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Três Arcas, Um Deus: Noé, Moisés e a Arca da Aliança

A mesma palavra hebraica — tebah — designa a Arca de Noé e o cesto de Moisés no Nilo. E a terceira arca, a da Aliança, é o aron que carrega a presença de Deus. Um fio teológico une as três: Deus salva através de caixas frágeis confiadas às águas.

18 de abril de 2026Equipe A Seara· 15 min leitura
Três Arcas, Um Deus: Noé, Moisés e a Arca da Aliança
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A Palavra Que Quase Ninguém Nota

Abra uma concordância hebraica e procure a palavra תֵּבָה (tebah). Você vai encontrá-la em apenas dois contextos em toda a Bíblia hebraica:

  1. A Arca de NoéGênesis 6:14-16
  2. O cesto de MoisésÊxodo 2:3

Nenhum outro uso. Nenhum.

Isso não é acidente. A Bíblia hebraica tem mais de 300 mil palavras. Quando uma palavra rara aparece em apenas dois lugares, os escritores bíblicos estão nos dizendo algo. Estão criando um eco deliberado — uma ponte literária entre duas histórias que aconteceram a mil anos de distância, mas que são, na essência, a mesma história.

E quando somamos a terceira arca — a Arca da Aliança (אָרוֹן, aron) — uma palavra diferente, mas com a mesma função teológica —, o retrato se completa: Deus tem o hábito sagrado de salvar o mundo inteiro dentro de caixas frágeis.


A Primeira Arca: Noé e o Dilúvio (Tebah)

"Faze para ti uma arca (תֵּבָה, tebah) de madeira de gofer; farás compartimentos na arca e a calafetarás com betume por dentro e por fora."Gênesis 6:14

A Arca de Noé não era um navio. Não tinha leme, não tinha vela, não tinha mastro. Smith a descreve como "nada mais que uma enorme casa flutuante, ou antes, uma caixa oblonga". Ela não tinha mecanismo de direção porque não era Noé quem decidia o destino — era Deus quem levava a caixa aonde quisesse.

Os detalhes construtivos reforçam o ponto:

  • Madeira de gofer (cipreste) — leve e resistente à água
  • Betume (kopher, כֹּפֶר) por dentro e por fora — impermeabilização total
  • Três andares com compartimentos (qinnim, "ninhos") — ordem dentro do caos
  • Uma porta lateral — por onde Deus, pessoalmente, fechou Noé por dentro (Gn 7:16)

O que Noé sabia, e o que poderia ter dito: "Eu entrei numa caixa selada com betume sem saber quando a porta seria aberta novamente. Passei um ano inteiro no escuro, ouvindo a água. E Deus, que fechou a porta, também a abriu."


A Segunda Arca: Moisés e o Nilo (Tebah)

"Não podendo, porém, escondê-lo por mais tempo, tomou uma arca (תֵּבָה, tebah) de juncos, e a calafetou com betume e pez; e, pondo nela o menino, a depositou nos juncos à beira do rio."Êxodo 2:3

Mil anos depois de Noé, uma mãe levita faz a mesma coisa. A mesma palavra. O mesmo material. A mesma entrega.

Joquebede não construiu um barco para Moisés. Construiu uma tebah — uma caixa selada com betume — e a colocou nas águas, sem controle sobre para onde iria. Assim como Noé dentro da tebah no Dilúvio, o bebê Moisés dentro da tebah no Nilo não tinha poder algum sobre seu destino. Ambos estavam trancados numa caixa frágil, à mercê das águas, sustentados apenas pela providência de Deus.

As correspondências são cirúrgicas:

Elemento Arca de Noé (Gn 6) Cesto de Moisés (Êx 2)
Palavra hebraica תֵּבָה (tebah) תֵּבָה (tebah)
Material selante Betume (kopher) Betume e pez (chemar va-zepheth)
Conteúdo O futuro da humanidade (8 pessoas) O futuro de Israel (1 bebê)
Meio Águas do Dilúvio (juízo) Águas do Nilo (decreto de morte)
Quem controla o destino Deus Deus
Resultado Preservação da raça humana Preservação do libertador de Israel
Primeiro ato ao sair Noé ergue altar e sacrifica Moisés é criado no palácio do inimigo

O padrão divino é claro: quando Deus quer salvar o mundo, Ele coloca a salvação numa caixa frágil e a entrega às águas.

A fé exigida de Joquebede é a mesma exigida de Noé: construir algo que só faz sentido se Deus existir, e soltar os dedos.


A Terceira Arca: A Presença de Deus entre os Homens (Aron)

"Também farão uma arca (אָרוֹן, aron) de madeira de acácia; de dois côvados e meio será o seu comprimento, e de côvado e meio, a sua largura, e de côvado e meio, a sua altura."Êxodo 25:10

A terceira arca usa uma palavra hebraica diferente: aron (אָרוֹן), que significa simplesmente "caixa" ou "baú" (a mesma palavra aparece para o caixão de José em Gn 50:26 e para a caixa de coleta do templo em 2 Rs 12:9-10). Mas a função teológica é a mesma: uma caixa que carrega a presença salvadora de Deus.

A Arca da Aliança era a peça mais sagrada do Tabernáculo — e mais tarde, do Templo de Salomão. Dentro dela havia:

Acima dela, dois querubins de ouro batido estendiam suas asas, formando o propiciatório (kapporeth) — o lugar onde o sangue da expiação era aspergido no Dia da Expiação (Lv 16:2). A cobertura de ouro da Arca era, literalmente, o trono de Deus na terra.

Se Noé pudesse ver essa terceira arca, ele reconheceria algo familiar:

Aspecto Tebah de Noé Aron da Aliança
Material Madeira de gofer, coberta de betume Madeira de acácia, coberta de ouro
O que protege A humanidade do juízo A Lei de Deus e Sua presença
Quem fecha/abre Deus fecha a porta (Gn 7:16) Somente o sumo sacerdote entra (Lv 16:2)
Localização Flutuando sobre as águas do juízo Repousando no Santo dos Santos
Significado para a humanidade Salva de Deus (do juízo) Leva a Deus (reconciliação)

O Diálogo Imaginário: Noé e Moisés

Noé e Moisés nunca se encontraram. Estão separados por quase mil anos de história. Mas se pudessem conversar, imagino que o diálogo seria mais ou menos assim:


MOISÉS: Quando minha mãe me colocou naquele cesto no Nilo, ela usou a mesma palavra que Deus usou contigo. Tebah.

NOÉ: Eu sei. Não é coincidência. Deus tem esse costume — colocar o futuro dentro de caixas frágeis. A minha era de cipreste. A tua era de junco. Nenhuma das duas deveria ter funcionado.

MOISÉS: A minha tinha três meses de vida dentro. A tua, oito almas e o resto do mundo.

NOÉ: A diferença de tamanho não importa. O que importa é que nenhuma das duas tinha leme. Você não podia remar. Eu não podia navegar. Nós dois estávamos dentro de uma caixa selada, sobre águas que não controlávamos, esperando que Deus levasse a caixa para onde Ele quisesse.

MOISÉS: E Ele levou a minha direto para as mãos da filha do homem que queria me matar.

NOÉ: [sorrindo] Ele levou a minha para o topo de uma montanha onde não havia nada. Pense nisso: eu saí da Arca e vi um mundo vazio. Você saiu do cesto e foi criado no palácio do inimigo. Nos dois casos, Deus tinha um plano que não fazia sentido nenhum na hora.

MOISÉS: Falando em arca... Deus me mandou construir uma terceira. Diferente das nossas. De acácia, coberta de ouro. Com querubins por cima.

NOÉ: O que ela carrega?

MOISÉS: A Lei. O maná. A vara de Arão. Mas na verdade... ela carrega a presença d'Ele. O sangue da expiação é aspergido sobre ela uma vez por ano. É onde o céu toca a terra.

NOÉ: [em silêncio por um momento] Então ela é o contrário da minha.

MOISÉS: Como assim?

NOÉ: A minha tebah salvou os homens do juízo de Deus. A tua aron leva os homens até a presença de Deus. A minha era para escapar. A tua é para entrar.

MOISÉS: E o que fez a ponte entre as duas?

NOÉ: O altar. Quando eu saí da Arca, a primeira coisa que fiz foi erguer um altar e sacrificar. E Deus respondeu com uma aliança. O arco-íris. A promessa de que nunca mais destruiria a terra com água. Sem sangue no altar, não haveria aliança. Sem aliança, não haveria tua arca de ouro.

MOISÉS: [pensativo] Betume, ouro e sangue. Três revestimentos. Três arcas. Um Deus.


O Fio Teológico

As três arcas revelam um padrão progressivo na revelação de Deus:

1. Tebah de Noé → Deus salva da destruição

A primeira arca carrega a humanidade através das águas do juízo. Deus preserva o remanescente. A ênfase está na sobrevivência. A madeira é rústica, o selante é betume, e o destino é incerto. O ocupante não sabe para onde vai — apenas que está protegido.

Correspondência no Novo Testamento: Pedro usa a arca de Noé como tipo do batismo — "a qual, figurando o batismo, agora também vos salva" (1 Pedro 3:21). Assim como oito almas passaram pela água e viveram, o cristão passa pelo batismo e renasce.

2. Tebah de Moisés → Deus salva para uma missão

A segunda arca carrega um indivíduo através de águas hostis — mas com um propósito: salvá-lo para que ele salve uma nação. Moisés é preservado não para sobreviver quieto, mas para confrontar o Faraó, abrir o Mar Vermelho e guiar Israel ao Sinai. O cesto no Nilo é uma arca com destino.

Correspondência no Novo Testamento: Cristo, como Moisés, é salvo da morte na infância (fuga para o Egito, Mt 2:13-15) para cumprir uma missão redentora universal.

3. Aron da Aliança → Deus habita no meio do povo

A terceira arca não flutua. Ela repousa. Não carrega humanos — carrega a presença de Deus. Está coberta de ouro, não de betume. É tocada por sangue, não por água. Onde ela vai, Deus vai: as águas do Jordão se abrem diante dela (Josué 3:15-16), os muros de Jericó caem ao redor de sua procissão (Josué 6), e a glória de Deus desce sobre o Templo quando ela é depositada no Santo dos Santos (1 Reis 8:10-11).

Correspondência no Novo Testamento: João diz que "o Verbo se fez carne e habitou (tabernaculou) entre nós" (João 1:14). Cristo é a Arca final — o lugar onde a presença de Deus habita em forma humana, sem barreira, sem véu, sem querubim de guarda. Nele estão a Lei cumprida, o Pão da vida e a Ressurreição que floresceu.


De Betume a Ouro: A Progressão da Graça

Comparação visual entre a Arca de Noé, o cesto de Moisés e a Arca da Aliança
O padrão da salvação bíblica: esconder algo infinitamente valioso — a raça humana, o libertador, ou a glória de Deus — dentro de uma caixa entregue à soberania de Deus.
Arca Revestimento O que protege Resultado
Noé (tebah) Betume A humanidade do juízo Uma nova terra
Moisés (tebah) Betume e pez O libertador do genocídio Uma nação liberta
Aliança (aron) Ouro puro A presença de Deus Deus habita com o povo
Cristo (Jo 1:14) Carne humana A divindade plena Deus habita como homem

O revestimento muda — de betume a ouro a carne — mas a função é sempre a mesma: esconder algo infinitamente valioso dentro de algo aparentemente frágil.

Noé dentro de uma caixa de madeira no meio de um oceano de juízo. Moisés dentro de um cesto de juncos no meio de um rio de morte. A Lei de Deus dentro de uma caixa de acácia no meio de um deserto. O Filho de Deus dentro de um corpo humano no meio de um mundo caído.


FAQ

Por que a mesma palavra (tebah) é usada para a arca de Noé e o cesto de Moisés? A maioria dos estudiosos concorda que é uma conexão literária intencional feita pelo autor de Gênesis/Êxodo (tradicionalmente Moisés). A repetição da palavra rara cria uma tipologia: assim como a tebah de Noé salvou a humanidade das águas do juízo, a tebah de Moisés salvou o libertador das águas da morte. O padrão é: Deus protege dentro de caixas frágeis entregues às águas.

A Arca da Aliança usa a mesma palavra que a Arca de Noé? Não. A Arca da Aliança usa aron (אָרוֹן), que é o termo genérico para "caixa" ou "baú". Já a Arca de Noé usa tebah (תֵּבָה), palavra provavelmente derivada do egípcio tba ("caixa, baú"). Embora as palavras sejam diferentes, a função teológica — proteger algo santo dentro de uma estrutura de madeira — é paralela.

Noé e Moisés foram contemporâneos? Não. Noé viveu aproximadamente no terceiro milênio a.C. e Moisés por volta de 1500-1400 a.C. São separados por quase mil anos. A conversa imaginária neste artigo é um recurso literário para explorar as conexões teológicas entre suas histórias.

O que significa que Cristo é a "Arca final"? Assim como as três arcas bíblicas carregavam algo precioso dentro de uma estrutura frágil, Cristo carregou a plenitude da divindade dentro de um corpo humano (Colossenses 2:9). Ele é o cumprimento dos três tipos: salvou a humanidade do juízo (como a arca de Noé), veio com uma missão redentora (como o cesto de Moisés), e é a habitação de Deus entre os homens (como a Arca da Aliança). João 1:14 — "O Verbo se fez carne e tabernaculou entre nós."


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📖 No Dicionário

Gênesis
Os cinco livros de Moisés eram chamados coletivamente de Pentateuco, uma palavra de origem grega que significa "o livro quíntuplo". Os judeus os chamavam de Torá, isto é, "a lei". É provável que a divisão da Torá em cinco livros tenha procedido dos tradutores gregos do Antigo Testamento. Os nomes pelos quais esses diversos livros são geralmente conhecidos são gregos. O primeiro livro do Pentateuco (q.v.) é chamado pelos judeus Bereshith, isto é, "no princípio", porque esta é a primeira palavra do livro. É geralmente conhecido entre os cristãos pelo nome de Gênesis, isto é, "criação" ou "geração", sendo o nome dado a ele na LXX para designar seu caráter, porque apresenta um relato da origem de todas as coisas. Contém, de acordo com a computação usual, a história de cerca de dois mil trezentos e sessenta e nove anos. Gênesis divide-se em duas partes principais. A primeira parte (1-11) apresenta uma história geral da humanidade até a época da Dispersão. A segunda parte apresenta a história primitiva de Israel até a morte e o sepultamento de José (12-50). Há cinco pessoas principais apresentadas sucessivamente em nossa atenção neste livro, e em torno dessas pessoas a história dos períodos sucessivos está agrupada, a saber: Adão (1-3), Noé (4-9), Abraão (10-25:18), Isaque (25:19-35:29) e Jacó (36-50). Neste livro, temos diversas profecias concernentes a Cristo (3:15; 12:3; 18:18; 22:18; 26:4; 28:14; 49:10). O autor deste livro foi Moisés. Sob a guia divina, ele pode, de fato, ter sido levado a fazer uso de materiais já existentes em documentos primevos, ou mesmo de tradições em forma confiável que haviam chegado ao seu tempo, purificando-as de tudo o que fosse indigno; mas a mão de Moisés é claramente vista em toda a sua composição. Genesaré Um jardim de riquezas. (1.) Uma cidade de Naftali, chamada Quinerete (Josué 19:35), às vezes na forma plural Quinerote (11:2). Em tempos posteriores, o nome foi gradualmente alterado para Genezar e Genesaré (Lucas 5:1). Esta cidade situava-se na margem ocidental do lago ao qual deu seu nome. Não resta nenhum traço dela. A planície de Genesaré tem sido chamada, por sua fertilidade e beleza, de "o Paraíso da Galileia". Atualmente é chamada de el-Ghuweir. (2.) O Lago de Genesaré, a forma helenizada de QUINERETE (v.i.). (Veja MAR DA GALILEIA )....
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Êxodo
O grande livramento operado para os filhos de Israel quando foram tirados da terra do Egito com "mão forte e com braço estendido" (Êx 12:51; Deut. 26:8; Sl 114; 136), por volta de 1490 a.C., e quatrocentos e oitenta anos (1 Reis 6:1) antes da construção do templo de Salomão. O tempo de sua estadia no Egito foi, de acordo com Êx 12:40, o período de quatrocentos e trinta anos. Na LXX, as palavras são: "A estadia dos filhos de Israel, que habitaram no Egito e na terra de Canaã, foi de quatrocentos e trinta anos"; e a versão samaritana diz: "A estadia dos filhos de Israel e de seus pais, que habitaram na terra de Canaã e na terra do Egito, foi de quatrocentos e trinta anos". Em Gên 15:13-16, o período é dado profeticamente (em números redondos) como quatrocentos anos. Esta passagem é citada por Estêvão em sua defesa perante o concílio (Atos 7:6). A cronologia da "estadia" é estimada de diversas formas. Aqueles que adotam o prazo mais longo calculam da seguinte forma: | Anos | | Da descida de Jacó ao Egito até a | morte de José 71 | | Da morte de José ao nascimento de | Moisés 278 | | Do nascimento de Moisés à sua fuga para | Midiã 40 | | Da fuga de Moisés ao seu retorno ao | Egito 40 | | Do retorno de Moisés ao Êxodo 1 | | 430 Outros defendem o período mais curto de duzentos e quinze anos, sustentando que o período de quatrocentos e trinta anos compreende os anos desde a entrada de Abraão em Canaã (ver LXX e Samaritano) até a descida de Jacó ao Egito. Eles calculam da seguinte forma: | Anos | | Da chegada de Abraão a Canaã ao nascimento de | Isaque 25 | | Do nascimento de Isaque ao de seus filhos gêmeos | Esaú e Jacó 60 | | Do nascimento de Jacó à descida ao | Egito 130 | | (215) | | Da descida de Jacó ao Egito à | morte de José 71 | | Da morte de José ao nascimento de Moisés 64 | | Do nascimento de Moisés ao Êxodo 80 | | No total... 430 Durante os quarenta anos da estadia de Moisés na terra de Midiã, os hebreus no Egito estavam sendo gradualmente preparados para a grande crise nacional que se aproximava. As pragas que sucessivamente caíram sobre a terra afrouxaram os grilhões com os quais Faraó os mantinha em escravidão e, finalmente, ele estava ansioso para que partissem. Mas os hebreus também precisavam agora estar prontos para ir. Eles eram pobres; por gerações haviam trabalhado para os egípcios sem salário. Pediram presentes aos seus vizinhos ao redor (Êx 12:35), e estes lhes foram prontamente concedidos. E então, como o primeiro passo em direção à sua organização nacional independente, observaram a festa da Páscoa, que foi agora instituída como um memorial perpétuo. O sangue do cordeiro pascal foi devidamente aspergido nos umbrais e vergas de todas as suas casas, e todos estavam dentro, aguardando o próximo movimento na execução do plano de Deus. Finalmente, o último golpe caiu sobre a terra do Egito. "Aconteceu que, à meia-noite, Jeová feriu todos os primogênitos na terra do Egito." Faraó levantou-se durante a noite, e chamou por Moisés e Arão durante a noite, e disse: "Levantai-vos e saí do meio do meu povo, tanto vós quanto os filhos de Israel; e ide, servi a Jeová, como dissestes. Tomai também os vossos rebanhos e as vossas manadas, como dissestes, e ide-vos; e abençolai-me também." Assim, Faraó (q.v.) foi completamente humilhado e abatido. Estas palavras que ele dirigiu a Moisés e Arão "parecem transparecer através das lágrimas do rei humilhado, enquanto ele lamentava seu filho arrebatado dele por uma morte tão súbita, e tremer com a sensação de impotência que sua alma orgulhosa finalmente sentiu quando a mão vingadora de Deus visitou até mesmo o seu palácio". Os egípcios aterrorizados instaram agora a partida imediata dos hebreus. No meio da festividade da Páscoa, antes do alvorecer do 15º dia do mês de Abibe (aproximadamente nosso abril), que passaria a ser para eles, doravante, o início do ano, visto que era o começo de uma nova época em sua história, cada família, com tudo o que lhe pertencia, estava pronta para a marcha, a qual começou instantaneamente sob a liderança dos chefes das tribos com suas diversas subdivisões. Eles avançaram, aumentando à medida que progrediam de todos os distritos de Gósen, por onde estavam dispersos, em direção ao centro comum. Três ou quatro dias talvez tenham transcorrido antes que todo o corpo do povo estivesse reunido em Ramessés, e pronto para partir sob a liderança de seu guia, Moisés (Êx 12:37; Núm 33:3). Esta cidade era, naquela época, a residência da corte egípcia, e foi aqui que ocorreram as entrevistas entre Moisés e o Faraó. De Ramsés, eles viajaram para Sucote (Êx 12:37), identificada com Tel-el-Maskhuta, a cerca de 12 milhas a oeste de Ismailia. (Veja PITOM.) Sua terceira estação foi Etã (q.v.), 13:20, "na orla do deserto", e provavelmente ficava um pouco a oeste da moderna cidade de Ismailia, no Canal de Suez. Aqui, eles foram ordenados a "voltar e acampar diante de Pi-Hahirote, entre Migdol e o mar", isto é, a mudar sua rota de leste para o sul rigoroso. O Senhor assumiu então a direção de sua marcha na coluna de nuvem durante o dia e de fogo durante a noite. Foram então conduzidos ao longo da margem oeste do Mar Vermelho até chegarem a um amplo local de acampamento "diante de Pi-Hahirote", a cerca de 40 milhas de Etã. Esta distância a partir de Etã pode ter levado três dias para ser percorrida, pois o número de locais de acampamento não indica, de modo algum, o número de dias gastos na jornada: por exemplo, levou um mês inteiro para viajar de Ramsés ao deserto de Sim (Êx 16:1), embora se faça referência a apenas seis locais de acampamento durante todo esse tempo. O local exato de seu acampamento antes de cruzarem o Mar Vermelho não pode ser determinado. Provavelmente ficava em algum lugar próximo ao atual local de Suez....
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Salvação
Esta palavra é usada para a libertação dos israelitas dos egípcios (Êx 14:13), e para a libertação, em geral, do mal ou do perigo. No Novo Testamento, ela é usada especialmente com referência à grande libertação da culpa e da poluição do pecado realizada por Jesus Cristo, "a grande salvação" (Hb 2:3). (Veja REDENÇÃO; REGENERAÇÃO.)...
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Noé
Descanso, (Heb. Noah) o neto de Matusalém (Gên. 5:25-29), que foi por duzentos e cinquenta anos contemporâneo de Adão, e filho de Lameque, que tinha cerca de cinquenta anos na época da morte de Adão. Este patriarca é corretamente considerado como o elo de ligação entre o mundo antigo e o novo. Ele é o segundo grande progenitor da família humana. As palavras de seu pai Lameque em seu nascimento (Gên. 5:29) têm sido consideradas, em certo sentido, proféticas, designando Noé como um tipo dAquele que é o verdadeiro "descanso e conforto" dos homens sob o fardo da vida (Mat. 11:28). Viveu quinhentos anos, e então nasceram-lhe três filhos: Sem, Cam e Jafé (Gên. 5:32). Era um "homem justo e perfeito em sua geração" e "andou com Deus" (comp. Ezeq. 14:14, 20). Mas agora os descendentes de Caim e de Sete começaram a se misturar, e então surgiu uma raça distinguida por sua impiedade. Os homens tornaram-se cada vez mais corruptos, e Deus determinou varrer da terra a sua população ímpia (Gên. 6:7). Mas com Noé, Deus estabeleceu uma aliança, com a promessa de livramento do dilúvio iminente (18). Foi, consequentemente, ordenado que construísse uma arca (6:14-16) para a salvação de si mesmo e de sua casa. Um intervalo de cento e vinte anos transcorreu enquanto a arca era construída (6:3), durante o qual Noé prestou constante testemunho contra a incredulidade e a maldade daquela geração (1 Pe 3:18-20; 2 Pe 2:5). Quando a arca de "madeira de gofer" (mencionada apenas aqui) foi finalmente concluída de acordo com o comando do Senhor, as criaturas vivas que deveriam ser preservadas entraram nela; e então Noé, sua esposa, seus filhos e noras entraram nela, e o "Senhor o fechou" (Gên. 7:16). O julgamento ameaçado caiu agora sobre o mundo culpado, "o mundo que então era, sendo inundado por águas, pereceu" (2 Pe 3:6). A arca flutuou sobre as águas por cento e cinquenta dias e então repousou sobre os montes de Ararate (Gên. 8:3, 4); mas somente após um tempo considerável foi-lhe concedida a permissão divina para deixar a arca, de modo que ele e sua família ficaram um ano inteiro encerrados nela (Gên. 6-14). Ao deixar a arca, o primeiro ato de Noé foi erguer um altar, o primeiro de que haja qualquer menção, e oferecer sacrifícios de agradecimentos adorantes e louvor a Deus, que estabeleceu com ele uma aliança, a primeira aliança entre Deus e o homem, concedendo-lhe a posse da terra por meio de um novo e especial estatuto, que permanece em vigor até o presente momento (Gên. 8:21-9:17). Como sinal e testemunho desta aliança, o arco-íris foi adotado e separado por Deus, como um penhor seguro de que jamais a terra seria destruída por um dilúvio. Mas, ai! Noé, depois disso, caiu em pecado grave (Gên. 9:21); e a conduta de Cam nesta triste ocasião levou à predição memorável a respeito de seus três filhos e seus descendentes. Noé "viveu depois do dilúvio trezentos e cinquenta anos, e morreu" (28:29). (Veja DILÚVIO). Noé, movimento, (Heb. No'ah) uma das cinco filhas de Zlofade (Núm. 26:33; 27:1; 36:11; Jos. 17:3). Nob Lugar alto, uma cidade dos sacerdotes, mencionada pela primeira vez na história das peregrinações de Davi (1 Sam. 21:1). Aqui o tabernáculo estava então estabelecido, e aqui residia o sacerdote Ahimeleque. (Veja AHIMELEQUE.) A partir de Isa. 10:28-32, parece ter ficado perto de Jerusalém. Foi identificada por alguns como el-Isawiyeh, a uma milha e meia a nordeste de Jerusalém. Mas, de acordo com Isa. 10:28-32, ficava ao sul de Geba, na estrada para Jerusalém, e à vista da cidade. Esta identificação não cumpre estas condições e, portanto, outros (como o Decano Stanley) pensam que era o cume norte do Monte das Oliveiras, o lugar onde Davi "adorou a Deus" ao fugir de Absalão (2 Sam. 15:32), ou mais provavelmente (Conder) que era a mesma que Mizpa (q.v.), Jzg. 20:1; Jos. 18:26; 1 Sam. 7:16, em Nebi Samwil, a cerca de 5 milhas a noroeste de Jerusalém. Após ter sido provido dos pães sagrados da proposição e cingindo-se da espada de Golias, que foi retirada de trás do efode, Davi fugiu de Nob e buscou refúgio na corte de Aquis, o rei de Gate, onde foi lançado na prisão. (Comp. títulos dos Sl. 34 e 56.)...
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