📖 Dicionário Bíblico de Easton

Mateus, Evangelho segundo

M.G. Easton, 1897606 palavras~3 min de leituraDomínio Público

O autor deste livro foi, sem sombra de dúvida, Mateus, um apóstolo de nosso Senhor, cujo nome a obra leva. Ele escreveu o Evangelho de Cristo de acordo com seus próprios planos e objetivos, e a partir de seu próprio ponto de vista, assim como fizeram também os outros "evangelistas".

Quanto à época de sua composição, há pouco no próprio Evangelho que possa indicar. Foi evidentemente escrito antes da destruição de Jerusalém (Mt 24), e algum tempo após os eventos que registra. A probabilidade é que tenha sido escrito entre os anos 60 e 65 d.C.

O estilo de pensamento e as formas de expressão empregadas pelo escritor mostram que este Evangelho foi escrito para cristãos judeus da Palestina. Seu grande objetivo é provar que Jesus de Nazaré era o Messias prometido, e que nele as antigas profecias tiveram seu cumprimento. O Evangelho está repleto de alusões àquelas passagens do Antigo Testamento nas quais Cristo é predito e prefigurado. O único propósito que permeia todo o livro é mostrar que Jesus é aquele "de quem Moisés na lei e os profetas escreveram". Este Evangelho contém não menos que sessenta e cinco referências ao Antigo Testamento, sendo quarenta e três destas citações verbais diretas, superando assim grandemente aquelas encontradas nos outros Evangelhos. A característica principal deste Evangelho pode ser expressa no lema: "Não vim para destruir, mas para cumprir".

Quanto à língua em que este Evangelho foi escrito, há muita controvérsia. Muitos sustentam, de acordo com a antiga tradição, que ele foi originalmente escrito em hebraico (isto é, o dialeto aramaico ou sírio-caldeu, então a língua vernácula dos habitantes da Palestina), e posteriormente traduzido para o grego, seja pelo próprio Mateus ou por alguma pessoa desconhecida. Esta teoria, embora fervorosamente defendida por críticos competentes, não nos parece ter fundamento para ser adotada. Desde o princípio, este Evangelho em grego foi recebido como autoritativo na Igreja. Não há nele nada que indique que seja uma tradução. Embora Mateus tenha escrito principalmente para os judeus, eles estavam, em toda parte, familiarizados com a língua grega. As mesmas razões que teriam sugerido a necessidade de uma tradução para o grego teriam levado o evangelista a escrever em grego desde o início. Admite-se que este Evangelho jamais foi encontrado em qualquer outra forma senão aquela em que agora o possuímos.

A característica principal deste Evangelho é que ele apresenta a glória régia de Cristo e o mostra como o verdadeiro herdeiro do trono de Davi. É o Evangelho do reino. Mateus utiliza a expressão "reino dos céus" (trinta e duas vezes), enquanto Lucas utiliza a expressão "reino de Deus" (trinta e três vezes). Algumas formas latinizadas ocorrem neste Evangelho, como *kodrantes* (Mt 5:26), para o latim *quadrans*, e *phragello* (27:26), para o latim *flagello*. Deve-se lembrar que Mateus era um cobrador de impostos para o governo romano e, portanto, estava em contato com aqueles que utilizavam a língua latina.

Quanto à relação entre os Evangelhos, devemos sustentar que cada escritor dos sinóticos (os três primeiros) escreveu independentemente dos outros dois, sendo Mateus, provavelmente, o primeiro em termos cronológicos.

"De um total de 1071 versículos, Mateus tem 387 em comum com Marcos e Lucas, 130 com Marcos, 184 com Lucas; apenas 387 sendo peculiares a si mesmo." (Veja MARCOS; LUCAS; EVANGELHOS.)

O livro é adequadamente dividido nestas quatro partes: (1.) Contendo a genealogia, o nascimento e a infância de Jesus (1; 2).

(2.) Os discursos e ações de João Batista preparatórios para o ministério público de Cristo (3; 4:11).

(3.) Os discursos e as ações de Cristo na Galileia

(4:12-20:16).

(4.) Os sofrimentos, a morte e a ressurreição de nosso Senhor

(20:17-28).

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Dicionário Bíblico de Easton
M.G. Easton · 1897 · Domínio Público · Traduzido por IA (Gemma 4) e revisado pela equipe A Seara.