📖 Dicionário Bíblico de Easton

Poesia

M.G. Easton, 1897487 palavras~2 min de leituraDomínio Público

Foi bem definida como "a linguagem mensurada da emoção". A poesia hebraica trata quase exclusivamente da grande questão da relação do homem com Deus. "Culpa, condenação, punição, perdão, redenção, arrependimento são os temíveis temas desta poesia nascida do céu".

Nas escrituras hebraicas, encontram-se três tipos distintos de poesia: (1) a do Livro de Jó e do Cântico dos Cânticos, que é dramática; (2) a do Livro de Salmos, que é lírica; e (3) a do Livro de Eclesiastes, que é didática e sentenciosa.

A poesia hebraica não possui nada de semelhante à das nações ocidentais. Não possui nem métrica nem rima. Sua grande peculiaridade consiste na correspondência mútua de sentenças ou orações, chamada paralelismo, ou "rima de pensamento". Vários tipos deste paralelismo foram apontados:

(1.) Paralelismo sinônimo ou cognato, onde a mesma ideia é repetida com as mesmas palavras (Sl. 93:3; 94:1; Pv. 6:2), ou com palavras diferentes (Sl. 22, 23, 28, 114, etc.); ou onde é expressa de forma positiva em uma oração e de forma negativa na outra (Sl. 40:12; Pv. 6:26); ou onde a mesma ideia é expressa em três orações sucessivas (Sl. 40:15, 16); ou em um paralelismo duplo, em que a primeira e a segunda orações correspondem à terceira e à quarta (Is. 9:1; 61:10, 11).

(2.) Paralelismo antitético, onde a ideia da segunda oração é o inverso da primeira (Sl. 20:8; 27:6, 7; 34:11; 37:9, 17, 21, 22). Esta é a forma comum da poesia gnômica ou proverbial. (Veja Pv. 10-15.)

(3.) Paralelismo sintético, construtivo ou composto, onde cada oração ou sentença contém alguma ideia acessória que reforça a ideia principal (Sl. 19:7-10; 85:12; Jó 3:3-9; Is. 1:5-9).

(4.) Paralelismo introvertido, no qual, de quatro orações, a primeira corresponde à quarta e a segunda à terceira (Sl. 135:15-18; Pv. 23:15, 16), ou onde a segunda linha inverte a ordem das palavras da primeira (Sl. 86:2).

A poesia hebraica às vezes assume outras formas além destas. (1.) Um arranjo alfabético é por vezes adotado com o propósito de conectar orações ou sentenças. Assim, nos seguintes, as palavras iniciais dos respectivos versículos começam com as letras do alfabeto em sucessão regular: Prov. 31:10-31; Lam. 1, 2, 3, 4; Sl. 25, 34, 37, 145. O Sl. 119 possui uma letra do alfabeto em ordem regular iniciando cada oitavo versículo.

(2.) A repetição do mesmo versículo ou de alguma expressão enfática em intervalos (Sl. 42, 107, onde o refrão está nos versículos 8, 15, 21, 31). (Comp. também Is. 9:8-10:4; Amós 1:3, 6, 9, 11, 13; 2:1, 4, 6.)

(3.) Gradação, na qual o pensamento de um versículo é retomado em outro (Sl. 121).

Diversas odes de grande beleza poética são encontradas nos livros históricos do Antigo Testamento, tais como o cântico de Moisés (Êx. 15), o cântico de Débora (Jz. 5), de Ana (1 Sm. 2), de Ezequias (Is. 38:9-20), de Habacuque (Hab. 3), e o "cântico do arco" de Davi (2 Sm. 1:19-27).

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Dicionário Bíblico de Easton
M.G. Easton · 1897 · Domínio Público · Traduzido por IA (Gemma 4) e revisado pela equipe A Seara.