É a tradição corrente e aparentemente bem fundamentada que Marcos derivou suas informações principalmente dos discursos de Pedro. Na casa de sua mãe, ele teria abundantes oportunidades de obter informações dos outros apóstolos e de seus coadjutores, contudo, ele era, especialmente, "o discípulo e intérprete de Pedro".
Quanto à época em que foi escrito, o Evangelho não nos fornece informações definitivas. Marcos não faz menção à destruição de Jerusalém; portanto, deve ter sido escrito antes desse evento, provavelmente por volta de 63 d.C.
O local onde foi escrito foi provavelmente Roma. Alguns supuseram Antioquia (comp. Marcos 15:21 com Atos 11:20).
Foi destinado primariamente aos romanos. Isso parece provável quando se considera que não faz referência à lei judaica, e que o escritor se preocupa em interpretar palavras que um gentio provavelmente não compreenderia, tais como: "Boanerges" (3:17); "Talitha cumi" (5:41); "Corban" (7:11); "Bartimeu" (10:46); "Abba" (14:36); "Eloi", etc. (15:34). Usos judaicos também são explicados (7:3; 14:3; 14:12; 15:42). Marcos também utiliza certas palavras latinas não encontradas em nenhum dos outros Evangelhos, como "speculator" (6:27, traduzido na A.V. como "executioner" [executor]; na R.V., como "soldier of his guard" [soldado de sua guarda]), "xestes" (uma corrupção de *sextarius*, traduzido como "pots" [vasos], 7:4, 8), "quadrans" (12:42, traduzido como "a farthing" [um quarto de moeda]), "centurion" (15:39, 44, 45). Ele cita o Antigo Testamento apenas duas vezes (1:2; 15:28).
As características deste Evangelho são: (1) a ausência da genealogia de nosso Senhor, (2) a quem ele representa como revestido de poder, o "leão da tribo de Judá". (3.) Marcos também registra com maravilhosa minúcia as próprias palavras (3:17; 5:41; 7:11, 34; 14:36), bem como a posição (9:35) e os gestos (3:5, 34; 5:32; 9:36; 10:16) de nosso Senhor. (4.) Ele também é cuidadoso em registrar pormenores de pessoa (1:29, 36; 3:6, 22, etc.), número (5:13; 6:7, etc.), lugar (2:13; 4:1; 7:31, etc.) e tempo (1:35; 2:1; 4:35, etc.), os quais os outros evangelistas omitem. (5.) A frase "e imediatamente" ocorre quase quarenta vezes neste Evangelho; enquanto no Evangelho de Lucas, que é muito mais longo, é usada apenas sete vezes, e em João apenas quatro vezes.
"O Evangelho de Marcos", diz Westcott, "é essencialmente uma transcrição da vida. O curso e o desfecho dos fatos são retratados nele com o esboço mais claro." "Em Marcos, não há a tentativa de elaborar uma narrativa contínua. Seu Evangelho é uma sucessão rápida de imagens vívidas, vagamente encadeadas, sem muita tentativa de uni-las em um todo ou de apresentar os eventos em sua sequência natural. Este poder pictórico é o que caracteriza especialmente este evangelista, de modo que, se alguém deseja conhecer um fato evangélico, não apenas em suas características principais e grandes resultados, mas também em sua delineação mais minuciosa e, por assim dizer, mais gráfica, deve recorrer a Marcos." O princípio condutor que percorre este Evangelho pode ser expresso no lema: "Jesus veio... pregando o evangelho do reino" (Marcos 1:14).
"De um total de 662 versículos, Marcos tem 406 em comum com Mateus e Lucas, 145 com Mateus, 60 com Lucas e, no máximo, 51 peculiares a si mesmo." (Veja MATEUS.)
Marote
Amargura; isto é, "tristeza perfeita", um lugar não longe de Jerusalém; mencionado em conexão com a invasão do exército assírio (Miquéias 1:12).