(1.) Sua canonicidade. Todos os resultados das pesquisas críticas e históricas
às quais esta epístola foi especialmente submetida
reivindicam abundantemente seu direito a um lugar no cânon do Novo Testamento
entre os demais livros inspirados.
(2.) Sua autoria. Uma variedade considerável de opiniões sobre este
assunto foi apresentada em diferentes momentos. Alguns
sustentaram que seu autor foi Silas, companheiro de Paulo. Outros
a atribuíram a Clemente de Roma, ou Lucas, ou Barnabé, ou
a algum cristão alexandrino desconhecido, ou Apolo; mas a
conclusão que consideramos ser a melhor fundamentada, tanto por evidências
internas quanto externas, é que Paulo foi seu autor. Há,
sem dúvida, muitas dificuldades no caminho de aceitá-la como
sendo de Paulo; mas podemos, ao menos, argumentar com Calvino que não pode
haver dificuldade em "aceitá-la sem controvérsia como
uma das epístolas apostólicas".
(3.) Data e local de redação. Foi, com toda a probabilidade,
escrita em Roma, próximo ao fim dos dois anos de
prisão de Paulo (Hb 13:19, 24). Foi certamente escrita antes da
destruição de Jerusalém (13:10).
(4.) A quem foi endereçada. Claramente, destinava-se a convertidos judeus à fé do evangelho, provavelmente à igreja em Jerusalém. A subscrição desta epístola é, naturalmente, desprovida de autoridade. Neste caso, ela está incorreta, pois obviamente Timóteo não poderia ser o seu portador (13:23).
(5.) Seu propósito era mostrar o verdadeiro fim e significado do sistema mosaico, bem como seu caráter simbólico e transitório. Prova que o sacerdócio levítico era uma "sombra" do de Cristo, e que os sacrifícios legais prefiguravam o grande e perfeitíssimo sacrifício que ele ofereceu por nós. Explica que o evangelho foi concebido não para modificar a lei de Moisés, mas para superá-la e aboli-la. Seu ensino foi adequado, conforme planejado, para conter aquela tendência de apostatar do cristianismo e retornar ao judaísmo, a qual se manifestava agora entre certos cristãos judeus. A autoridade suprema e a glória transcendente do evangelho são claramente expostas, e de tal maneira que fortalecem e confirmam a lealdade deles a Cristo.
(6.) Consiste em duas partes: (a) doutrinária (1-10:18), (b) e prática (10:19-cap. 13). Nele encontram-se muitas referências a trechos do Antigo Testamento. Pode ser considerado como um tratado suplementar às Epístolas aos Romanos e aos Gálatas, e como um comentário inspirado sobre o livro de Levítico.