📖 Dicionário Bíblico de Easton

Pentateuco

M.G. Easton, 1897875 palavras~4 min de leituraDomínio Público

O volume quíntuplo, consistindo nos primeiros cinco livros do

Antigo Testamento. Esta palavra não ocorre nas Escrituras, nem se

sabe com certeza quando o rolo foi assim dividido em cinco

partes: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio.

Provavelmente isso foi feito pelos tradutores da LXX. Alguns

críticos modernos falam de um Hexateuco, introduzindo o Livro de Josué

como parte do grupo. Mas este livro possui um caráter inteiramente

diferente dos demais livros e tem um autor diferente. Ele

se mantém isolado como o primeiro de uma série de livros históricos

que se iniciam com a entrada dos israelitas em Canaã. (Veja

JOSUÉ.)

Os livros que compõem o Pentateuco são, propriamente, um único livro, a "Lei de Moisés", o "Livro da Lei de Moisés", o "Livro de Moisés" ou, como os judeus o designam, a "Torah" ou "Lei". Que, em sua forma atual, ele "provém de um único autor é comprovado por seu plano e objetivo, segundo os quais todo o seu conteúdo se refere à aliança celebrada entre Jeová e seu povo, por intermédio de Moisés, de tal modo que tudo o que precede o seu tempo é percebido como preparatório para este fato, e todo o restante como o desenvolvimento dele. No entanto, esta unidade não foi imposta a ele por necessidade pelo redator mais recente: ela esteve lá desde o início, e é visível no plano original e em toda a execução da obra.", Keil, Einl. i.d. A. T.

Uma certa escola de críticos propôs-se a reconstruir os livros do Antigo Testamento. Por meio de um processo de "estudo científico", eles descobriram que os chamados livros históricos do Antigo Testamento não são história de modo algum, mas sim uma coleção diversificada de histórias, invenções de muitos escritores diferentes, remendadas por diversos editores! No que diz respeito ao Pentateuco, eles não se envergonham de atribuir fraude, e até mesmo conspiração, aos seus autores, que buscaram obter aceitação para sua obra — a qual foi composta em parte na era de Josias, e em parte na de Esdras e Neemias — apresentando-a como sendo a obra de Moisés! Este não é o lugar para entrar nos detalhes desta controvérsia. Podemos dizer francamente, porém, que não temos fé nesta "crítica superior". Ela degrada os livros do Antigo Testamento para um nível inferior ao de escritos humanos falíveis, e os argumentos sobre os quais suas especulações são construídas são totalmente insustentáveis.

As evidências a favor da autoria mosaica do Pentateuco são conclusivas. Podemos, portanto, expor algumas delas brevemente:

(1.) Estes livros professam ter sido escritos por Moisés em nome de Deus (Êx 17:14; 24:3, 4, 7; 32:7-10, 30-34; 34:27; Lev 26:46; 27:34; Deut 31:9, 24, 25).

(2.) Este é também o testemunho uniforme e persistente dos judeus de todas as seitas, em todas as eras e países (comp. Josué 8:31, 32; 1 Reis 2:3; Jeremias 7:22; Esdras 6:18; Neemias 8:1; Malaquias 4:4; Mateus 22:24; Atos 15:21).

(3.) Nosso Senhor ensinou claramente a autoria mosaica destes livros (Mateus 5:17, 18; 19:8; 22:31, 32; 23:2; Marcos 10:9; 12:26; Lucas 16:31; 20:37; 24:26, 27, 44; João 3:14; 5:45, 46, 47; 6:32, 49; 7:19, 22). Diante deste fato, alguém ousará alegar ou que Cristo ignorava a composição da Bíblia, ou que, conhecendo o verdadeiro estado da questão, ainda assim encorajou o povo no delírio ao qual se apegavam?

(4.) Desde o tempo de Josué até o tempo de Esdras, há, nos livros históricos intermediários, uma referência constante ao Pentateuco como o "Livro da Lei de Moisés". Este é um ponto de grande importância, visto que os críticos negam que exista tal referência; e, consequentemente, negam o caráter histórico do Pentateuco. No que diz respeito à Páscoa, por exemplo, descobrimos que ela é frequentemente mencionada ou aludida nos livros históricos que seguem o Pentateuco, demonstrando que a "Lei de Moisés" era, então, certamente conhecida. Ela foi celebrada no tempo de Josué (Josué 5:10, cf. 4:19), Ezequias (2 Cr. 30), Josias (2 Reis 23; 2 Cr. 35) e Zorobabel (Esdras 6:19-22), e é referenciada em passagens como 2 Reis 23:22; 2 Cr. 35:18; 1 Reis 9:25 ("três vezes ao ano"); 2 Cr. 8:13. Da mesma forma, poderíamos mostrar referências frequentes à Festa dos Tabernáculos e a outras instituições judaicas, embora não admitamos que qualquer argumento válido possa ser extraído do silêncio das Escrituras em tal caso. Um exame dos seguintes textos, 1 Reis 2:9; 2 Reis 14:6; 2 Cr. 23:18; 25:4; 34:14; Esdras 3:2; 7:6; Dan. 9:11, 13, também mostrará claramente que a "Lei de Moisés" era conhecida durante todos esses séculos.

Admitindo que, no tempo de Moisés, existiram certas tradições orais ou registros e documentos escritos que ele foi divinamente conduzido a utilizar em sua história, e que sua escrita foi revisada por sucessores inspirados, isso explicará plenamente certas peculiaridades de expressão que os críticos chamaram de "anacronismos" e "contradições", mas de modo algum milita contra a doutrina de que Moisés foi o autor original de todo o Pentateuco. Não é necessário que afirmemos que o todo seja uma composição original; mas afirmamos que as evidências demonstram claramente que Moisés foi o autor daqueles livros que chegaram até nós ostentando seu nome. O Pentateuco é certamente a base e a preliminar necessária de toda a história e literatura do Antigo Testamento. (Veja DEUTERONÔMIO.)

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Dicionário Bíblico de Easton
M.G. Easton · 1897 · Domínio Público · Traduzido por IA (Gemma 4) e revisado pela equipe A Seara.