelo vale fértil, cerca de 25 milhas, até Berseba. Foi provavelmente aqui que Isaque nasceu, tendo Abraão agora cem anos de idade. Um sentimento de ciúme surgiu então entre Sara e Agar, cujo filho, Ismael, não deveria mais ser considerado o herdeiro de Abraão. Sara insistiu que tanto Agar quanto seu filho fossem expulsos. Isso foi feito, embora tenha sido uma provação difícil para Abraão (Gên. 21:12). (Veja AGAR; ISMAEL.) Neste ponto, há uma lacuna de talvez vinte e cinco anos na história do patriarca. Esses anos de paz e felicidade foram passados em Berseba. A próxima vez que o vemos, sua fé é submetida a um teste severo pelo comando que subitamente lhe veio para ir e oferecer Isaque, o herdeiro de todas as promessas, como sacrifício em um dos montes de Moriá. Sua fé resistiu ao teste (Hb 11:17-19). Ele procedeu em um espírito de obediência imediata para cumprir a ordem; e, quando estava prestes a matar seu filho, a quem havia colocado sobre o altar, sua mão erguida foi detida pelo anjo de Jeová, e um carneiro, que estava preso em um matagal próximo, foi agarrado e oferecido em seu lugar. Devido a essa circunstância, aquele lugar foi chamado Jeová-Jiré, isto é, "O Senhor proverá". As promessas feitas a Abraão foram novamente confirmadas (e esta foi a última palavra registrada de Deus ao patriarca); e ele desceu do monte com seu filho e retornou para sua casa em Berseba (Gn 22:19), onde residiu por alguns anos e, depois, mudou-se para o norte, para Hebrom. Alguns anos depois disso, Sara morreu em Hebrom, aos 127 anos de idade. Abraão adquiriu agora a necessária posse de um lugar de sepultamento, a caverna de Macpela, mediante compra do seu proprietário, Efrom, o hitita (Gên. 23); e ali ele sepultou Sara. Sua preocupação seguinte foi providenciar uma esposa para Isaque e, para esse propósito, enviou seu administrador, Eliezer, a Harã (ou Carrã, Atos 7:2), onde residiam seu irmão Naor e sua família (Gên. 11:31). O resultado foi que Rebeca, filha de Betuel, filho de Naor, tornou-se a esposa de Isaque (Gên. 24). Abraão, então, tomou para si como esposa Quetura, que se tornou a mãe de seis filhos, cujos descendentes foram posteriormente conhecidos como os "filhos do oriente" (Jzg. 6:3), e mais tarde como "sarracenos". Finalmente, todas as suas peregrinações chegaram ao fim. Aos 175 anos de idade, 100 anos depois de ter entrado pela primeira vez na terra de Canaã, ele morreu e foi sepultado no antigo lugar de sepultamento da família em Macpela (Gên. 25:7-10). A história de Abraão causou uma ampla e profunda impressão no mundo antigo, e referências a ela estão entrelaçadas nas tradições religiosas de quase todas as nações orientais. Ele é chamado de "o amigo de Deus" (Tiago 2:23), "Abraão fiel" (Gál. 3:9), "o pai de todos nós" (Rom. 4:16)....
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