Um contrato ou acordo entre duas partes. No Antigo
Testamento, a palavra hebraica *berith* é sempre traduzida desta forma.
*Berith* deriva de uma raiz que significa "cortar", e, portanto, uma
aliança é um "corte", com referência ao corte ou
divisão de animais em duas partes, e as partes contratantes
passando entre eles ao firmar uma aliança (Gên 15; Jer 34:18,
19).
A palavra correspondente no grego do Novo Testamento é *diatheke*,
que é, no entanto, traduzida geralmente como "testamento" na
Versão Autorizada. Deveria ser traduzida, assim como a palavra
*berith* do Antigo Testamento, como "aliança".
Esta palavra é usada (1) para uma aliança ou pacto entre homem e homem (Gên. 21:32), ou entre tribos ou nações (1 Sam. 11:1; Jos. 9:6, 15). Ao firmar uma aliança, Jeová era solenemente invocado para testemunhar a transação (Gên. 31:50) e, por isso, ela era chamada de "aliança do Senhor" (1 Sam. 20:8). O pacto matrimonial é chamado de "a aliança de Deus" (Prov. 2:17), porque o matrimônio era realizado em nome de Deus. Fala-se de homens ímpios agindo como se tivessem feito uma "aliança com a morte" para que não os destruísse, ou com o inferno para que não os devorasse (Is. 28:15, 18).
(2.) A palavra é usada com referência à revelação de Deus de si mesmo por meio de promessa ou de favor aos homens. Assim, a promessa de Deus a Noé após o Dilúvio é chamada de aliança (Gên. 9; Jer. 33:20, "minha aliança"). Temos um relato da aliança de Deus com Abraão (Gên. 17, cf. Lev. 26:42), da aliança do sacerdócio (Núm. 25:12, 13; Deut. 33:9; Neh. 13:29) e da aliança do Sinai (Êx. 34:27, 28; Lev. 26:15), a qual foi posteriormente renovada em diferentes momentos na história de Israel (Deut. 29; Jos. 1:24; 2 Cr. 15; 23; 29; 34; Esdras 10; Neh. 9). Em conformidade com o costume humano, diz-se que a aliança de Deus é confirmada com um juramento (Deut. 4:31; Sl. 89:3) e acompanhada por um sinal (Gên. 9; 17). Por isso, a aliança é chamada de "conselho", "juramento", "promessa" de Deus (Sl. 89:3, 4; 105:8-11; Heb. 6:13-20; Lc 1:68-75). A aliança de Deus consiste inteiramente na concessão de bênção (Is. 59:21; Jer. 31:33, 34).
O termo aliança também é usado para designar a sucessão regular do dia e da noite (Jer. 33:20), o sábado (Êx. 31:16), a circuncisão (Gên. 17:9, 10) e, em geral, qualquer ordenança de Deus (Jer. 34:13, 14).
Uma "aliança de sal" significa uma aliança eterna, na selagem ou ratificação da qual o sal, como um emblema de perpetuidade, é utilizado (Núm. 18:19; Lev. 2:13; 2 Crôn. 13:5).
ALIANÇA DAS OBRAS, a constituição sob a qual Adão foi colocado em sua criação. Nesta aliança, (1.) As partes contratantes eram (a) Deus, o Governador moral, e (b) Adão, um agente moral livre e representante de toda a sua posteridade natural (Rom. 5:12-19). (2.) A promessa era a "vida" (Mt 19:16, 17; Gál. 3:12). (3.) A condição era a obediência perfeita à lei, sendo o teste, neste caso, abster-se de comer o fruto da "árvore do conhecimento", etc. (4.) A penalidade era a morte (Gên. 2:16, 17).
Esta aliança também é chamada de aliança da natureza, por ter sido feita com o homem em seu estado natural ou não caído; aliança de vida, porque a "vida" era a promessa vinculada à obediência; e aliança legal, porque exigia obediência perfeita à lei.
A "árvore da vida" era o sinal e selo exterior daquela vida que foi prometida na aliança e, portanto, é usualmente chamada de selo dessa aliança.
Este pacto está ab-rogado sob o evangelho, visto que Cristo cumpriu todas as suas condições em favor de seu povo, e agora oferece a salvação sob a condição da fé. Ele ainda está em vigor, porém, pois repousa sobre a justiça imutável de Deus, e é vinculante para todos os que não fugiram para Cristo e aceitaram a sua justiça.
PACTO DA GRAÇA, o plano eterno de redenção firmado pelas três pessoas da Divindade, e executado por elas em suas diversas partes. Nele, o Pai representou a Divindade em sua soberania indivisível, e o Filho, o seu povo, como seu fiador (João 17:4, 6, 9; Is. 42:6; Sl. 89:3).
As condições desta aliança foram, (1.) Da parte do Pai (a) toda a preparação necessária ao Filho para a realização de sua obra (Heb. 10:5; Isa. 42:1-7); (b) amparo na obra (Lucas 22:43); e (c) uma recompensa gloriosa na exaltação de Cristo quando sua obra estivesse concluída (Fil. 2:6-11), sua investidura com o domínio universal (João 5:22; Sl. 110:1), o fato de a administração da aliança ter sido confiada às suas mãos (Mat. 28:18; João 1:12; 17:2; Atos 2:33), e na salvação final de todo o seu povo (Isa. 35:10; 53:10, 11; Jer. 31:33; Tito 1:2). (2.) Da parte do Filho, as condições foram (a) a sua encarnação (Gál. 4:4, 5); e (b) como o segundo Adão, a representação de todo o seu povo, assumindo o lugar deles e assumindo todas as suas obrigações sob a aliança de obras violada; (c) a obediência à lei (Sl. 40:8; Isa. 42:21; João 9:4, 5), e (d) o sofrimento de sua penalidade (Isa. 53; 2 Cor. 5:21; Gál. 3:13), em lugar deles.
Cristo, o mediador dela, cumpre todas as suas condições em favor de seu povo e dispensa a eles todas as suas bênçãos. Em Heb. 8:6; 9:15; 12:24, este título é atribuído a Cristo. (Veja DISPENSAÇÃO.)