O nome dado à principal das três grandes festas anuais históricas dos judeus. Era celebrada em memória da passagem do Senhor pelas casas dos israelitas (Êx. 12:13) quando os primogênitos de todos os egípcios foram destruídos. É chamada também de "festa dos pães asmos" (Êx. 23:15; Mc 14:1; At 12:3), porque durante a sua celebração nenhum pão levedado deveria ser comido ou mesmo mantido na residência (Êx. 12:15). A palavra posteriormente passou a designar o cordeiro que era sacrificado na festa (Mc 14:12-14; 1 Co 5:7).
Um relato detalhado da instituição desta festa é dado em Êx. 12 e 13. Foi posteriormente incorporada à lei cerimonial (Lv 23:4-8) como uma das grandes festas da nação. Em tempos posteriores, muitas mudanças parecem ter ocorrido quanto ao modo de sua celebração em comparação com a sua primeira celebração (comp. Dt 16:2, 5, 6; 2 Cr 30:16; Lv 23:10-14; Nm 9:10, 11; 28:16-24). Além disso, foram introduzidos o uso de vinho (Lc 22:17, 20), de molho com as ervas amargas (Jo 13:26) e o serviço de louvor.
Registra-se apenas uma celebração desta festa entre o Êxodo e a entrada em Canaã, a saber, aquela mencionada em Núm. 9:5. (Veja JOSIAH.) Era, primordialmente, uma ordenança comemorativa, lembrando aos filhos de Israel de sua libertação do Egito; mas era, sem dúvida, também um tipo da grande libertação operada pelo Messias para todo o seu povo, do destino da morte em razão do pecado e da escravidão do próprio pecado, uma escravidão pior que a egípcia (1 Cor. 5:7; João 1:29; 19:32-36; 1 Pe 1:19; Gál. 4:4, 5). A aparência de Jerusalém por ocasião da Páscoa no tempo de nosso Senhor é assim adequadamente descrita: "A própria cidade e os arredores tornavam-se cada vez mais lotados à medida que a festa se aproximava, as ruas estreitas e os escuros bazares em arco exibindo a mesma multidão de homens de todas as nações de quando Jesus visitou Jerusalém pela primeira vez, ainda menino. Até mesmo o templo oferecia uma visão estranha nesta época, pois em partes dos pátios externos, um amplo espaço era coberto por currais para ovelhas, cabras e gado a serem usados para ofertas. Vendedores gritavam as qualidades de seus animais, ovelhas baliam, bois mugiam. Vendedores de pombas também tinham um lugar reservado para eles. Oleiros ofereciam uma escolha entre enormes pilhas de pratos de argila e fornos para assar e comer o cordeiro pascal. Barracas de vinho, azeite, sal e tudo mais que fosse necessário para os sacrifícios atraíam clientes. Pessoas que iam e vinham da cidade encurtavam sua jornada atravessando as dependências do templo, frequentemente carregando fardos... Bancas para trocar moeda estrangeira pelo siclo do templo, que era a única moeda que podia ser paga aos sacerdotes, eram numerosas, tornando toda a confusão o santuário semelhante a um mercado barulhento" (Vida de Cristo, de Geikie).