O quarto dos livros do Pentateuco, chamado no hebraico
*be-midbar*, isto é, "no deserto". Na versão da LXX, é
chamado de "Números", e este nome é agora o título usual do
livro. É assim chamado porque contém um registro do
recenseamento do povo no deserto do Sinai (1-4), e de
seu recenseamento posterior na planície de Moabe (26).
Este livro é de especial interesse histórico por nos
fornecer detalhes sobre a rota dos israelitas no deserto
e seus principais acampamentos. Pode ser dividido em três
partes:
1. O recenseamento do povo no Sinai e as preparações para
a retomada de sua marcha (1-10:10). O sexto capítulo apresenta
um relato sobre o voto de um nazireu.
2. Um relato da jornada do Sinai a Moabe, o envio dos
espiões e o relatório que eles trouxeram de volta, e as
murmurações (oito vezes) do povo diante das dificuldades pelo
caminho (10:11-21:20).
3. Os acontecimentos na planície de Moabe antes da travessia do
Jordão (21:21-cap. 36).
O período abrangido nesta história estende-se do segundo mês do segundo ano após o Êxodo até o início do décimo primeiro mês do quadragésimo ano, totalizando cerca de trinta e oito anos e dez meses; um período desolador de peregrinações, durante o qual toda aquela geração desobediente morreu no deserto. Eles eram menos numerosos ao final de suas peregrinações do que quando deixaram a terra do Egito. Vemos nesta história, por um lado, o cuidado incessante do Todo-Poderoso sobre o seu povo escolhido durante as suas peregrinações; e, por outro lado, as murmurações e rebeliões com as quais ofenderam o seu Protetor celestial, atraíram repetidas marcas de seu desprazer e provocaram-no a dizer que eles "não entrariam em seu descanso" por causa de sua incredulidade (Heb. 3:19).
Este, assim como os outros livros do Pentateuco, apresenta evidências de ter sido escrito por Moisés.
A expressão "o livro das guerras do Senhor", que ocorre em 21:14, deu origem a muita discussão. Mas, afinal, "o que este livro era é incerto, se algum escrito de Israel não mais existente, ou algum escrito dos amorreus que continha cânticos e triunfos das vitórias de seu rei Seom, do qual Moisés pode citar este testemunho, como Paulo às vezes faz de poetas pagãos (Atos 17:28; Tito 1:12)."