Pai da abundância, ou meu pai excede, filho de Ahimeleque,
o sumo sacerdote. Foi o décimo sumo sacerdote e o quarto na
descendência de Eli. Quando seu pai foi morto com os sacerdotes de
Nob, ele escapou e, levando consigo o efode, juntou-se a
Davi, que estava então na caverna de Adulão (1 Sam. 22:20-23;
23:6). Permaneceu com Davi e tornou-se sacerdote do grupo do
qual ele era o líder (1 Sam. 30:7). Quando Davi ascendeu ao
trono de Judá, Abiatar foi nomeado sumo sacerdote (1 Crôn.
15:11; 1 Reis 2:26) e "companheiro do rei" (1 Crôn. 27:34).
Enquanto isso, Zadoque, da casa de Eleazar, havia sido nomeado sumo
sacerdote. Essas nomeações continuaram em vigor até o fim do
reinado de Davi (1 Reis 4:4). Abiatar foi deposto (o único
caso histórico de deposição de um sumo sacerdote) e
banido para sua casa em Anatote por Salomão, porque participou
da tentativa de elevar Adonias ao trono. O
sacerdócio passou, assim, da casa de Itamar (1 Sam.
2:30-36; 1 Reis 1:19; 2:26, 27). Zadoque tornou-se então o único sumo
sacerdote. Em Marcos 2:26, faz-se referência a uma ocorrência nos
"dias de Abiatar, o sumo sacerdote". Mas, em 1 Sam. 22, aprendemos
explicitamente que este evento ocorreu quando Ahimeleque, o pai
de Abiatar, era o sumo sacerdote. A discrepância aparente é
satisfatoriamente explicada interpretando-se as palavras em Marcos como
referentes ao tempo de vida de Abiatar, e não ao período em que
exerceu o cargo de sumo sacerdote. Não está implícito em Marcos
que ele fosse o sumo sacerdote atual no momento referido. Outros,
contudo, pensam que os pães pertenciam a Abiatar, que era
naquela época (Lev. 24:9) um sacerdote, e que ele mesmo os
deu a Davi, ou persuadiu seu pai a entregá-los.