Vida-crista

Abraão e Noé: A Conversa Que a Bíblia Não Registrou

Abraão e Noé foram contemporâneos por 58 anos. A Bíblia não registra nenhum diálogo entre eles, mas a cronologia de Gênesis garante que se conheceram. O que o construtor da Arca ensinou ao pai da fé — e o que Abraão demorou para aprender?

18 de abril de 2026Equipe A Seara· 13 min leitura
Abraão e Noé: A Conversa Que a Bíblia Não Registrou
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Eles Se Conheceram?

A resposta curta é: sim, quase certamente.

A Bíblia não registra nenhum diálogo entre Noé e Abraão. Não há cena dramática, não há encontro narrado, não há sequer uma frase de Noé para o jovem Abrão. Mas a aritmética de Gênesis é implacável — e ela nos garante algo que a maioria dos cristãos nunca percebeu: Noé ainda estava vivo quando Abraão nasceu, e viveu durante os primeiros 58 anos da vida do pai da fé.

O número não é inventado. Ele sai diretamente da cronologia de Gênesis 11:10-26 e Gênesis 9:28-29. Vamos calcular.


A Prova: A Aritmética de Gênesis 11

Noé viveu 350 anos após o Dilúvio (Gênesis 9:28). A Tábua Genealógica de Gênesis 11 nos dá as idades de cada patriarca quando gerou o próximo:

Patriarca Quando gerou o próximo Referência
Sem 100 (2 anos após o Dilúvio) Gn 11:10
Arfaxade 35 Gn 11:12
Salá 30 Gn 11:14
Héber 34 Gn 11:16
Pelegue 30 Gn 11:18
Reú 32 Gn 11:20
Serugue 30 Gn 11:22
Naor 29 Gn 11:24
Tera 70 Gn 11:26

Total do Dilúvio até o nascimento de Abraão: 2 + 35 + 30 + 34 + 30 + 32 + 30 + 29 + 70 = 292 anos.

Noé viveu 350 anos após o Dilúvio. Abraão nasceu 292 anos após o Dilúvio. Logo: 350 – 292 = 58 anos de sobreposição.

Ilustração cinematográfica de um encontro entre os patriarcas Noé e Abraão sob um céu estrelado
Uma conversa que a Bíblia não registrou, mas que a cronologia permite: o construtor da Arca e o pai da nação hebraica sob o mesmo céu.

Noé morreu quando Abraão tinha aproximadamente 58 anos — uma idade em que Abrão ainda residia em Ur dos Caldeus, antes do chamado de Gênesis 12. João Calvino, no seu comentário sobre Gênesis, confirma: "Abraão tinha quase cinquenta anos quando seu ancestral Noé morreu."

Isso não é uma curiosidade aritmética. É uma revolução na forma como lemos Gênesis.


O Que Isso Muda?

Se Noé ainda estava vivo nos primeiros 58 anos de Abraão, então:

  1. Abraão cresceu num mundo que ainda tinha uma testemunha ocular do Dilúvio. Noé não era uma lenda distante — era um ancestral acessível, separado por apenas dez gerações.

  2. A transmissão oral da história pré-diluviana era direta. Noé não precisava de livros: ele viu o mundo antigo, construiu a Arca, sentiu a chuva, ouviu o silêncio de um planeta sem vida humana fora de oito pessoas.

  3. O conhecimento de Deus — Suas promessas, Seu juízo, Sua aliança do arco-íris — podia ser transmitido boca a boca, de Noé a Abraão, sem nenhuma lacuna.

O que, então, Noé teria ensinado ao jovem Abrão?


As Lições Que Noé Ensinou a Abraão

1. "Deus cumpre o que promete — mesmo quando leva 120 anos"

Noé recebeu a ordem de construir a Arca e martelou madeira por 120 anos (Gênesis 6:3) antes de ver uma gota de chuva. Cento e vinte anos é uma eternidade para esperar um cumprimento. E Noé não tinha precedente: nunca houvera um dilúvio antes. Ele obedeceu sem prova empírica.

Abraão precisaria da mesma lição. Deus lhe prometeu um filho — e ele esperou 25 anos entre a promessa (Gênesis 12:2-4, aos 75 anos) e o nascimento de Isaque (Gênesis 21:5, aos 100 anos). Vinte e cinco anos parecem pouco perto dos 120 de Noé. Mas Abraão não aguentou. No meio do caminho, tentou resolver por conta própria, gerando Ismael com Hagar (Gênesis 16).

Se Noé estivesse vivo para aconselhá-lo, talvez dissesse: "Eu esperei quatro vezes mais que você, e não inventei uma arca alternativa."

2. "Deus não salva apenas por mérito — salva por aliança"

Gênesis 6:9 diz que Noé era "justo e perfeito em suas gerações". Mas Gênesis 6:8 antecede isso com: "Noé achou graça aos olhos do Senhor." A ordem é decisiva: primeiro a graça, depois a justiça. Noé não foi salvo porque era bom. Ele era bom porque foi agraciado.

Esse princípio é exatamente o que Paulo extrairá da vida de Abraão séculos depois: "Creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isto por justiça" (Gênesis 15:6; Romanos 4:3). Abraão não se tornou justo por obras — foi declarado justo pela fé.

A lição de Noé a Abraão: o favor de Deus precede a nossa resposta, não a segue.

3. "O juízo não é teoria — eu o vi com meus olhos"

Nenhum sermão sobre juízo divino seria mais convincente do que o de um homem que viu uma civilização inteira ser varrida pela água. Noé podia descrever o som da chuva batendo na madeira da Arca por quarenta dias. Podia contar como o silêncio era ensurdecedor quando as águas pararam. Podia descrever o cheiro da terra molhada quando a porta se abriu pela primeira vez em um ano.

Abraão precisava dessa lição. Quando ele intercedeu por Sodoma (Gênesis 18:23-33), ele sabia que o juízo era real — não porque havia lido sobre ele, mas porque seu mais velho ancestral vivo sobrevivera a um juízo global.

4. "O altar vem antes da colheita"

O primeiro ato de Noé ao sair da Arca foi erguer um altar e oferecer sacrifício (Gênesis 8:20). Antes de plantar, antes de construir, antes de se estabelecer — ele adorou. Deus respondeu a esse altar com uma aliança cósmica (Gênesis 8:21–9:17).

Abraão seguiu o padrão. Em cada lugar onde armou sua tenda — Siquém, Betel, Hebrom — ele ergueu um altar (Gênesis 12:7-8; 13:4, 18). O adorador que levanta altar antes de levantar cerca é alguém que aprendeu com quem já fez isso.


As Lições Que Abraão Demorou Para Aprender

Mas se Noé foi mestre, Abraão foi o tipo de aluno que repete matéria. Há lições que ele conhecia na teoria, mas que não internalizou de imediato.

1. "Não desça ao Egito quando a promessa demora"

Quando a fome apertou em Canaã, Abraão desceu ao Egito (Gênesis 12:10). Não há registro de que Deus o mandou ir. Ele tomou uma decisão pragmática — e no Egito, sua fé implodiu. Mentiu sobre Sara, quase perdeu a matriarca para o harém do Faraó, e foi expulso com vergonha.

Noé nunca fugiu da promessa. Ele ficou dentro da Arca quando tudo parecia insustentável. Ficou quando a água subia. Ficou quando a água descia. Ficou quando a pomba voltou sem notícias. Ficou por um ano inteiro num caixão flutuante de madeira e betume. Ele sabia que abandono nunca é a resposta quando se está sob aliança.

Abraão precisou de duas lições para aprender isso (Gênesis 12 e Gênesis 20 — mentiu novamente em Gerar). Duas vezes ele fez a mesma coisa, com resultados quase idênticos.

2. "Não force o cumprimento da promessa com as próprias mãos"

Quando Sara sugeriu que Abraão tomasse Hagar para gerar um herdeiro (Gênesis 16), ele aceitou sem consultar Deus. Ismael nasceu — e com ele, uma dor que dura até hoje. O conflito entre israelitas e ismaelitas/árabes tem raízes naquele momento de impaciência.

Noé não construiu uma arca alternativa quando o projeto parecia absurdo. Não adaptou o design. Não cortou caminho. "Fez Noé segundo tudo o que Deus lhe mandara; assim o fez" (Gênesis 6:22). A obediência de Noé era completa e exata. A de Abraão, às vezes, era quase completa — e o "quase" gerou Ismael.

3. "A embriaguez da vitória é mais perigosa que a luta"

Noé sabia disso na pele. Após a maior vitória da história — sobreviver ao juízo de Deus —, ele plantou uma vinha, embriagou-se e expôs sua vergonha (Gênesis 9:20-21). O herói do Dilúvio caiu na banalidade.

Abraão não caiu na embriaguez literal, mas caiu na embriaguez do medo. Justamente ele, que derrotara quatro reis com 318 homens (Gênesis 14), não teve coragem de dizer ao Faraó que Sara era sua esposa. O guerreiro que enfrentou exércitos teve medo de um político.

A lição de Noé, se contada a Abraão, seria: "Cuidado com o dia seguinte da vitória. O diabo não ataca no campo de batalha — ataca na vinha."


O Silêncio da Escritura

A Bíblia não registra o diálogo entre eles. Não sabemos se moravam perto. Não sabemos se se viram pessoalmente. A tradição judaica (não canônica) especula que Sem — filho de Noé, que também era contemporâneo de Abraão — pode ter sido Melquisedeque, o sacerdote de Salém que abençoou Abraão em Gênesis 14. É uma identificação antiga, mas não uma certeza.

O que sabemos é o seguinte: num mundo sem Bíblia impressa, sem livros, sem internet, o conhecimento de Deus era transmitido de pai para filho, de avô para neto. E a corrente de informação que ia de Noé a Abraão era curta o suficiente para ser direta — apenas dez elos.

O homem que andou com Deus num mundo que pereceu entregou o bastão ao homem que creu em Deus num mundo que ainda estava sendo moldado.

O pregador da justiça deu lugar ao pai da fé.


FAQ

Noé e Abraão realmente se encontraram? A cronologia de Gênesis 11 garante que foram contemporâneos por aproximadamente 58 anos. Contudo, a Bíblia não registra nenhum encontro direto. É possível que Noé estivesse em outra região. O que podemos afirmar com certeza é que Abraão cresceu num mundo onde Noé ainda vivia — e a transmissão oral da história do Dilúvio era possível em primeira mão.

De onde vem o número "58 anos"? Da soma das idades de geração em Gênesis 11:10-26, que totalizam 292 anos entre o Dilúvio e o nascimento de Abraão. Como Noé viveu 350 anos após o Dilúvio (Gn 9:28), a sobreposição é de 350 – 292 = 58 anos. Calvino confirma o cálculo no seu comentário sobre Gênesis.

E Sem, filho de Noé? Também era contemporâneo de Abraão? Sim — e por ainda mais tempo. Sem viveu 502 anos após o Dilúvio (Gn 11:10-11), o que significa que ele viveu até bem depois de Abraão. Alguns intérpretes da tradição judaica identificam Sem com Melquisedeque, mas essa identificação não é confirmada pelo texto bíblico.

Por que a Bíblia não registra o diálogo entre eles? A narrativa bíblica é seletiva por design. O foco de Gênesis 12 em diante é o chamado de Abrão e o pacto particular de Deus com ele. Os antediluvianos ficam no "prólogo" (Gn 1-11), e a história patriarcal começa com uma ruptura narrativa deliberada. Mas isso não significa que Abraão desconhecia Noé — significa que o autor de Gênesis tinha outro interesse literário e teológico.


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📖 No Dicionário

Gênesis
Os cinco livros de Moisés eram chamados coletivamente de Pentateuco, uma palavra de origem grega que significa "o livro quíntuplo". Os judeus os chamavam de Torá, isto é, "a lei". É provável que a divisão da Torá em cinco livros tenha procedido dos tradutores gregos do Antigo Testamento. Os nomes pelos quais esses diversos livros são geralmente conhecidos são gregos. O primeiro livro do Pentateuco (q.v.) é chamado pelos judeus Bereshith, isto é, "no princípio", porque esta é a primeira palavra do livro. É geralmente conhecido entre os cristãos pelo nome de Gênesis, isto é, "criação" ou "geração", sendo o nome dado a ele na LXX para designar seu caráter, porque apresenta um relato da origem de todas as coisas. Contém, de acordo com a computação usual, a história de cerca de dois mil trezentos e sessenta e nove anos. Gênesis divide-se em duas partes principais. A primeira parte (1-11) apresenta uma história geral da humanidade até a época da Dispersão. A segunda parte apresenta a história primitiva de Israel até a morte e o sepultamento de José (12-50). Há cinco pessoas principais apresentadas sucessivamente em nossa atenção neste livro, e em torno dessas pessoas a história dos períodos sucessivos está agrupada, a saber: Adão (1-3), Noé (4-9), Abraão (10-25:18), Isaque (25:19-35:29) e Jacó (36-50). Neste livro, temos diversas profecias concernentes a Cristo (3:15; 12:3; 18:18; 22:18; 26:4; 28:14; 49:10). O autor deste livro foi Moisés. Sob a guia divina, ele pode, de fato, ter sido levado a fazer uso de materiais já existentes em documentos primevos, ou mesmo de tradições em forma confiável que haviam chegado ao seu tempo, purificando-as de tudo o que fosse indigno; mas a mão de Moisés é claramente vista em toda a sua composição. Genesaré Um jardim de riquezas. (1.) Uma cidade de Naftali, chamada Quinerete (Josué 19:35), às vezes na forma plural Quinerote (11:2). Em tempos posteriores, o nome foi gradualmente alterado para Genezar e Genesaré (Lucas 5:1). Esta cidade situava-se na margem ocidental do lago ao qual deu seu nome. Não resta nenhum traço dela. A planície de Genesaré tem sido chamada, por sua fertilidade e beleza, de "o Paraíso da Galileia". Atualmente é chamada de el-Ghuweir. (2.) O Lago de Genesaré, a forma helenizada de QUINERETE (v.i.). (Veja MAR DA GALILEIA )....
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A fé é, em geral, a persuasão da mente de que certa afirmação é verdadeira (Fil. 1:27; 2 Tess. 2:13). Sua ideia primária é a confiança. Algo é verdadeiro e, portanto, digno de confiança. Ela admite muitos graus, até a plena certeza da fé, de acordo com a evidência na qual se baseia. A fé é o resultado do ensino (Rm 10:14-17). O conhecimento é um elemento essencial em toda fé, e às vezes é mencionado como um equivalente à fé (Jo 10:38; 1 Jo 2:3). No entanto, as duas se distinguem neste aspecto: que a fé inclui em si o assentimento, que é um ato da vontade além do ato do entendimento. O assentimento à verdade é da essência da fé, e o fundamento último sobre o qual repousa o nosso assentimento a qualquer verdade revelada é a veracidade de Deus. A fé histórica é a apreensão e o assentimento a certas afirmações que são consideradas meros fatos da história. A fé temporária é aquele estado mental que é despertado nos homens (ex: Félix) pela exposição da verdade e pela influência da simpatia religiosa, ou por aquilo que às vezes é denominado a operação comum do Espírito Santo. A fé salvífica é assim chamada porque tem a vida eterna inseparavelmente conectada a ela. Não pode ser melhor definida do que nas palavras do Breve Catecismo da Assembleia: "A fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual recebemos e descansamos somente nele para a salvação, conforme ele nos é oferecido no evangelho." O objeto da fé salvadora é toda a Palavra revelada de Deus. A fé a aceita e nela crê como a verdade mais segura. Mas o ato especial de fé que une a Cristo tem como seu objeto a pessoa e a obra do Senhor Jesus Cristo (João 7:38; Atos 16:31). Este é o ato específico de fé pelo qual um pecador é justificado diante de Deus (Rm 3:22, 25; Gl 2:16; Fp 3:9; Jo 3:16-36; At 10:43; 16:31). Neste ato de fé, o crente apropria-se e descansa somente em Cristo como Mediador em todos os seus ofícios. Este assentimento ou crença na verdade recebida mediante o testemunho divino sempre esteve associado a um profundo senso de pecado, a uma visão distinta de Cristo, a uma vontade consentinte e a um coração amoroso, juntamente com a confiança em, o confiar em, ou o repousar em Cristo. É esse estado de espírito no qual um pobre pecador, consciente de seu pecado, foge de si mesmo, culpado, para Cristo, seu Salvador, e lança sobre Ele o fardo de todos os seus pecados. Consiste principalmente, não no assentimento dado ao testemunho de Deus em Sua Palavra, mas em abraçar, com confiança e dependência fiduciais, o único e só Salvador que Deus revela. Esta confiança e dependência são a essência da fé. Pela fé, o crente apropria-se de Cristo, direta e imediatamente, como seu. A fé, em seu ato direto, torna Cristo nosso. Não é uma obra que Deus graciosamente aceite em vez de uma obediência perfeita, mas é apenas a mão com a qual nos agarramos à pessoa e à obra de nosso Redentor como o único fundamento de nossa salvação. A fé salvadora é um ato moral, pois provém de uma vontade renovada, e uma vontade renovada é necessária para o assentimento crente à verdade de Deus (1 Cor. 2:14; 2 Cor. 4:4). A fé, portanto, reside na parte moral de nossa natureza tanto quanto na intelectual. A mente deve primeiro ser iluminada pelo ensino divino (João 6:44; Atos 13:48; 2 Cor. 4:6; Ef. 1:17, 18) antes que possa discernir as coisas do Espírito. A fé é necessária para a nossa salvação (Marcos 16:16), não porque haja nela qualquer mérito, mas simplesmente porque é o pecador ocupando o lugar que lhe foi atribuído por Deus, alinhando-se ao que Deus está fazendo. A garantia ou fundamento da fé é o testemunho divino, não a razoabilidade do que Deus diz, mas o simples fato de que ele o diz. A fé repousa imediatamente sobre: "Assim diz o Senhor". Mas, para que essa fé ocorra, a veracidade, a sinceridade e a verdade de Deus devem ser reconhecidas e apreciadas, juntamente com a sua imutabilidade. A palavra de Deus encoraja e instiga o pecador pessoalmente a tratar com Cristo como dom de Deus, a selar a união com ele, abraçá-lo, entregar-se a Cristo e tomar Cristo como seu. Essa palavra vem com poder, pois é a palavra do Deus que se revelou em suas obras, e especialmente na cruz. Deus deve ser crido por causa de sua palavra, mas também por causa de seu nome. A fé em Cristo assegura ao crente a libertação da condenação, ou a justificação diante de Deus; uma participação na vida que está em Cristo, a vida divina (João 14:19; Rom. 6:4-10; Ef. 4:15, 16, etc.); "paz com Deus" (Rom. 5:1); e a santificação (Atos 26:18; Gál. 5:6; Atos 15:9). Todos os que assim creem em Cristo certamente serão salvos (João 6:37, 40; 10:27, 28; Rom. 8:1). A fé=o evangelho (Atos 6:7; Rom. 1:5; Gál. 1:23; 1 Tim. 3:9; Judas 1:3)....
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Aliança
Um contrato ou acordo entre duas partes. No Antigo Testamento, a palavra hebraica *berith* é sempre traduzida desta forma. *Berith* deriva de uma raiz que significa "cortar", e, portanto, uma aliança é um "corte", com referência ao corte ou divisão de animais em duas partes, e as partes contratantes passando entre eles ao firmar uma aliança (Gên 15; Jer 34:18, 19). A palavra correspondente no grego do Novo Testamento é *diatheke*, que é, no entanto, traduzida geralmente como "testamento" na Versão Autorizada. Deveria ser traduzida, assim como a palavra *berith* do Antigo Testamento, como "aliança". Esta palavra é usada (1) para uma aliança ou pacto entre homem e homem (Gên. 21:32), ou entre tribos ou nações (1 Sam. 11:1; Jos. 9:6, 15). Ao firmar uma aliança, Jeová era solenemente invocado para testemunhar a transação (Gên. 31:50) e, por isso, ela era chamada de "aliança do Senhor" (1 Sam. 20:8). O pacto matrimonial é chamado de "a aliança de Deus" (Prov. 2:17), porque o matrimônio era realizado em nome de Deus. Fala-se de homens ímpios agindo como se tivessem feito uma "aliança com a morte" para que não os destruísse, ou com o inferno para que não os devorasse (Is. 28:15, 18). (2.) A palavra é usada com referência à revelação de Deus de si mesmo por meio de promessa ou de favor aos homens. Assim, a promessa de Deus a Noé após o Dilúvio é chamada de aliança (Gên. 9; Jer. 33:20, "minha aliança"). Temos um relato da aliança de Deus com Abraão (Gên. 17, cf. Lev. 26:42), da aliança do sacerdócio (Núm. 25:12, 13; Deut. 33:9; Neh. 13:29) e da aliança do Sinai (Êx. 34:27, 28; Lev. 26:15), a qual foi posteriormente renovada em diferentes momentos na história de Israel (Deut. 29; Jos. 1:24; 2 Cr. 15; 23; 29; 34; Esdras 10; Neh. 9). Em conformidade com o costume humano, diz-se que a aliança de Deus é confirmada com um juramento (Deut. 4:31; Sl. 89:3) e acompanhada por um sinal (Gên. 9; 17). Por isso, a aliança é chamada de "conselho", "juramento", "promessa" de Deus (Sl. 89:3, 4; 105:8-11; Heb. 6:13-20; Lc 1:68-75). A aliança de Deus consiste inteiramente na concessão de bênção (Is. 59:21; Jer. 31:33, 34). O termo aliança também é usado para designar a sucessão regular do dia e da noite (Jer. 33:20), o sábado (Êx. 31:16), a circuncisão (Gên. 17:9, 10) e, em geral, qualquer ordenança de Deus (Jer. 34:13, 14). Uma "aliança de sal" significa uma aliança eterna, na selagem ou ratificação da qual o sal, como um emblema de perpetuidade, é utilizado (Núm. 18:19; Lev. 2:13; 2 Crôn. 13:5). ALIANÇA DAS OBRAS, a constituição sob a qual Adão foi colocado em sua criação. Nesta aliança, (1.) As partes contratantes eram (a) Deus, o Governador moral, e (b) Adão, um agente moral livre e representante de toda a sua posteridade natural (Rom. 5:12-19). (2.) A promessa era a "vida" (Mt 19:16, 17; Gál. 3:12). (3.) A condição era a obediência perfeita à lei, sendo o teste, neste caso, abster-se de comer o fruto da "árvore do conhecimento", etc. (4.) A penalidade era a morte (Gên. 2:16, 17). Esta aliança também é chamada de aliança da natureza, por ter sido feita com o homem em seu estado natural ou não caído; aliança de vida, porque a "vida" era a promessa vinculada à obediência; e aliança legal, porque exigia obediência perfeita à lei. A "árvore da vida" era o sinal e selo exterior daquela vida que foi prometida na aliança e, portanto, é usualmente chamada de selo dessa aliança. Este pacto está ab-rogado sob o evangelho, visto que Cristo cumpriu todas as suas condições em favor de seu povo, e agora oferece a salvação sob a condição da fé. Ele ainda está em vigor, porém, pois repousa sobre a justiça imutável de Deus, e é vinculante para todos os que não fugiram para Cristo e aceitaram a sua justiça. PACTO DA GRAÇA, o plano eterno de redenção firmado pelas três pessoas da Divindade, e executado por elas em suas diversas partes. Nele, o Pai representou a Divindade em sua soberania indivisível, e o Filho, o seu povo, como seu fiador (João 17:4, 6, 9; Is. 42:6; Sl. 89:3). As condições desta aliança foram, (1.) Da parte do Pai (a) toda a preparação necessária ao Filho para a realização de sua obra (Heb. 10:5; Isa. 42:1-7); (b) amparo na obra (Lucas 22:43); e (c) uma recompensa gloriosa na exaltação de Cristo quando sua obra estivesse concluída (Fil. 2:6-11), sua investidura com o domínio universal (João 5:22; Sl. 110:1), o fato de a administração da aliança ter sido confiada às suas mãos (Mat. 28:18; João 1:12; 17:2; Atos 2:33), e na salvação final de todo o seu povo (Isa. 35:10; 53:10, 11; Jer. 31:33; Tito 1:2). (2.) Da parte do Filho, as condições foram (a) a sua encarnação (Gál. 4:4, 5); e (b) como o segundo Adão, a representação de todo o seu povo, assumindo o lugar deles e assumindo todas as suas obrigações sob a aliança de obras violada; (c) a obediência à lei (Sl. 40:8; Isa. 42:21; João 9:4, 5), e (d) o sofrimento de sua penalidade (Isa. 53; 2 Cor. 5:21; Gál. 3:13), em lugar deles. Cristo, o mediador dela, cumpre todas as suas condições em favor de seu povo e dispensa a eles todas as suas bênçãos. Em Heb. 8:6; 9:15; 12:24, este título é atribuído a Cristo. (Veja DISPENSAÇÃO.)...
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Abraão
Pai de uma multidão, filho de Terá, mencionado (Gên. 11:27) antes de seus irmãos mais velhos, Naor e Harã, por ser o herdeiro das promessas. Até os setenta anos, Abrão habitou entre seus parentes em sua terra natal, a Caldeia. Então, com seu pai, sua família e seus servos, deixou a cidade de Ur, na qual habitara até então, e dirigiu-se cerca de 300 milhas ao norte, para Harã, onde permaneceu por quinze anos. A causa de sua migração foi um chamado de Deus (Atos 7:2-4). Não há menção a este primeiro chamado no Antigo Testamento; ele está implícito, contudo, em Gên. 12. Enquanto permaneciam em Harã, Terá morreu aos 205 anos. Abrão recebeu agora um segundo chamado, mais definido, acompanhado de uma promessa de Deus (Gên. 12:1, 2); após o qual partiu, levando consigo seu sobrinho Ló, "não sabendo para onde ia" (Heb. 11:8). Ele confiou implicitamente na guia Daquele que o havia chamado. Abrão agora, com uma grande casa de provavelmente mil almas, iniciou uma vida migratória e habitou em tendas. Passando pelo vale do Jaboque, na terra de Canaã, ele estabeleceu seu primeiro acampamento em Siquém (Gên. 12:6), no vale ou carvalhal de More, entre Ebal ao norte e Gerizim ao sul. Aqui ele recebeu a grande promessa: "Farei de ti uma grande nação", etc. (Gên. 12:2, 3, 7). Esta promessa compreendia não apenas bênçãos temporais, mas também espirituais. Implicava que ele era o ancestral escolhido do grande Libertador, cuja vinda havia sido prevista há muito tempo (Gên. 3:15). Logo depois disso, por alguma razão não mencionada, ele mudou sua tenda para o distrito montanhoso entre Betel, então chamada Luz, e Ai, cidades situadas a cerca de duas milhas de distância, onde construiu um altar ao "Jeová". Ele mudou-se novamente para a região sul da Palestina, chamada pelos hebreus de Negebe; e foi, finalmente, devido a uma fome, compelido a descer ao Egito. Isso ocorreu na época dos Hicsos, uma raça semita que então mantinha os egípcios em servidão. Aqui ocorreu aquele caso de engano por parte de Abrão, que o expôs à repreensão de Faraó (Gên. 12:18). Sarai lhe foi devolvida; e Faraó o carregou de presentes, recomendando-lhe que se retirasse do país. Ele retornou a Canaã mais rico do que quando a deixou, "em gado, em prata e em ouro" (Gên. 12:8; 13:2. Comp. Sl. 105:13, 14). Todo o grupo moveu-se então para o norte e retornou à sua estação anterior, perto de Betel. Aqui surgiram disputas entre os pastores de Ló e os de Abrão a respeito de água e pastagens. Abrão generosamente deu a Ló a escolha do terreno de pastagem. (Comp. 1 Cor. 6:7.) Ele escolheu a planície bem regada onde Sodoma estava situada e mudou-se para lá; e assim o tio e o sobrinho separaram-se. Imediatamente após isso, Abrão foi encorajado por uma repetição das promessas que já lhe haviam sido feitas, e então mudou-se para a planície ou "carvalhal" de Manre, que fica em Hebrom. Ele finalmente estabeleceu-se aqui, armando sua tenda sob um famoso carvalho ou terebinto, chamado "o carvalho de Manre" (Gên. 13:18). Este foi o seu terceiro lugar de repouso na terra. Cerca de quatorze anos antes disso, enquanto Abrão ainda estava na Caldeia, a Palestina fora invadida por Quedorlaomer, rei de Elão, que submeteu ao tributo as cinco cidades da planície para as quais Ló havia se mudado. Esse tributo foi sentido pelos habitantes dessas cidades como um fardo pesado e, após doze anos, eles se revoltaram. Isso trouxe sobre eles a vingança de Quedorlaomer, que tinha em liga consigo outros quatro reis. Ele devastou todo o país, saqueando as cidades e levando os habitantes como escravos. Entre os assim tratados estava Ló. Ao saber do desastre que havia caído sobre seu sobrinho, Abrão reuniu imediatamente de sua própria casa um grupo de 318 homens armados e, juntando-se a ele os chefes amorreus Manre, Aner e Escol, perseguiu Quedorlaomer e o alcançou perto das fontes do Jordão. Eles atacaram e derrotaram seu exército, perseguindo-o pela cordilheira do Antilíbano até Hobá, perto de Damasco, e então retornaram, trazendo de volta todos os despojos que haviam sido levados. Retornando pelo caminho de Salém, isto é, Jerusalém, o rei daquele lugar, Melquisedeque, saiu ao encontro deles com refrescos. A ele, Abrão apresentou o dízimo dos despojos, em reconhecimento ao seu caráter como sacerdote do Deus Altíssimo (Gên. 14:18-20). Em uma tabuleta recentemente descoberta, datada do reinado do avô de Amraphel (Gên. 14:1), uma das testemunhas é chamada de "o amorita, filho de Abiramu", ou Abrão. Tendo retornado ao seu lar em Mamre, as promessas já lhe feitas por Deus foram repetidas e ampliadas (Gên. 13:14). "A palavra do Senhor" (expressão que ocorre aqui pela primeira vez) "veio a ele" (15:1). Ele agora compreendia melhor o futuro que se estendia diante da nação que dele deveria derivar. Sarai, agora com setenta e cinco anos, em sua impaciência, persuadiu Abrão a tomar Agar, sua serva egípcia, como concubina, pretendendo que qualquer filho que pudesse nascer fosse considerado como seu. Ismael foi, consequentemente, assim criado, e era considerado o herdeiro dessas promessas (Gên. 16). Quando Ismael tinha treze anos, Deus revelou novamente, de forma ainda mais explícita e plena, o Seu propósito gracioso; e, como sinal do cumprimento certo desse propósito, o nome do patriarca foi agora alterado de Abrão para Abraão (Gên. 17:4, 5), e o rito da circuncisão foi instituído como sinal da aliança. Anunciou-se então que o herdeiro dessas promessas da aliança seria o filho de Sarai, embora ela tivesse agora noventa anos; e foi determinado que seu nome fosse Isaque. Ao mesmo tempo, em comemoração às promessas, o nome de Sarai foi alterado para Sara. Naquele dia memorável em que Deus assim revelou o Seu desígnio, Abraão, seu filho Ismael e todos os homens de sua casa foram circuncidados (Gên. 17). Três meses depois disso, enquanto Abraão estava sentado à porta de sua tenda, viu três homens se aproximando. Eles aceitaram a hospitalidade oferecida e, sentados sob um carvalho, participaram do alimento que Abraão e Sara providenciaram. Um dos três visitantes não era outro senão o Senhor, e os outros dois eram anjos sob a aparência de homens. O Senhor renovou, nesta ocasião, Sua promessa de um filho por meio de Sara, que foi repreendida por sua incredulidade. Abraão acompanhou os três enquanto eles prosseguiam em sua jornada. Os dois anjos seguiram em direção a Sodoma; enquanto o Senhor permaneceu para trás e conversou com Abraão, revelando-lhe a destruição que estava prestes a cair sobre aquela cidade culpada. O patriarca intercedeu fervorosamente em favor da cidade condenada. Mas, como nem sequer dez pessoas justas foram encontradas nela, por causa das quais a cidade teria sido poupada, a destruição ameaçada caiu sobre ela; e, logo na manhã seguinte, Abraão viu a fumaça do fogo que a consumiu como a "fumaça de uma fornalha" (Gên. 19:1-28). Após quinze anos de residência em Mamre, Abraão moveu-se para o sul e armou sua tenda entre os filisteus, próximo a Gerar. Aqui ocorreu aquele triste exemplo de prevaricação de sua parte em sua relação com Abimeleque, o Rei (Gên. 20). (Veja ABIMELEQUE.) Logo após este evento, o patriarca deixou as proximidades de Gerar e deslocou-se pelo vale fértil, cerca de 25 milhas, até Berseba. Foi provavelmente aqui que Isaque nasceu, tendo Abraão agora cem anos de idade. Um sentimento de ciúme surgiu então entre Sara e Agar, cujo filho, Ismael, não deveria mais ser considerado o herdeiro de Abraão. Sara insistiu que tanto Agar quanto seu filho fossem expulsos. Isso foi feito, embora tenha sido uma provação difícil para Abraão (Gên. 21:12). (Veja AGAR; ISMAEL.) Neste ponto, há uma lacuna de talvez vinte e cinco anos na história do patriarca. Esses anos de paz e felicidade foram passados em Berseba. A próxima vez que o vemos, sua fé é submetida a um teste severo pelo comando que subitamente lhe veio para ir e oferecer Isaque, o herdeiro de todas as promessas, como sacrifício em um dos montes de Moriá. Sua fé resistiu ao teste (Hb 11:17-19). Ele procedeu em um espírito de obediência imediata para cumprir a ordem; e, quando estava prestes a matar seu filho, a quem havia colocado sobre o altar, sua mão erguida foi detida pelo anjo de Jeová, e um carneiro, que estava preso em um matagal próximo, foi agarrado e oferecido em seu lugar. Devido a essa circunstância, aquele lugar foi chamado Jeová-Jiré, isto é, "O Senhor proverá". As promessas feitas a Abraão foram novamente confirmadas (e esta foi a última palavra registrada de Deus ao patriarca); e ele desceu do monte com seu filho e retornou para sua casa em Berseba (Gn 22:19), onde residiu por alguns anos e, depois, mudou-se para o norte, para Hebrom. Alguns anos depois disso, Sara morreu em Hebrom, aos 127 anos de idade. Abraão adquiriu agora a necessária posse de um lugar de sepultamento, a caverna de Macpela, mediante compra do seu proprietário, Efrom, o hitita (Gên. 23); e ali ele sepultou Sara. Sua preocupação seguinte foi providenciar uma esposa para Isaque e, para esse propósito, enviou seu administrador, Eliezer, a Harã (ou Carrã, Atos 7:2), onde residiam seu irmão Naor e sua família (Gên. 11:31). O resultado foi que Rebeca, filha de Betuel, filho de Naor, tornou-se a esposa de Isaque (Gên. 24). Abraão, então, tomou para si como esposa Quetura, que se tornou a mãe de seis filhos, cujos descendentes foram posteriormente conhecidos como os "filhos do oriente" (Jzg. 6:3), e mais tarde como "sarracenos". Finalmente, todas as suas peregrinações chegaram ao fim. Aos 175 anos de idade, 100 anos depois de ter entrado pela primeira vez na terra de Canaã, ele morreu e foi sepultado no antigo lugar de sepultamento da família em Macpela (Gên. 25:7-10). A história de Abraão causou uma ampla e profunda impressão no mundo antigo, e referências a ela estão entrelaçadas nas tradições religiosas de quase todas as nações orientais. Ele é chamado de "o amigo de Deus" (Tiago 2:23), "Abraão fiel" (Gál. 3:9), "o pai de todos nós" (Rom. 4:16)....
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Noé
Descanso, (Heb. Noah) o neto de Matusalém (Gên. 5:25-29), que foi por duzentos e cinquenta anos contemporâneo de Adão, e filho de Lameque, que tinha cerca de cinquenta anos na época da morte de Adão. Este patriarca é corretamente considerado como o elo de ligação entre o mundo antigo e o novo. Ele é o segundo grande progenitor da família humana. As palavras de seu pai Lameque em seu nascimento (Gên. 5:29) têm sido consideradas, em certo sentido, proféticas, designando Noé como um tipo dAquele que é o verdadeiro "descanso e conforto" dos homens sob o fardo da vida (Mat. 11:28). Viveu quinhentos anos, e então nasceram-lhe três filhos: Sem, Cam e Jafé (Gên. 5:32). Era um "homem justo e perfeito em sua geração" e "andou com Deus" (comp. Ezeq. 14:14, 20). Mas agora os descendentes de Caim e de Sete começaram a se misturar, e então surgiu uma raça distinguida por sua impiedade. Os homens tornaram-se cada vez mais corruptos, e Deus determinou varrer da terra a sua população ímpia (Gên. 6:7). Mas com Noé, Deus estabeleceu uma aliança, com a promessa de livramento do dilúvio iminente (18). Foi, consequentemente, ordenado que construísse uma arca (6:14-16) para a salvação de si mesmo e de sua casa. Um intervalo de cento e vinte anos transcorreu enquanto a arca era construída (6:3), durante o qual Noé prestou constante testemunho contra a incredulidade e a maldade daquela geração (1 Pe 3:18-20; 2 Pe 2:5). Quando a arca de "madeira de gofer" (mencionada apenas aqui) foi finalmente concluída de acordo com o comando do Senhor, as criaturas vivas que deveriam ser preservadas entraram nela; e então Noé, sua esposa, seus filhos e noras entraram nela, e o "Senhor o fechou" (Gên. 7:16). O julgamento ameaçado caiu agora sobre o mundo culpado, "o mundo que então era, sendo inundado por águas, pereceu" (2 Pe 3:6). A arca flutuou sobre as águas por cento e cinquenta dias e então repousou sobre os montes de Ararate (Gên. 8:3, 4); mas somente após um tempo considerável foi-lhe concedida a permissão divina para deixar a arca, de modo que ele e sua família ficaram um ano inteiro encerrados nela (Gên. 6-14). Ao deixar a arca, o primeiro ato de Noé foi erguer um altar, o primeiro de que haja qualquer menção, e oferecer sacrifícios de agradecimentos adorantes e louvor a Deus, que estabeleceu com ele uma aliança, a primeira aliança entre Deus e o homem, concedendo-lhe a posse da terra por meio de um novo e especial estatuto, que permanece em vigor até o presente momento (Gên. 8:21-9:17). Como sinal e testemunho desta aliança, o arco-íris foi adotado e separado por Deus, como um penhor seguro de que jamais a terra seria destruída por um dilúvio. Mas, ai! Noé, depois disso, caiu em pecado grave (Gên. 9:21); e a conduta de Cam nesta triste ocasião levou à predição memorável a respeito de seus três filhos e seus descendentes. Noé "viveu depois do dilúvio trezentos e cinquenta anos, e morreu" (28:29). (Veja DILÚVIO). Noé, movimento, (Heb. No'ah) uma das cinco filhas de Zlofade (Núm. 26:33; 27:1; 36:11; Jos. 17:3). Nob Lugar alto, uma cidade dos sacerdotes, mencionada pela primeira vez na história das peregrinações de Davi (1 Sam. 21:1). Aqui o tabernáculo estava então estabelecido, e aqui residia o sacerdote Ahimeleque. (Veja AHIMELEQUE.) A partir de Isa. 10:28-32, parece ter ficado perto de Jerusalém. Foi identificada por alguns como el-Isawiyeh, a uma milha e meia a nordeste de Jerusalém. Mas, de acordo com Isa. 10:28-32, ficava ao sul de Geba, na estrada para Jerusalém, e à vista da cidade. Esta identificação não cumpre estas condições e, portanto, outros (como o Decano Stanley) pensam que era o cume norte do Monte das Oliveiras, o lugar onde Davi "adorou a Deus" ao fugir de Absalão (2 Sam. 15:32), ou mais provavelmente (Conder) que era a mesma que Mizpa (q.v.), Jzg. 20:1; Jos. 18:26; 1 Sam. 7:16, em Nebi Samwil, a cerca de 5 milhas a noroeste de Jerusalém. Após ter sido provido dos pães sagrados da proposição e cingindo-se da espada de Golias, que foi retirada de trás do efode, Davi fugiu de Nob e buscou refúgio na corte de Aquis, o rei de Gate, onde foi lançado na prisão. (Comp. títulos dos Sl. 34 e 56.)...
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