📖 Dicionário Bíblico de Easton

Gálatas, Epístola aos

M.G. Easton, 1897614 palavras~3 min de leituraDomínio Público

A autenticidade desta epístola não é posta em questão. Sua origem paulina é universalmente reconhecida.

Ocasião. As igrejas da Galácia foram fundadas pelo próprio Paulo (Atos 16:6; Gl 1:8; 4:13, 19). Elas parecem ter sido compostas principalmente por convertidos do paganismo (4:8), mas também, em parte, por convertidos judeus, que provavelmente, sob a influência de mestres judaizantes, buscaram incorporar os ritos do judaísmo ao cristianismo e, por seu zelo ativo, conseguiram induzir a maioria das igrejas a adotarem seus pontos de vista (1:6; 3:1). Esta epístola foi escrita com o propósito de contrariar essa tendência judaizante e de recordar aos gálatas a simplicidade do evangelho e, ao mesmo tempo, de defender a reivindicação de Paulo de ser um apóstolo comissionado divinamente.

Tempo e lugar da redação. A epístola foi provavelmente escrita logo após a segunda visita de Paulo à Galácia (Atos 18:23). As referências da epístola parecem concordar com essa conclusão. A visita a Jerusalém, mencionada em Gl 2:1-10, foi idêntica à de Atos 15, e é referida como algo do passado; consequentemente, a epístola foi escrita posteriormente ao concílio de Jerusalém. A semelhança entre esta epístola e a dirigida aos Romanos levou à conclusão de que ambas foram escritas ao mesmo tempo, a saber, no inverno de 57-58 d.C., durante a permanência de Paulo em Corinto (Atos 20:2, 3). Esta aos Gálatas foi escrita diante da urgência da ocasião, tendo chegado a ele notícias sobre o estado das coisas; e aquela aos Romanos de maneira mais deliberada e sistemática, na exposição das mesmas grandes doutrinas do evangelho.

Conteúdo de. A grande questão discutida é: a lei judaica era obrigatória para os cristãos? A epístola visa provar, contra os judeus, que os homens são justificados pela fé, sem as obras da lei de Moisés. Após uma saudação introdutória (Gál. 1:1-10), o apóstolo discute os assuntos que deram ocasião à epístola. (1) Ele defende sua autoridade apostólica (1:11-19; 2:1-14); (2) mostra a má influência dos judaizantes ao destruírem a própria essência do evangelho (3 e 4); (3) exorta os crentes gálatas a permanecerem firmes na fé, como ela é em Jesus, e a abundarem nos frutos do Espírito e no uso correto de sua liberdade cristã (5-6:1-10); (4) e, então, conclui com um resumo dos tópicos discutidos e com a bênção.

A Epístola aos Gálatas e a Epístola aos Romanos, tomadas em conjunto, "formam uma prova completa de que a justificação não deve ser obtida meritoriamente, seja por obras de moralidade ou por ritos e cerimônias, ainda que de designação divina; mas que ela é um dom gratuito, proveniente inteiramente da misericórdia de Deus, para aqueles que a recebem pela fé em Jesus, nosso Senhor".

Na conclusão da epístola (6:11), Paulo diz: "Vede que grandes são as letras com que vos escrevi de minha própria mão". Fica implícito que isso era diferente de seu uso habitual, que consistia simplesmente em escrever a saudação final com sua própria mão, indicando que o restante da epístola fora escrito por outra mão. Em relação a esta conclusão, Lightfoot, em seu Comentário sobre a epístola, diz: "Neste ponto, o apóstolo toma a pena de seu amanuense, e o parágrafo final é escrito com sua própria mão. Desde a época em que cartas começaram a ser falsificadas em seu nome (2 Tess. 2:2; 3:17), parece ter sido sua prática encerrar com algumas palavras de sua própria caligrafia, como precaução contra tais falsificações... No presente caso, ele escreve um parágrafo inteiro, resumindo as principais lições da epístola em frases concisas, fervorosas e desconexas. Ele a escreve, também, em caracteres grandes e ousados (Gr. pelikois grammasin), para que sua caligrafia possa refletir a energia e a determinação de sua alma." (Veja JUSTIFICAÇÃO.)

📚
Dicionário Bíblico de Easton
M.G. Easton · 1897 · Domínio Público · Traduzido por IA (Gemma 4) e revisado pela equipe A Seara.