📖 Dicionário Bíblico de Easton

Cor

M.G. Easton, 1897865 palavras~4 min de leituraDomínio Público

O tema das cores ocupa um lugar importante nas Escrituras.

O branco ocorre como a tradução de várias palavras hebraicas. É aplicado ao leite (Gên. 49:12), ao maná (Êx. 16:31), à neve (Is. 1:18), a cavalos (Zac. 1:8), a vestes (Ecl. 9:8). Outra palavra hebraica assim vertida é aplicada ao mármore (Est. 1:6), e uma palavra cognata ao lírio (Cant. 2:16). Um termo diferente, significando "deslumbrante", é aplicado ao semblante (Cant. 5:10).

Esta cor era um emblema de pureza e inocência (Mc 16:5; Jo 20:12; Ap 19:8, 14), de alegria (Ecl. 9:8) e também de vitória (Zac. 6:3; Ap 6:2). As cortinas do pátio do tabernáculo (Êx. 27:9; 38:9), as túnicas, mitras, turbantes e calções dos sacerdotes (Êx. 39:27, 28), e as vestes do sumo sacerdote no dia da Expiação (Lev. 16:4, 32), eram brancas.

Preto, aplicado ao cabelo (Lev. 13:31; Ct. 5:11), à tez (Ct. 1:5) e a cavalos (Zac. 6:2, 6). A palavra traduzida como "marrom" em Gn. 30:32 (R.V., "preto") significa propriamente "chamuscado", isto é, a cor produzida pela influência dos raios solares. "Preto" em Jó 30:30 significa sujo, enegrecido pela dor e pela doença. A palavra é aplicada às vestes de um enlutado (Jr. 8:21; 14:2), a um céu nublado (1 Reis 18:45), à noite (Miq. 3:6; Jr. 4:28) e a um riacho tornado turvo pela neve derretida (Jó 6:16). É usada como simbólica do mal em Zac. 6:2, 6 e Ap. 6:5. Era o emblema do luto, da aflição, da calamidade (Jr. 14:2; Lm. 4:8; 5:10).

Vermelho, aplicado ao sangue (2 Reis 3:22), a uma novilha (Nm. 19:2), ao guisado de lentilhas (Gn. 25:30), a um cavalo (Zac. 1:8), ao vinho (Pv. 23:31), à tez (Gn. 25:25; Ct. 5:10). Esta cor é simbólica do derramamento de sangue (Zac. 6:2; Ap. 6:4; 12:3).

Púrpura, uma cor obtida da secreção de uma espécie de molusco (o *Murex trunculus*) que era encontrado no Mediterrâneo, e particularmente nas costas da Fenícia e da Ásia Menor. A matéria corante em cada molusco individualmente correspondia a apenas uma única gota, e daí o grande valor deste corante. Vestes desta cor eram usadas por reis (Jz 8:26) e altos funcionários (Est 8:15). Também eram usadas pelos ricos e luxuosos (Jr 10:9; Ez 27:7; Lc 16:19; Ap 17:4). A esta cor associava-se a ideia de realeza e majestade (Jz 8:26; Ct 3:10; 7:5; Dn 5:7, 16, 29).

Azul. Esta cor também era obtida de uma espécie de molusco, o *chelzon* dos hebreus, e a *Helix ianthina* dos naturalistas modernos. A tonalidade era emblemática do céu, o tom escuro e profundo do céu oriental. Esta cor era usada da mesma forma que a púrpura. O cordão e a franja da veste hebraica eram desta cor (Nm 15:38). As alças das cortinas (Ex 26:4), o cordão do peitoral do sumo sacerdote, a túnica do éfode e o cordão de sua mitra eram azuis (Ex 28:28, 31, 37).

Escarlate ou Carmesim. Em Is 1:18, utiliza-se uma palavra hebraica que denota o verme ou larva de onde este corante era obtido. Em Gn 38:28, 30, a palavra assim traduzida significa "brilhar" e expressa o brilho da cor. Os pequenos insetos parasitas dos quais este corante era obtido assemelhavam-se, de certa forma, à cochonilha encontrada em países orientais. É chamado pelos naturalistas de *Coccus ilics*. O corante era obtido apenas da larva fêmea. O único objeto natural ao qual esta cor é aplicada nas Escrituras são os lábios, que são comparados a um fio escarlate (Ct 4:3). Vestes escarlates eram usadas pelos ricos e luxuosos (2 Sm 1:24; Pv 31:21; Jr 4:30; Ap 17:4). Era também a tonalidade da vestimenta do guerreiro (Na 2:3; Is 9:5). Os fenícios sobressaíam na arte de tingir nesta cor (2 Cr 2:7).

Estas quatro cores — branco, púrpura, azul e escarlate — foram usadas nas texturas das cortinas do tabernáculo (Êx. 26:1, 31, 36), e também no éfodo, no cinto e no peitoral do sumo sacerdote (Êx. 28:5, 6, 8, 15). O fio escarlate é mencionado em conexão com os ritos de purificação do leproso (Lev. 14:4, 6, 51) e de queima da novilha vermelha (Núm. 19:6). Foi um fio carmesim que Raabe deveria amarrar em sua janela como um sinal de que ela seria salva com vida (Jos. 2:18; 6:25) quando a cidade de Jericó fosse tomada.

Vermelhão, o sulfureto de mercúrio vermelho, ou cinábrio; uma cor usada para desenhar figuras de ídolos nas paredes de templos (Ez. 23:14), ou para decorar as paredes e vigas de casas (Jr. 22:14).

Consolador

A designação do Espírito Santo (João 14:16, 26; 15:26; 16:7; marg. da R.V., "ou Advogado, ou Ajudador; Gr. paracletos"). A mesma palavra grega assim vertida é traduzida como "Advogado" em 1 João 2:1, sendo aplicável a Cristo. Significa propriamente "aquele que é convocado para o lado de outro" para ajudá-lo em um tribunal de justiça, defendendo-o, "aquele que é convocado para pleitear uma causa". "Advogado" é a tradução adequada da palavra em todos os casos em que ela ocorre.

É digno de nota que, embora Paulo em lugar nenhum utilize a palavra *paracletos*, ele ainda assim apresenta a ideia que ela encarna quando fala da "intercessão" tanto de Cristo quanto do Espírito (Rom. 8:27, 34).

📚
Dicionário Bíblico de Easton
M.G. Easton · 1897 · Domínio Público · Traduzido por IA (Gemma 4) e revisado pela equipe A Seara.