(1.) Definições. A frase "céu e terra" é usada para indicar todo o
universo (Gên. 1:1; Jer. 23:24; Atos 17:24). De acordo com a noção
judaica, havia três céus,
(a) O firmamento, como "aves do céu" (Gên. 2:19; 7:3, 23;
Sl. 8:8, etc.), "as águias do céu" (Lam. 4:19), etc.
(b) Os céus estrelados (Dt 17:3; Jr 8:2; Mt 24:29).
(c) "O céu dos céus", ou "o terceiro céu" (Dt 10:14;
1 Rs 8:27; Sl 115:16; 148:4; 2 Co 12:2).
(2.) Significado das palavras no original,
(a) A palavra hebraica usual para "céus" é *shamayim*, uma forma
plural que significa "alturas", "elevações" (Gn 1:1; 2:1).
(b) A palavra hebraica *marom* também é usada (Sl 68:18; 93:4; 102:19,
etc.) como equivalente a *shamayim*, "lugares altos", "alturas".
(c) O hebraico *galgal*, literalmente uma "roda", é traduzido como "céu"
no Sl 77:18 (R.V., "redemoinho").
(d) O hebraico *shahak*, traduzido como "céu" [sky] (Dt 33:26; Jó 37:18; Sl.
18:11), no plural "nuvens" (Jó 35:5; 36:28; Sl 68:34, marg.
"céus"), significa provavelmente o firmamento.
(e) O hebraico *rakia* está intimamente conectado ao item (d), e é traduzido
como "firmamentum" na Vulgata, de onde provém o nosso "firmamento" (Gn 1:6;
Dt 33:26, etc.), considerado como uma extensão sólida.
(3.) Significado metafórico do termo. Is 14:13, 14; "portas do
céu" (Sl 78:23); céu "fechado" (1 Rs 8:35); "aberto"
(Ez 1:1). (Veja 1 Cr 21:16.)
(4.) Significado espiritual. O lugar da bem-aventurança eterna
dos justos; a morada dos espíritos falecidos.
(a) Cristo chama-o de "casa de meu Pai" (Jo 14:2).
(b) É chamado de "paraíso" (Lc 23:43; 2 Co 12:4; Ap 2:7).
(c) "A Jerusalém celestial" (Gl 4:26; Hb 12:22; Ap 3:12).
(d) O "reino dos céus" (Mt 25:1; Tg 2:5).
(e) O "reino eterno" (2 Pe 1:11).
(f) A "herança eterna" (1 Pe 1:4; Hb 9:15).
(g) A "pátria melhor" (Hb 11:14, 16).
(h) Diz-se que os bem-aventurados "se assentam com Abraão, Isaque e
Jacó" e que estão "no seio de Abraão" (Lc 16:22; Mt 8:11); que
"reinarão com Cristo" (2 Tm 2:12); e que desfrutarão de "descanso"
(Hb 4:10, 11).
No céu, a bem-aventurança dos justos consiste na posse da "vida
eterna", "um peso eterno de glória" (2 Co 4:17), uma isenção de todo
sofrimento para sempre, um livramento de todos os males (2 Co 5:1, 2)
e da sociedade dos ímpios (2 Tm 4:18), felicidade sem término, a
"plenitude da alegria" para sempre (Lc 20:36; 2 Co 4:16, 18; 1 Pe 1:4;
5:10; 1 Jo 3:2). O céu do crente não é apenas um estado de
bem-aventurança eterna, mas também um "lugar", um lugar "preparado"
para eles (Jo 14:2).