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A História de José do Egito: O Caminho do Poço ao Palácio

Conheça a história completa de José do Egito. Traído, escravizado e injustiçado, ele se tornou governador e salvador de sua família. Aprenda as imensas lições de fé, perdão e propósito.

24 de março de 2026Equipe A Seara· 11 min leitura
A História de José do Egito: O Caminho do Poço ao Palácio
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Quem Foi José do Egito?

José, o décimo primeiro filho de Jacó (e o primeiro de sua esposa amada, Raquel), protagonista dos capítulos 37 ao 50 do livro de Gênesis, possui uma das jornadas mais dramáticas, inspiradoras e teologicamente ricas de toda a Bíblia.

Sua história é a narrativa definitiva do "poço ao palácio". É a prova viva de que o propósito de Deus na vida de uma pessoa não pode ser abortado por maquinações humanas, pela perversidade da família ou pela injustiça de falsos acusadores. A vida prática de José ressoa imensamente na teologia pentecostal e arminiana porque ilustra o profundo equilíbrio entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana de permanecer fiel nas maiores provações (Gênesis 39:9).

Enquanto Abraão é conhecido pela fé e Isaque pela paciência, José é o herói do perdão e da pureza irrepreensível.

"Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem, para fazer, como vedes agora, que se conserve muita gente em vida."Gênesis 50:20 (ARA)


O Início: A Túnica, a Inveja e os Sonhos

A tragédia do jovem José começa fatalmente dentro da sua própria casa. Jacó, mostrando claro favoritismo, presenteou o filho de 17 anos com uma "túnica de várias cores" (ou de mangas compridas, significando status de realeza e isenção do trabalho braçal pesado). Seus dez meios-irmãos mais velhos o odiaram por isso (Gênesis 37:3-4).

Esse ódio se agravou quando José, de forma ingênua, contou-lhes dois sonhos divinos:

  1. Feixes de trigo no campo se curvando diante do seu feixe.
  2. O sol, a lua e onze estrelas (representando seu pai, mãe e 11 irmãos) se curvando diante dele.

Cegos de ódio e inveja, os irmãos planejaram matá-lo, mas acabaram decidindo jogá-lo em um poço seco e, em seguida, vendê-lo a uma caravana de mercadores ismaelitas que descia para o Egito por 20 siclos de prata (o exato preço de um escravo). Jacó passou anos acreditando que seu filho favorito havia sido estraçalhado por uma fera selvagem.

Aplicação Prática: Às vezes, as maiores decepções vêm da sua própria família ou de pessoas próximas. Mas o sonho que Deus planta em seu coração não morre quando os homens decidem atirá-lo ao poço. A providência divina enxerga o quadro completo; o poço era a única forma de colocar José a caminho de seu destino.


O Processo no Egito: Quatro Testes de Caráter

Ao chegar como escravo no Egito, vendido a Potifar (capitão da guarda de Faraó), José não se rebelou, não amaldiçoou e não perdeu a sua comunhão com Deus. O Senhor era com ele até no cativeiro. Mas, antes de abençoá-lo abundantemente com a liderança no palácio, Deus testou duramente o seu caráter.

1. O Teste do Sucesso

Na casa de Potifar, José foi logo feito administrador de todos os seus bens porque "Deus fazia prosperar em suas mãos tudo quanto ele fazia" (Gênesis 39:3). Muitas pessoas não sabem lidar com o sucesso; José lidou, sendo leal a Deus e ao seu patrão, mesmo no anonimato da escravidão.

2. O Teste da Pureza

A esposa de Potifar, atraída pela beleza do jovem administrador hebreu, tentou seduzi-lo incansavelmente. Num dia em que a casa estava vazia, ela o agarrou pela capa ordenando: "Deita-te comigo!". A resposta de José estabeleceu o mais belo tratado de santidade e temor:

"Como, pois, faria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?" (Gênesis 39:9)

Ele preferiu deixar a capa e fugir a comprometer o seu coração com o pecado.

Aplicação prática: Fugir do pecado não é covardia, é coragem! Resistir à imoralidade não nos leva instantaneamente à glória (no caso de José, o levou ao calabouço da prisão pautado em uma falsa denúncia). Contudo, é melhor ser jogado numa prisão humana por recusar o pecado, do que ser jogado na imundície corrompida do diabo perdendo a graça de Deus!

3. O Teste do Esquecimento

Na prisão — por mais de dois anos absurdos e injustos — José novamente teve favor, a ponto de administrar os outros detentos. Deus lhe deu a interpretação dos sonhos do padeiro chefe e do copeiro chefe do Faraó. Quando o copeiro foi restaurado (como José revelara), o recado de José foi: "Lembra-te de mim..." Mas o copeiro rapidamente o esqueceu (Gênesis 40:23).

4. O Teste do Poder

Anos se passaram. Finalmente, o próprio Faraó teve sonhos enigmáticos (as vacas gordas sendo comidas pelas vacas magras), e o copeiro relembrou do rapaz hebreu na prisão. Trazido às pressas, barbeado e limpo, José não tomou a glória para si, declarando: "Isso não está em mim; Deus dará resposta de paz a Faraó" (Gênesis 41:16). Aos trinta anos de idade, José foi alçado de detento a Governador absolutista da maior nação da terra (Vizir do Egito).


O Ápice: A Fome Global e o Grande Perdão

Durante os sete anos de fartura, José armazenou comida de forma tão eficiente e incalculável que todo o Egito esteve amparado nos sete anos seguintes de fome mortal (Gênesis 41:49). Foi essa fome que fez com que seus velhos irmãos descessem da região de Canaã até o Egito para comprar comida. Eram os mesmos dez homens arrogantes, dobrando os seus joelhos para o vizir irreconhecível vestido em trajes reais (confirmando integralmente a visão do seu sonho de juventude, revelado mais de duas décadas inteiras antes).

Eles não o reconheceram. Mas José os reconheceu (Gênesis 42:8).

José testou as intenções de seus irmãos para ver se os seus corações avarentos haviam mudado, usando o único irmão materno mais jovem e vulnerável, Benjamim, como pretexto. Judá — aquele que no passado tivera a ideia de lucrar vendendo próprio José — ajoelha implorando perante o governante e oferecendo sua própria vida para pagar pela liberdade de Benjamim. A redenção era real; os corações tinham mudado (Gênesis 44:33).

Em Gênesis 45 se encontra a cena de choro e de cura mais emocionante de toda a Bíblia Antiga. José, mandando sair toda a sua guarda, abre o seu pranto.

"Eu sou José, vosso irmão, a quem vendestes para o Egito." (Gen 45:4)

Ele não se vingou. Não castigou. Não os atirou no poço como tinham lhe feito. Em vez de amargura existencial, a teologia e a firmeza daquele homem transformado produzem uma grande proclamação: que eles não deviam ficar temerosos, porque aquilo tudo havia sido traçado, planejado e usado pela sabedoria soberana para salvar a família como povo e a posteridade.


José como Tipo de Cristo

Na teologia bíblica e em toda a exegese teofânica, não existe figura veterotestamentária que represente de forma tão vívida a vida de Jesus Cristo — mesmo não havendo afirmação dogmática no Novo Testamento de que José seja tipológico, os paralelos gritam:

Evento de José Evento de Jesus
O Filho amado peculiarmente do pai (Gen 37:3) O Filho Unigênito e amado do Pai (Mt 3:17)
Veio dar a salvação, mas foi rejeitado pelos seus indignados irmãos (Gen 37) "Veio para o que era Seu, mas os seus o rejeitaram" (João 1:11)
Vendido por moedas de prata e pelo conselho de Judá Vendido por 30 moedas de prata pelo conselho e rebelião de Judas
Tentado grandemente, mas irrepreensível no pecado Tentado em tudo, porém não pecou jamais (Heb 4:15)
Injustamente arrastado, acusado, sentenciado sem causa Julgado no lugar de assassinos por falso testemunho, julgado como bandido
Encarcerado ao lado de dois criminosos: um salvo, um punido Crucificado diretamente entre dois bandidos: a um Ele prometeu a vida, e o segundo se calou
Exaltado da cova da prisão e colocado à destra direta do rei da humanidade Exaltado do sepulcro da morte na glória eterna, sentando-se à Direita da Majestade (Atos 2:33)
Tornou-se o provedor "Pão/Salvador" para o mundo perante a miséria humana (Gen 41:56) Jesus se declara o Pão da Vida Viva, e seu sustento salva todas as nações da morte eterna

FAQ

Por que José escondeu um cálice de prata na sacola de Benjamim? (Gênesis 44) Não foi uma ação de vingança de "maldade" mas um profundo e angustiante teste familiar de lealdade. Considerando a extrema inveja que quase destruíra sua humanidade anos atrás, José planejou simular uma prisão para testar se seus irmãos, dezesete anos depois, também abandonariam o querido filho recém nascido (da sua mãe) sem misericórdia, repetindo o cruel egoísmo com Benjamim que eles próprios tinham cometido com o jovem José. Quando o irmão que elaborou a antiga prisão agora tenta pagar pela liberdade perdoando o outro, José tem completa paz com eles.

Quem era Asenate, esposa de José? Era a filha egípcia de Potífera, o sacerdote do templo de Om (Heliópolis). Foi um presente honorífico do próprio Faraó em Gênesis 41. José teve dois filhos fundamentais com Asenate, nomeando as duas pontapés cruciais na sua cura emocional: Manassés ("Deus me fez esquecer todo meu trabalho duro e da casa de meu pai") e Efraim ("Deus me fez prosperar na terra da minha miséria"). Em Israel, ambas ascenderam a nível de "Tribo Completa".

Moisés tirou o corpo/ossada dele do Egito? Por que os judeus enterraram esse velho patriarca 400 anos depois? Em Gênesis 50, o último patriarca pede um simples, porém vital compromisso perante Deus: que não o afundem sob as múmias das tumbas vazias do palácio do Nilo. Ele morre sabendo fielmente que Deus iria resgatar a Israel (fidelidade escatológica inabalável de um descendente dos exilados egípcios). Ele faz todos prestarem juramento profundo de retornar seus ossos aos solos de Canaã na devida época, sendo transportados com extremo carinho no Êxodo do Mar Vermelho pelo libertador Moisés. O que de fato Moisés cumpriu solenemente! (Êxodo 13:19).


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📖 No Dicionário

José
Aquele que remove ou acrescenta. (1.) O mais velho dos dois filhos de Jacó com Raquel (Gên. 30:23, 24), que, por ocasião de seu nascimento, disse: "Deus removeu [Heb. asaph] a minha vergonha". "O Senhor me acrescentará [Heb. yoseph] outro filho" (Gên. 30:24). Ele era uma criança de provavelmente seis anos de idade quando seu pai retornou de Harã para Canaã e estabeleceu sua residência na antiga cidade patriarcal de Hebron. "Ora, Israel amava a José mais do que a todos os seus filhos, porque era o filho da sua velhice", e "fez-lhe uma túnica longa com mangas" (Gên. 37:3, R.V. marg.), isto é, uma túnica longa e ampla, como as que eram usadas pelos filhos de nobres. Esta parece ser a tradução correta das palavras. A frase, entretanto, também pode ser traduzida como "uma túnica de muitas peças", isto é, um mosaico de muitas peças pequenas de diversas cores. Quando tinha cerca de dezessete anos, José despertou o ódio ciumento de seus irmãos (Gên. 37:4). Eles "odiaram-no e não podiam falar-lhe pacificamente". A ira deles aumentou quando ele lhes contou seus sonhos (37:11). Jacó, desejando ter notícias de seus filhos, que haviam ido a Siquém com seus rebanhos, a cerca de 60 milhas de Hebrom, enviou José como seu mensageiro para inquirir sobre eles. José descobriu que eles haviam partido de Siquém para Dotã, para onde os seguiu. Assim que o viram chegar, começaram a conspirar contra ele, e o teriam matado não fosse a intervenção de Rúben. Por fim, venderam-no a um grupo de mercadores ismaelitas por vinte peças (siclos) de prata (cerca de $2, 10s.), dez peças a menos do que o valor corrente de um escravo, pois "pouco importava o que recebessem por ele, desde que se livrassem dele". Esses mercadores dirigiam-se ao mercado egípcio com um sortimento variado de mercadorias, e para lá o levaram, vendendo-o finalmente como escravo a Potifar, um "oficial de Faraó e capitão da guarda" (Gên. 37:36). "O Senhor abençoou a casa do egípcio por causa de José", e Potifar o nomeou administrador de sua casa. Por fim, tendo sido apresentada contra ele uma falsa acusação feita pela esposa de Potifar, ele foi imediatamente lançado na prisão estatal (39; 40), onde permaneceu por pelo menos dois anos. Passado algum tempo, o "copeiro-mor" e o "padeiro-mor" da casa de Faraó foram lançados na mesma prisão (40:2). Cada um desses novos prisioneiros teve um sonho na mesma noite, o qual José interpretou, ocorrendo os eventos conforme ele havia dito. Isso levou a que José fosse lembrado posteriormente pelo copeiro-mor quando Faraó também sonhou. Por sugestão deste, José foi trazido da prisão para interpretar os sonhos do rei. Faraó ficou muito satisfeito com a sabedoria de José ao interpretar seus sonhos e com seus conselhos a respeito dos eventos então previstos; e colocou-o sobre toda a terra do Egito (Gn 41:46), e deu-lhe o nome de Zafenate-Paneia. Ele casou-se com Asenate, filha do sacerdote de On, e assim tornou-se membro da classe sacerdotal. José tinha agora cerca de trinta anos de idade. Conforme José havia interpretado, vieram sete anos de fartura, durante os quais ele armazenou grande abundância de trigo em celeiros construídos para esse fim. Esses anos foram seguidos por sete anos de fome "sobre toda a face da terra", quando "todas as nações vieram ao Egito, a José, para comprar trigo" (Gn 41:56, 57; 47:13, 14). Assim, "José recolheu todo o dinheiro que havia na terra do Egito e na terra de Canaã, pelo trigo que compraram". Posteriormente, todo o gado e toda a terra e, por fim, os próprios egípcios, tornaram-se propriedade de Faraó. Durante este período de fome, os irmãos de José também desceram ao Egito para comprar trigo. A história de suas tratativas com eles, e a maneira como ele finalmente se deu a conhecer, é uma das narrativas mais interessantes que se pode ler (Gên. 42-45). José instruiu seus irmãos a retornarem e trouxessem Jacó e sua família para a terra do Egito, dizendo: "Dar-vos-ei o melhor da terra do Egito, e comereis a gordura da terra. Não vos preocupeis com os vossos bens; pois todo o melhor da terra é vosso". Consequentemente, Jacó e sua família, num total de setenta almas, juntamente com "tudo o que possuíam", desceram ao Egito. Eles se estabeleceram na terra de Gósen, onde José encontrou seu pai e "lançou-se ao seu pescoço, e chorou no seu pescoço por longo tempo" (Gên. 46:29). As escavações do Dr. Naville mostraram que a terra de Gósen é o Uadi Tumilat, entre Ismailia e Zagazig. Em Gósen (Qosem egípcio), eles tinham pastagens para seus rebanhos, estavam próximos à fronteira asiática do Egito e afastados do caminho do povo egípcio. Uma inscrição refere-se a este local como um distrito cedido aos pastores nômades da Ásia. Jacó finalmente morreu e, em cumprimento de uma promessa que ele havia exigido, José subiu a Canaã para enterrar seu pai no "campo de Efrão, o hitita" (Gên. 47:29-31; 50:1-14). Este foi o último ato registrado de José, que retornou novamente ao Egito. "A História dos Dois Irmãos", um romance egípcio escrito para o filho do Faraó da Opressão, contém um episódio muito semelhante ao relato bíblico do tratamento de José pela esposa de Potifar. Potifar e Potiferá são o egípcio Pa-tu-pa-Ra, "o dom do deus-sol". O nome dado a José, Zafenate-Paneia, é provavelmente o egípcio Zaf-nti-pa-ankh, "sustentador do ser vivo", isto é, do Faraó. Há muitos exemplos nas inscrições de estrangeiros no Egito recebendo nomes egípcios e ascendendo aos mais altos cargos do Estado. Com sua esposa Asenate, José teve dois filhos, Manassés e Efraim (Gên. 41:50). Tendo José obtido a promessa de seus irmãos de que, quando chegasse o momento em que Deus os "levaria para a terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó", eles levariam seus ossos para fora do Egito, ele finalmente morreu, aos cento e dez anos de idade; e "embalsamaram-no, e foi colocado em um caixão" (Gên. 50:26). Esta promessa foi fielmente cumprida. Seus descendentes, muito tempo depois, quando ocorreu o Êxodo, carregaram o corpo consigo durante seus quarenta anos de peregrinação e, finalmente, enterraram-no em Siquém, na parcela de terra que Jacó comprou dos filhos de Hamor (Josué 24:32; comp. Gên. 33:19). Com a morte de José, encerrou-se a era patriarcal da história de Israel. O Faraó da ascensão de José foi provavelmente Apepi, ou Apópis, o último dos reis Hicsos. Alguns, porém, pensam que José chegou ao Egito no reinado de Tutmés III (veja FARAÓ), muito depois da expulsão dos Hicsos. O nome José denota as duas tribos de Efraim e Manassés em Deut. 33:13-17; o reino de Israel em Ezeq. 37:16, 19, Amós 5:6; e todo o povo da aliança de Israel no Sl. 81:4. (2.) Um dos filhos de Asafe, chefe da primeira divisão de músicos sagrados (1 Cr. 25:2, 9). (3.) O filho de Judá e pai de Semei (Lucas 3:26). Outros dois de mesmo nome na ancestralidade de Cristo também são mencionados (3:24, 30). (4.) O pai adotivo de nosso Senhor (Mt 1:16; Lc 3:23). Ele viveu em Nazaré, na Galileia (Lc 2:4). É chamado de um "homem justo". Era, por profissão, carpinteiro (Mt 13:55). É mencionado pela última vez em relação à viagem a Jerusalém, quando Jesus tinha doze anos. É provável que tenha morrido antes de Jesus iniciar seu ministério público. Isso se conclui do fato de que apenas Maria estava presente na festa de casamento em Caná da Galileia. Seu nome não aparece em relação às cenas da crucificação juntamente com o de Maria (q.v.), João 19:25. (5.) Natural de Arimateia, provavelmente a Ramá do Antigo Testamento (1 Sam. 1:19), homem de posses e membro do Sinédrio (Mt 27:57; Lc 23:50), um "conselheiro honrado, que aguardava o reino de Deus". Assim que ouviu as notícias da morte de Cristo, ele "entrou ousadamente" (lit. "tendo reunido coragem, ele foi") "a Pilatos, e pediu o corpo de Jesus". Tendo Pilatos confirmado com o centurião que a morte realmente ocorrera, concedeu o pedido de José, que imediatamente, tendo adquirido linho fino (Mc 15:46), dirigiu-se ao Gólgota para retirar o corpo da cruz. Ali, auxiliado por Nicodemos, ele retirou o corpo e envolveu-o no linho fino, ungindo-o com a mirra e o aloés que Nicodemos trouxera (Jo 19:39), e então transportou o corpo para o novo sepulcro escavado pelo próprio José na rocha, em seu jardim próximo. Ali o depositaram, na presença de Maria Madalena, Maria, mãe de José, e outras mulheres, e rolaram uma grande pedra na entrada, e partiram (Lc 23:53, 55). Isso foi feito com pressa, "pois o sábado se aproximava" (cf. Is 53:9). (6.) Sobrenome Barsabás (Atos 1:23); também chamado de Justo. Ele foi um daqueles que "acompanharam os apóstolos todo o tempo em que o Senhor Jesus entrou e saiu entre eles" (Atos 1:21), e foi um dos candidatos ao lugar de Judas....
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Perdão
O perdão dos pecados concedido gratuitamente (Is 43:25), prontamente (Ne 9:17; Sl 86:5), abundantemente (Is 55:7; Rm 5:20). O perdão é um ato de um soberano, em pura soberania, concedendo simplesmente a remissão da penalidade devida ao pecado, mas não assegurando honra nem recompensa ao perdoado. A Justificação (q.v.), por outro lado, é o ato de um juiz, e não de um soberano, e inclui o perdão e, ao mesmo tempo, um título a todas as recompensas e bênçãos prometidas na aliança da vida....
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A fé é, em geral, a persuasão da mente de que certa afirmação é verdadeira (Fil. 1:27; 2 Tess. 2:13). Sua ideia primária é a confiança. Algo é verdadeiro e, portanto, digno de confiança. Ela admite muitos graus, até a plena certeza da fé, de acordo com a evidência na qual se baseia. A fé é o resultado do ensino (Rm 10:14-17). O conhecimento é um elemento essencial em toda fé, e às vezes é mencionado como um equivalente à fé (Jo 10:38; 1 Jo 2:3). No entanto, as duas se distinguem neste aspecto: que a fé inclui em si o assentimento, que é um ato da vontade além do ato do entendimento. O assentimento à verdade é da essência da fé, e o fundamento último sobre o qual repousa o nosso assentimento a qualquer verdade revelada é a veracidade de Deus. A fé histórica é a apreensão e o assentimento a certas afirmações que são consideradas meros fatos da história. A fé temporária é aquele estado mental que é despertado nos homens (ex: Félix) pela exposição da verdade e pela influência da simpatia religiosa, ou por aquilo que às vezes é denominado a operação comum do Espírito Santo. A fé salvífica é assim chamada porque tem a vida eterna inseparavelmente conectada a ela. Não pode ser melhor definida do que nas palavras do Breve Catecismo da Assembleia: "A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual recebemos e descansamos somente nele para a salvação, conforme ele nos é oferecido no evangelho." O objeto da fé salvadora é toda a Palavra revelada de Deus. A fé a aceita e nela crê como a verdade mais segura. Mas o ato especial de fé que une a Cristo tem como seu objeto a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo (João 7:38; Atos 16:31). Este é o ato específico de fé pelo qual um pecador é justificado diante de Deus (Rm 3:22, 25; Gl 2:16; Fp 3:9; Jo 3:16-36; At 10:43; 16:31). Neste ato de fé, o crente apropria-se e descansa somente em Cristo como Mediador em todos os seus ofícios. Este assentimento ou crença na verdade recebida mediante o testemunho divino sempre esteve associado a um profundo senso de pecado, a uma visão distinta de Cristo, a uma vontade consentinte e a um coração amoroso, juntamente com a confiança em, o confiar em, ou o repousar em Cristo. É esse estado de espírito no qual um pobre pecador, consciente de seu pecado, foge de si mesmo, culpado, para Cristo, seu Salvador, e lança sobre Ele o fardo de todos os seus pecados. Consiste principalmente, não no assentimento dado ao testemunho de Deus em Sua Palavra, mas em abraçar, com confiança e dependência fiduciais, o único e só Salvador que Deus revela. Esta confiança e dependência são a essência da fé. Pela fé, o crente apropria-se de Cristo, direta e imediatamente, como seu. A fé, em seu ato direto, torna Cristo nosso. Não é uma obra que Deus graciosamente aceite em vez de uma obediência perfeita, mas é apenas a mão com a qual nos agarramos à pessoa e à obra de nosso Redentor como o único fundamento de nossa salvação. A fé salvadora é um ato moral, pois provém de uma vontade renovada, e uma vontade renovada é necessária para o assentimento crente à verdade de Deus (1 Cor. 2:14; 2 Cor. 4:4). A fé, portanto, reside na parte moral de nossa natureza tanto quanto na intelectual. A mente deve primeiro ser iluminada pelo ensino divino (João 6:44; Atos 13:48; 2 Cor. 4:6; Ef. 1:17, 18) antes que possa discernir as coisas do Espírito. A fé é necessária para a nossa salvação (Marcos 16:16), não porque haja nela qualquer mérito, mas simplesmente porque é o pecador ocupando o lugar que lhe foi atribuído por Deus, alinhando-se ao que Deus está fazendo. A garantia ou fundamento da fé é o testemunho divino, não a razoabilidade do que Deus diz, mas o simples fato de que ele o diz. A fé repousa imediatamente sobre: "Assim diz o Senhor". Mas, para que essa fé ocorra, a veracidade, a sinceridade e a verdade de Deus devem ser reconhecidas e apreciadas, juntamente com a sua imutabilidade. A palavra de Deus encoraja e instiga o pecador pessoalmente a tratar com Cristo como dom de Deus, a selar a união com ele, abraçá-lo, entregar-se a Cristo e tomar Cristo como seu. Essa palavra vem com poder, pois é a palavra do Deus que se revelou em suas obras, e especialmente na cruz. Deus deve ser crido por causa de sua palavra, mas também por causa de seu nome. A fé em Cristo assegura ao crente a libertação da condenação, ou a justificação diante de Deus; uma participação na vida que está em Cristo, a vida divina (João 14:19; Rom. 6:4-10; Ef. 4:15, 16, etc.); "paz com Deus" (Rom. 5:1); e a santificação (Atos 26:18; Gál. 5:6; Atos 15:9). Todos os que assim creem em Cristo certamente serão salvos (João 6:37, 40; 10:27, 28; Rom. 8:1). A fé=o evangelho (Atos 6:7; Rom. 1:5; Gál. 1:23; 1 Tim. 3:9; Judas 1:3)....
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Soberania
De Deus, seu direito absoluto de fazer todas as coisas segundo o seu próprio e benevolente prazer (Dn 4:25, 35; Rm 9:15-23; 1 Tm 6:15; Ap 4:11)....
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