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Quem Foi Elias? O Profeta de Fogo que Enfrentou um Império

Conheça a história do profeta Elias: o confronto no Monte Carmelo, a fuga para o deserto, a voz mansa e delicada e os milagres que provam que YHWH é o Deus verdadeiro.

24 de março de 2026Equipe A Seara· 14 min leitura
Quem Foi Elias? O Profeta de Fogo que Enfrentou um Império
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Quem Foi Elias?

Elias é o profeta mais dramático do Antigo Testamento — e talvez o mais humano. Ele aparece nas Escrituras sem genealogia, sem origem nobre, sem apresentação formal. Simplesmente irrompe no texto de 1 Reis 17:1 como um trovão: "Tão certo como vive o Senhor, Deus de Israel, perante cuja face estou, nem orvalho nem chuva haverá nestes anos, senão segundo a minha palavra."

Sem aviso. Sem introdução. Um homem do deserto, vestido de peles, aparece na corte do rei mais perverso de Israel e declara: o céu está fechado. E fecha.

A história de Elias é um drama em quatro atos que responde à pergunta mais urgente de qualquer época: quem é o Deus verdadeiro? Em um tempo de confusão religiosa, relativismo e sincretismo — não muito diferente do nosso — Deus levantou um homem para traçar a linha e forçar uma escolha.

"Até quando coxeareis entre dois pensamentos? Se o Senhor é Deus, segui-o; se é Baal, segui-o."1 Reis 18:21 (ARA)


O Contexto: Israel em Crise Espiritual

Para entender Elias, é preciso entender o desastre que era Israel sob Acabe e Jezabel. Acabe não era apenas um rei fraco — era um rei que se vendeu ativamente ao mal:

"Nenhum outro houve que a tal ponto se vendesse para fazer o que é mau perante o Senhor, como Acabe, a quem Jezabel, sua mulher, instigava."1 Reis 21:25

Jezabel era filha do rei de Sidom — uma sacerdotisa de Baal que importou para Israel a religião fenícia: culto a Baal (deus da tempestade e da fertilidade), rituais de prostituição sagrada, sacrifício de crianças e perseguição sistemática dos profetas de YHWH. Ela matou os profetas de Deus e sustentou 850 profetas pagãos à mesa do rei.

O resultado foi uma nação que parou de escolher. Não rejeitou YHWH abertamente — mas também não rejeitou Baal. Adorava os dois. Ia ao templo de YHWH no sábado e ao altar de Baal na segunda. Era — nas palavras de Elias — um povo que coxeava entre dois pensamentos.

Aplicação prática: A tentação mais comum do cristão moderno não é o ateísmo — é o sincretismo. Adorar a Deus no domingo e viver pelo sistema do mundo de segunda a sábado. Ter Bíblia no celular e conteúdo do mundo na mesma tela. Elias força a pergunta: de que lado você realmente está?


Ato 1: O Deserto que Prepara (1 Reis 17)

Querite: Onde Deus Ensina a Depender

Depois de declarar a seca, Deus manda Elias se esconder no ribeiro de Querite, onde corvos traziam pão e carne de manhã e à tarde. A cena é extraordinária:

  • Corvos — aves impuras pela Lei de Moisés — servem como garçons divinos
  • Ribeiro — vai secando aos poucos. Deus mantém Elias ali até a última gota acabar
  • Solidão — Elias está sozinho, sem plateia, sem reconhecimento

Deus não mandou Elias para um hotel cinco estrelas. Mandou para um ribeiro que seca. Por quê? Porque o profeta que vai confrontar um império precisa primeiro aprender que sua vida depende exclusivamente de Deus — não de circunstâncias, não de recursos, não de apoio humano.

Sarepta: Onde Deus Ensina a Confiar no Impossível

Quando Querite secou, Deus enviou Elias a Sarepta — em Sidom, o território de Jezabel! O profeta fugitivo foi enviado ao quintal do inimigo. E ali, Deus usou uma viúva pagã e miserável para sustentá-lo.

A viúva tinha farinha para uma última refeição. Elias pediu que fizesse um bolo para ele primeiro. O pedido parece cruel — até que lemos a promessa: "A farinha da tua panela não se acabará, e o azeite da tua botija não faltará até o dia em que o Senhor der chuva sobre a terra" (1 Reis 17:14).

E assim aconteceu. A farinha e o azeite duraram anos. O milagre da provisão contínua.

Quando o filho da viúva morreu, Elias se deitou sobre a criança três vezes e clamou a Deus — e o menino ressuscitou. O primeiro relato de ressurreição na Bíblia é operado pelo poder de YHWH em pleno território de Baal.


Ato 2: O Monte Carmelo — O Duelo que Definiu Tudo (1 Reis 18)

O Cenário

Após três anos e meio sem chuva, Elias enfrenta os 450 profetas de Baal e os 400 profetas de Aserá no Monte Carmelo. É um dos capítulos mais cinematográficos da Bíblia — e não é ficção.

O desafio é simples: dois altares, dois touros sacrificiais, nenhum fogo humano. O deus que responder por fogo é o Deus verdadeiro.

Os Profetas de Baal Fracassam

Os profetas de Baal clamaram da manhã ao meio-dia. Dançaram, cortaram-se com espadas, entraram em transe. Baal era, supostamente, o deus da tempestade — e não conseguia mandar um raio.

A ironia de Elias é letal:

"Clamai em altas vozes, porque ele é um deus! Talvez esteja meditando, ou tenha se retirado, ou esteja de viagem; talvez esteja dormindo e precisa ser despertado."1 Reis 18:27

A expressão "tenha se retirado" (sig) é um eufemismo hebraico para "foi ao banheiro." Elias está literalmente perguntando se Baal está no banheiro. A zombaria é deliberada — para expor a absurdidade de adorar ídolos impotentes.

O Fogo de YHWH

Elias repara o altar de YHWH que estava derribado (v. 30) — ato simbólico de restauração. Usa 12 pedras — uma por cada tribo — porque Israel unido pertence a YHWH. E então faz algo que nenhum showman faria: encharca tudo com água. Três vezes. Até a vala ao redor do altar ficar cheia.

E então ora. Uma oração curta, sem performance:

"Ó Senhor, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, fique hoje sabido que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que segundo a tua palavra fiz todas estas coisas. Responde-me, Senhor, responde-me!"1 Reis 18:36-37

O fogo caiu. Consumiu o holocausto, a lenha, as pedras, o pó e a água. O povo caiu sobre seus rostos e clamou: "O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!"

Aplicação prática: Elias não precisou de um show de luzes, uma banda de louvor ou uma campanha de marketing. Precisou de um altar restaurado, um coração obediente e uma oração sincera. O fogo do Espírito Santo não cai sobre performances — cai sobre altares restaurados e corações rendidos.


Ato 3: A Depressão do Profeta (1 Reis 19)

Do Topo à Cova

Este é o capítulo mais importante de toda a narrativa de Elias — porque mostra que heróis da fé também quebram.

Apenas 24 horas depois da maior vitória espiritual de sua vida, Elias recebe uma mensagem de ameaça de Jezabel: "Assim me façam os deuses e outro tanto, se até amanhã a esta hora não tiver tornado a tua vida como a vida de um deles" (1 Reis 19:2).

E Elias — o homem que enfrentou 850 profetas, que orou e o fogo caiu do céu — fugiu apavorado. Correu um dia inteiro para o deserto, sentou-se debaixo de um zimbro e pediu para morrer:

"Basta, ó Senhor; toma agora a minha vida, porque não sou melhor do que meus pais."1 Reis 19:4

O maior profeta de Israel estava esgotado, sozinho, com medo e querendo morrer. Se a Bíblia fosse ficção, esse trecho teria sido censurado. Mas a Bíblia é real — e retrata humanos reais, inclusive seus momentos mais escuros.

A Terapia de Deus

A resposta de Deus à depressão de Elias é pastoral e prática — não é repreensão, não é sermão. É cuidado:

O que Deus fez O que isso ensina
Deixou Elias dormir Esgotamento físico precisa de descanso, não de bronca
Enviou um anjo com comida Providenciou pão e água — básico, real, tangível
Deixou dormir de novo Não apressou o processo de cura
Mandou comer de novo A jornada iria exigir força — e ela viria de comida
Caminhou com ele 40 dias Não abandonou; acompanhou pacientemente
Falou no Monte Horebe Só falou quando Elias estava pronto para ouvir

Aplicação prática: Se você está esgotado espiritualmente, saiba duas coisas: (1) Elias estava lá também — não é falta de fé, é falta de força. (2) Deus não repreende quem está quebrado — Ele alimenta, dá descanso e caminha junto. Busque ajuda pastoral, durma, coma, e permita que Deus restaure antes de exigir que você volte a profetizar.

A Voz Mansa e Delicada

No Monte Horebe (o mesmo Sinai de Moisés), Deus se revela a Elias de forma inesperada:

"Houve um grande e forte vento que fendia os montes e despedaçava as penhas; porém o Senhor não estava no vento. Depois do vento, um terremoto; porém o Senhor não estava no terremoto. Depois do terremoto, um fogo; porém o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo, um cicio tranquilo e suave."1 Reis 19:11-12

A expressão hebraica qol demamah daqqah (קוֹל דְּמָמָה דַקָּה) pode ser traduzida como "voz de silêncio fino" ou "som de um silêncio sutil." Depois de vento, terremoto e fogo — Deus se revelou no oposto de tudo o que Elias esperava.

A lição é profunda: Deus que mandou fogo no Carmelo é o mesmo Deus que fala em sussurro no Horebe. Ele tem poder para fogo — mas quer intimidade de sussurro. O mesmo Espírito que desceu como vento impetuoso em Pentecostes quer falar no silêncio da sua madrugada devocional.


Ato 4: O Carro de Fogo (2 Reis 2)

Elias é um dos dois únicos seres humanos na Bíblia que não morreram. Deus o levou ao céu em um carro de fogo com cavalos de fogo, num redemoinho (2 Reis 2:11). Enoque foi o primeiro (Gênesis 5:24); Elias foi o segundo.

Seu discípulo Eliseu testemunhou a partida e clamou: "Meu pai, meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros!" (2 Reis 2:12). Então pegou o manto de Elias — símbolo da sua unção — e recebeu porção dobrada do espírito de Elias.

Por Que Elias Aparece na Transfiguração?

Em Mateus 17:1-8, Elias aparece com Moisés conversando com Jesus. Moisés representa a Lei; Elias representa os Profetas — as duas divisões da Escritura hebraica. A presença de ambos confirma que Jesus é o cumprimento de toda a Escritura.

Malaquias 4:5-6 prometeu que Elias voltaria "antes do grande e terrível dia do Senhor." Jesus identificou João Batista como o cumprimento dessa profecia "no espírito e poder de Elias" (Lucas 1:17; Mateus 11:14). E muitos estudiosos acreditam que Elias retornará literalmente como uma das duas testemunhas de Apocalipse 11.


FAQ

Por que Elias é tão importante no judaísmo? Elias ocupa um lugar único na tradição judaica. Na Páscoa, uma cadeira vazia e um cálice de vinho são reservados para Elias. Na circuncisão, uma cadeira é designada "cadeira de Elias." A tradição acredita que Elias visitará cada lar judaico antes da vinda do Messias — por isso a profecia de Malaquias 4:5 é tão significativa.

Elias realmente fez chover através de oração? Sim. Tiago 5:17-18 confirma explicitamente: "Elias era homem semelhante a nós, sujeito às mesmas paixões, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou outra vez, e o céu deu chuva." Tiago usa Elias como exemplo para encorajar a oração fervorosa — se funcionou para ele, pode funcionar para nós.

A depressão de Elias foi falta de fé? Não. A Bíblia não repreende Elias pela sua crise — Deus a trata com cuidado pastoral. Esgotamento físico, emocional e espiritual após uma grande batalha é uma realidade humana. Líderes espirituais são especialmente vulneráveis após grandes vitórias. Se você está passando por isso, procure ajuda — pastoral, profissional e comunitária. Deus usou comida, descanso e companhia para restaurar Elias; os mesmos meios são válidos hoje.

Elias vai voltar literalmente? Há duas perspectivas. Jesus disse que João Batista veio "no espírito e poder de Elias" (Mateus 17:10-13), cumprindo Malaquias 4:5 de forma figurada. Outros estudiosos acreditam em um cumprimento literal futuro, identificando Elias como uma das duas testemunhas de Apocalipse 11 (junto com Moisés ou Enoque). A posição da Assembleia de Deus geralmente mantém abertura para esta segunda interpretação, sem dogmatizar.


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Elias
Cujo Deus é Jeová. (1.) "O tisbita", o "Elias" do Novo Testamento, é subitamente introduzido ao nosso conhecimento em 1 Reis 17:1, entregando uma mensagem do Senhor a Acabe. Há menção a uma cidade chamada Tisbe, ao sul de Cades, mas é impossível dizer se este era o lugar referido no nome dado ao profeta. Após ter entregue sua mensagem a Acabe, ele retirou-se, por comando de Deus, para um esconderijo junto ao ribeiro de Querite, além do Jordão, onde era alimentado por corvos. Quando o ribeiro secou, Deus enviou-o à viúva de Sarepta, uma cidade de Sidom, de cujas escassas provisões ele foi sustentado pelo período de dois anos. Durante este período, o filho da viúva morreu e foi restituído à vida por Elias (1 Reis 17: 2-24). Durante todos esses dois anos, uma fome prevaleceu na terra. Ao final deste período de recolhimento e de preparação para a sua obra (cf. Gál. 1:17, 18), Elias encontrou Obadias, um dos oficiais de Acabe, a quem este havia enviado para procurar pastagens para o gado, e ordenou-lhe que fosse dizer ao seu senhor que Elias estava ali. O rei veio e encontrou Elias, e o repreendeu como o perturbador de Israel. Propôs-se, então, que sacrifícios fossem oferecidos publicamente, com o propósito de determinar se Baal ou Jeová era o Deus verdadeiro. Isso foi feito no Carmelo, resultando que o povo caísse com os rostos em terra, clamando: "O Senhor, ele é o Deus". Assim se cumpriu a grande obra do ministério de Elias. Os profetas de Baal foram então mortos por ordem de Elias. Nem um único deles escapou. Em seguida, imediatamente veio a chuva, conforme a palavra de Elias e em resposta à sua oração (Tiago 5:18). Jezabel, enfurecida com o destino que recaíra sobre seus sacerdotes de Baal, ameaçou matar Elias (1 Reis 19:1-13). Ele, portanto, fugiu alarmado para Berseba e, de lá, partiu sozinho por um dia de jornada rumo ao deserto, sentando-se desanimado sob um zimbro. Enquanto dormia, um anjo o tocou e lhe disse: "Levanta-te e come; porque a jornada é longa demais para ti". Ele se levantou e encontrou um bolo e uma botija de água. Tendo participado do provimento assim milagrosamente fornecido, prosseguiu em seu caminho solitário por quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus, onde fixou sua morada em uma caverna. Ali o Senhor lhe apareceu e disse: "Que fazes aqui, Elias?". Em resposta às suas palavras desanimadas, Deus manifesta-lhe a sua glória e, então, ordena-lhe que retorne a Damasco e unja Hazael como rei sobre a Síria, Jeú como rei sobre Israel, e Eliseu para ser profeta em seu lugar (1 Reis 19:13-21; comp. 2 Reis 8:7-15; 9:1-10). Cerca de seis anos depois disso, ele advertiu Acabe e Jezabel sobre as mortes violentas que sofreriam (1 Reis 21:19-24; 22:38). Ele também, quatro anos mais tarde, advertiu Acazias (q.v.), que sucedera seu pai, Acabe, sobre a sua morte iminente (2 Reis 1:1-16). (Veja NABOTE.) Durante esses intervalos, ele provavelmente retirou-se para algum refúgio tranquilo, ninguém sabia onde. Sua entrevista com os mensageiros de Acazias a caminho de Ecrom, e o relato da destruição de seus capitães com suas cinquantenas, sugerem a ideia de que ele possa ter estado retirado, nessa época, no Monte Carmelo. Aproximava-se agora o momento em que ele seria arrebatado ao céu (2 Reis 2:1-12). Ele tinha um pressentimento do que o aguardava. Desceu a Gilgal, onde havia uma escola de profetas e onde residia seu sucessor, Eliseu, a quem ele havia ungido alguns anos antes. Eliseu ficou comovido com o pensamento de que seu mestre o deixaria, e recusou-se a separar-se dele. "Os dois seguiram adiante", e chegaram a Betel e Jericó, e atravessaram o Jordão, cujas águas "dividiram-se para cá e para lá" ao serem feridas com o manto de Elias. Chegados às fronteiras de Gileade, que Elias havia deixado muitos anos antes, "aconteceu que, enquanto ainda caminhavam e conversavam", foram subitamente separados por uma carruagem e cavalos de fogo; e "Elias subiu em um redemoinho ao céu", recebendo Eliseu o seu manto, que dele caiu enquanto ele ascendia. Nenhum dos antigos profetas é tão frequentemente mencionado no Novo Testamento. Os sacerdotes e levitas disseram ao Batista (João 1:25): "Por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias?". Paulo (Rom. 11:2) refere-se a um incidente em sua história para ilustrar seu argumento de que Deus não havia rejeitado o seu povo. Tiago (5:17) encontra nele uma ilustração do poder da oração. (Veja também Lucas 4:25; 9:54.) Ele foi um tipo de João Batista na severidade e no poder de suas repreensões (Lucas 9:8). Ele foi o Elias que "deve vir primeiro" (Mat. 11:11, 14), o precursor de nosso Senhor anunciado por Malaquias. Mesmo exteriormente, o Batista correspondia tão estreitamente ao profeta anterior que poderia ser chamado de um segundo Elias. Nele vemos "a mesma conexão com uma terra selvagem e desértica; o mesmo longo retiro no deserto; a mesma entrada súbita e surpreendente em sua obra (1 Reis 17:1; Lucas 3:2); até mesmo a mesma vestimenta, um manto de pelos e um cinto de couro em volta dos lombos (2 Reis 1:8; Mat. 3:4)". Quão profunda foi a impressão que Elias deixou na consciência da nação pode ser avaliada pela crença arraigada, fundamentada nas palavras de Malaquias (4:5, 6), que prevaleceu durante muitos séculos de que ele reapareceria para o alívio e a restauração do país. Cada figura notável que surgia em cena, independentemente de seus hábitos e características — fosse o severo João ou seu gentil Sucessor —, era proclamada como sendo Elias (Mt 11:13, 14; 16:14; 17:10; Mc 9:11; 15:35; Lc 9:7, 8; Jo 1:21). Sua aparição gloriosa no monte da transfiguração não parece ter pego os discípulos de surpresa. Eles ficaram extremamente temerosos, mas não, aparentemente, surpresos. (2.) O Elias mencionado em 2 Cr. 21:12-15 é suposto por alguns ser uma pessoa diferente da anterior. Ele viveu no tempo de Jeorão, a quem enviou uma carta de advertência (comp. 1 Cr. 28:19; Jr. 36), e atuou como profeta em Judá; enquanto o Tishbita era um profeta do reino do norte. Mas não parece haver necessidade de concluir que o escritor desta carta fosse algum outro Elias que não o Tishbita. Pode-se supor ou que Elias antecipou o caráter de Jeorão e, assim, escreveu a mensagem de advertência, a qual foi preservada nas escolas dos profetas até que Jeorão ascendesse ao trono após a translação do Tishbita, ou que a translação não tenha ocorrido de fato até depois da ascensão de Jeorão ao trono (2 Cr. 21:12; 2 Reis 8:16). Os eventos de 2 Reis 2 podem não estar registrados em ordem cronológica e, portanto, pode haver espaço para a opinião de que Elias ainda estivesse vivo no início do reinado de Jeorão....
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A fé é, em geral, a persuasão da mente de que certa afirmação é verdadeira (Fil. 1:27; 2 Tess. 2:13). Sua ideia primária é a confiança. Algo é verdadeiro e, portanto, digno de confiança. Ela admite muitos graus, até a plena certeza da fé, de acordo com a evidência na qual se baseia. A fé é o resultado do ensino (Rm 10:14-17). O conhecimento é um elemento essencial em toda fé, e às vezes é mencionado como um equivalente à fé (Jo 10:38; 1 Jo 2:3). No entanto, as duas se distinguem neste aspecto: que a fé inclui em si o assentimento, que é um ato da vontade além do ato do entendimento. O assentimento à verdade é da essência da fé, e o fundamento último sobre o qual repousa o nosso assentimento a qualquer verdade revelada é a veracidade de Deus. A fé histórica é a apreensão e o assentimento a certas afirmações que são consideradas meros fatos da história. A fé temporária é aquele estado mental que é despertado nos homens (ex: Félix) pela exposição da verdade e pela influência da simpatia religiosa, ou por aquilo que às vezes é denominado a operação comum do Espírito Santo. A fé salvífica é assim chamada porque tem a vida eterna inseparavelmente conectada a ela. Não pode ser melhor definida do que nas palavras do Breve Catecismo da Assembleia: "A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual recebemos e descansamos somente nele para a salvação, conforme ele nos é oferecido no evangelho." O objeto da fé salvadora é toda a Palavra revelada de Deus. A fé a aceita e nela crê como a verdade mais segura. Mas o ato especial de fé que une a Cristo tem como seu objeto a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo (João 7:38; Atos 16:31). Este é o ato específico de fé pelo qual um pecador é justificado diante de Deus (Rm 3:22, 25; Gl 2:16; Fp 3:9; Jo 3:16-36; At 10:43; 16:31). Neste ato de fé, o crente apropria-se e descansa somente em Cristo como Mediador em todos os seus ofícios. Este assentimento ou crença na verdade recebida mediante o testemunho divino sempre esteve associado a um profundo senso de pecado, a uma visão distinta de Cristo, a uma vontade consentinte e a um coração amoroso, juntamente com a confiança em, o confiar em, ou o repousar em Cristo. É esse estado de espírito no qual um pobre pecador, consciente de seu pecado, foge de si mesmo, culpado, para Cristo, seu Salvador, e lança sobre Ele o fardo de todos os seus pecados. Consiste principalmente, não no assentimento dado ao testemunho de Deus em Sua Palavra, mas em abraçar, com confiança e dependência fiduciais, o único e só Salvador que Deus revela. Esta confiança e dependência são a essência da fé. Pela fé, o crente apropria-se de Cristo, direta e imediatamente, como seu. A fé, em seu ato direto, torna Cristo nosso. Não é uma obra que Deus graciosamente aceite em vez de uma obediência perfeita, mas é apenas a mão com a qual nos agarramos à pessoa e à obra de nosso Redentor como o único fundamento de nossa salvação. A fé salvadora é um ato moral, pois provém de uma vontade renovada, e uma vontade renovada é necessária para o assentimento crente à verdade de Deus (1 Cor. 2:14; 2 Cor. 4:4). A fé, portanto, reside na parte moral de nossa natureza tanto quanto na intelectual. A mente deve primeiro ser iluminada pelo ensino divino (João 6:44; Atos 13:48; 2 Cor. 4:6; Ef. 1:17, 18) antes que possa discernir as coisas do Espírito. A fé é necessária para a nossa salvação (Marcos 16:16), não porque haja nela qualquer mérito, mas simplesmente porque é o pecador ocupando o lugar que lhe foi atribuído por Deus, alinhando-se ao que Deus está fazendo. A garantia ou fundamento da fé é o testemunho divino, não a razoabilidade do que Deus diz, mas o simples fato de que ele o diz. A fé repousa imediatamente sobre: "Assim diz o Senhor". Mas, para que essa fé ocorra, a veracidade, a sinceridade e a verdade de Deus devem ser reconhecidas e apreciadas, juntamente com a sua imutabilidade. A palavra de Deus encoraja e instiga o pecador pessoalmente a tratar com Cristo como dom de Deus, a selar a união com ele, abraçá-lo, entregar-se a Cristo e tomar Cristo como seu. Essa palavra vem com poder, pois é a palavra do Deus que se revelou em suas obras, e especialmente na cruz. Deus deve ser crido por causa de sua palavra, mas também por causa de seu nome. A fé em Cristo assegura ao crente a libertação da condenação, ou a justificação diante de Deus; uma participação na vida que está em Cristo, a vida divina (João 14:19; Rom. 6:4-10; Ef. 4:15, 16, etc.); "paz com Deus" (Rom. 5:1); e a santificação (Atos 26:18; Gál. 5:6; Atos 15:9). Todos os que assim creem em Cristo certamente serão salvos (João 6:37, 40; 10:27, 28; Rom. 8:1). A fé=o evangelho (Atos 6:7; Rom. 1:5; Gál. 1:23; 1 Tim. 3:9; Judas 1:3)....
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